Mudancas Climaticas
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Estudo revela emissão descontrolada de metano no Ártico por aquecimento global


Um estudo liderado pelo professor Mark Trimmer, da Queen Mary University de Londres, revelou que o aquecimento global está provocando um aumento nas emissões naturais de metano que os micróbios consumidores não conseguem mais conter. A descoberta, publicada na revista Nature Climate Change, aponta para um ciclo de retroalimentação perigoso que pode acelerar ainda mais a crise climática.

Quase metade de todo o metano liberado na atmosfera é produzido por microrganismos presentes em lagos, lagoas e solos úmidos, e não apenas pela pecuária. A quantidade que efetivamente chega à atmosfera depende de um equilíbrio delicado entre os micróbios que produzem o gás e aqueles que o consomem antes que escape.

Segundo reportagem divulgada pelo Phys.org, os cientistas utilizaram um experimento natural único que abrangeu todo o hemisfério norte para testar o efeito do aquecimento sobre esse equilíbrio ao longo de séculos e milênios. As amostras foram coletadas em riachos naturalmente aquecidos por atividade geotérmica em locais remotos do Alasca, Groenlândia, Islândia, Svalbard e Kamchatka, na Rússia.

Os resultados mostraram que, embora os micróbios consumidores de metano trabalhem mais sob temperaturas elevadas, eles são incapazes de controlar totalmente o metano extra produzido pelo aquecimento. Essa defasagem cria um cenário preocupante de emissões crescentes à medida que a Terra continua esquentando, construindo um ciclo vicioso entre mudança climática e temperaturas ainda mais altas.

A doutora Sarah Faye Harpenslager, atualmente do B-Ware Research Center e da Universidade Radboud, liderou o trabalho de campo nas regiões próximas ao Ártico e descreveu a experiência como única e desafiadora. Ela destacou a colaboração de uma equipe multidisciplinar de cientistas que trabalhou junta para coletar amostras e realizar medições sob condições extremamente difíceis.

O professor Gabriel Yvon-Durocher, da Universidade de Exeter, ressaltou a consistência dos achados em diferentes ecossistemas árticos. Apesar da complexidade dos processos microbianos envolvidos na emissão de metano, a mesma forte sensibilidade à temperatura foi encontrada em toda a diversidade de águas doces aquecidas geotermicamente na região do Ártico.

A pesquisa de metano fez parte de um projeto mais amplo liderado pelo professor Guy Woodward, do Imperial College, e pelo professor Alex Dumbrell, da Universidade de Essex. Eles explicaram que os efeitos combinados do aquecimento têm impactos contrastantes sobre os micróbios que produzem metano e aqueles que o consomem, uma percepção que exigiu uma campanha ambiciosa de genes a ecossistemas em escala intercontinental.

O estudo demonstra que o filtro natural de metano proporcionado pelos micróbios consumidores está se tornando menos eficaz justamente quando mais precisamos dele. As implicações são globais e severas, pois o metano é um gás de efeito estufa muito mais potente que o dióxido de carbono em prazos curtos, tornando esse desequilíbrio um acelerador perigoso do aquecimento global.