Lula e Flávio Bolsonaro enfrentam dificuldades para formar palanques em Minas Gerais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ainda não conseguiram fechar alianças para o governo de Minas Gerais, um dos colégios eleitorais mais decisivos do país. As articulações se intensificaram nas últimas semanas, mas esbarram em um cenário de alta rejeição e na ausência de candidaturas fortes dentro dos próprios partidos no estado.
Conforme apurou o Metrópoles, o impasse reflete a complexidade da política mineira e o tempo cada vez mais curto para a montagem das chapas estaduais. O eleitor mineiro que pretende votar nos presidenciáveis favoritos ainda não sabe quem esses candidatos apoiarão para o Palácio da Liberdade.
O PT de Minas Gerais encontra-se dividido desde que o plano A do presidente Lula para a disputa estadual, o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), anunciou que não concorrerá ao governo. A recusa de Pacheco provocou um vácuo que a direção nacional e os dirigentes mineiros tentam preencher às pressas, mas sem consenso até o momento.
Nos últimos dias, ganhou força nos bastidores o nome do ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo (MDB), que já se reuniu com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e com o líder do MDB, Baleia Rossi. As conversas exploram uma possível aliança que uniria as duas siglas, mas o acerto é considerado difícil porque depende de negociações que envolvem tanto a disputa nacional quanto articulações em outros estados, travando uma definição rápida.
O PT gostaria de contar com o MDB formalmente na coligação em torno da candidatura de Lula, mas o partido de Baleia Rossi ainda avalia com cautela os prós e contras de se associar a um nome que carrega rejeição elevada em importantes segmentos do eleitorado mineiro. O impasse deixa o palanque petista em Minas temporariamente órfão de um candidato competitivo ao governo estadual.
Do lado do PL, a situação de Flávio Bolsonaro é igualmente travada e depende de decisões pessoais que ainda não foram tomadas. O senador dedicou três dias da última semana a agendas em Minas Gerais, mas não conseguiu seu principal objetivo: fechar apoio à pré-candidatura de Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) ao governo do estado.
O Republicanos sinaliza concordância com a aliança, exigindo em troca a cabeça de chapa e a vice, deixando ao PL as vagas para o Senado Federal. A resistência, contudo, parte do próprio Cleitinho, que em conversa com Flávio Bolsonaro na última quarta-feira, 3 de junho, pediu pelo menos dez a quinze dias adicionais para decidir seu futuro político.
A indefinição de Cleitinho é o principal gargalo para o campo bolsonarista em Minas, já que o PL não dispõe de um nome forte o suficiente dentro da própria sigla para liderar a disputa estadual. Como alternativas na reserva, o partido mantém o ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, e o ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli, ambos com menor densidade eleitoral.
A demora na definição do cenário mineiro expõe uma dificuldade comum aos dois polos da disputa nacional: o peso da rejeição dos presidenciáveis na montagem dos palanques regionais. Estar ao lado de Lula ou de Flávio Bolsonaro oferece vantagens de exposição e estrutura partidária, mas também impõe custos políticos que potenciais aliados avaliam com lupa antes de bater o martelo.
Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, com mais de 16 milhões de eleitores, é historicamente um estado-chave para qualquer projeto presidencial vitorioso. A ausência de palanques definidos a cinco meses das eleições acende um sinal de alerta em ambas as campanhas, que correm contra o relógio para organizar suas bases no estado.
Enquanto o PT segue buscando alternativas para o governo mineiro, o PL depende da decisão de Cleitinho Azevedo, que permanece indeciso sobre entrar ou não na disputa. A equação eleitoral de Minas, essencial para qualquer maioria no Colégio Eleitoral, segue sem solução nos dois lados da polarização.