Um estudo publicado na revista Nature Geoscience revelou que um limiar de precipitação média anual de 700 milímetros é crucial para a capacidade dos ecossistemas de reter nitrogênio. A descoberta altera a compreensão científica sobre como a água da chuva regula os ciclos biogeoquímicos em escala continental.
O professor Liu Lingli, do Instituto de Botânica da Academia Chinesa de Ciências, liderou a pesquisa. Foram analisados dados de 31 locais da Rede Nacional de Observatórios Ecológicos dos Estados Unidos.
Os resultados mostram que abaixo e acima desse limiar de 700 mm, os mecanismos de retenção de nitrogênio mudam radicalmente. Os pesquisadores usaram isótopos naturais de nitrogênio no solo como indicador do equilíbrio entre retenção e perda do elemento.
Em ecossistemas secos, com precipitação abaixo de 700 mm anuais, o aumento das chuvas eleva a diversidade vegetal. Isso intensifica a competição com micróbios do solo pelo nitrogênio disponível, reduzindo sua perda.
Em regiões úmidas, com precipitação superior a 700 mm, o excesso de água provoca maior vazamento de nitrogênio. A lixiviação hidrológica e a desnitrificação microbiana se tornam os processos dominantes.
O limiar identificado coincide com o meridiano 100, fronteira climática histórica da América do Norte. Sob os efeitos das mudanças climáticas, essa divisão já se desloca em direção ao meridiano 98.
Em ambientes com limitação de água, a estrutura da comunidade vegetal regula a retenção de nitrogênio. O aumento da diversidade de plantas cria competição por nutrientes, beneficiando a fixação do nitrogênio no ecossistema.
Nas regiões úmidas, o excesso de água rompe esse equilíbrio. O nitrogênio escapa mais facilmente do solo para corpos d’água e para a atmosfera.
As descobertas oferecem insights para melhorar modelos de previsão sobre a dinâmica do nitrogênio. Com as mudanças climáticas alterando padrões de chuva, o estudo serve como referência para antecipar impactos regionais.
O trabalho sugere que mudanças nos limites hidroclimáticos podem remodelar o ciclo continental de nitrogênio. A pesquisa representa um avanço na compreensão das interações entre clima, vegetação e microbiologia do solo.
Conforme reportou o portal Phys.org.
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