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Record socorre banco de Edir Macedo

Alvo da Operação Miragem, da Polícia Federal, o Banco Digi+ recebeu um aporte do Grupo Record e passou a ter cerca de R$ 2 bilhões em caixa. O reforço financeiro foi feito pela controladora Digimais Participações, ligada à B.A. Empreendimentos Participações, holding pertencente ao grupo de Edir Macedo. O movimento ocorre em meio às negociações […]

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Alvo da Operação Miragem, da Polícia Federal, o Banco Digi+ recebeu um aporte do Grupo Record e passou a ter cerca de R$ 2 bilhões em caixa. O reforço financeiro foi feito pela controladora Digimais Participações, ligada à B.A. Empreendimentos Participações, holding pertencente ao grupo de Edir Macedo.

O movimento ocorre em meio às negociações com o Fundo Garantidor de Créditos para a venda da instituição financeira. A operação ganhou peso político e econômico porque o Digi+ é investigado por suspeitas de gestão fraudulenta e manipulação de informações contábeis, em um modelo que, segundo a PF, teria semelhanças com práticas atribuídas ao Banco Master.

A Reuters informou que a PF mirou o Digi+ em investigação sobre suposta gestão fraudulenta pouco depois de o BTG Pactual anunciar acordo para comprar o banco, em abril. O Digi+ pertence ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal e controlador do Grupo Record.

O aporte de R$ 2 bilhões, portanto, não é apenas uma injeção de liquidez. É uma tentativa de estabilizar uma instituição sob pressão, preservar valor em uma eventual venda e reduzir riscos para credores, investidores e para o próprio sistema financeiro.

O caso também expõe uma engrenagem sensível do mercado bancário brasileiro. Bancos médios costumam crescer oferecendo CDBs com remuneração acima da média, estratégia que atrai investidores em busca de retorno maior, mas pode aumentar o risco quando a instituição depende de captação agressiva para sustentar sua expansão. Segundo a Folha, a PF vê no Digi+ um padrão semelhante ao observado no Banco Master, com captação acelerada e indícios de distorções financeiras.

A situação se torna ainda mais delicada porque envolve um grupo com forte poder religioso, midiático e político. Edir Macedo não é apenas empresário do setor financeiro; é uma das figuras mais influentes do campo evangélico e dono de uma estrutura de comunicação nacional. Por isso, a crise do Digi+ ultrapassa o noticiário econômico e entra no terreno da influência política.

Ainda não há condenação, e as investigações seguem em andamento. Mas o aporte da Record mostra que o grupo controlador decidiu agir para evitar que a crise financeira do banco se transforme em colapso reputacional mais amplo.

No fundo, o caso Digi+ revela um ponto central: quando bancos ligados a grupos poderosos entram na mira da PF, a pergunta deixa de ser apenas contábil. Passa a ser institucional: quem fiscalizou, quem se beneficiou e até onde vai a blindagem dos grandes conglomerados?

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Caio Vieira

28/06/2026 - 18h28

Caro blogueiro, o episódio em que a Record, conglomerado midiático umbilicalmente ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, socorre o Banco Digi+ com injecção bilionária de capital convoca-nos a uma reflexão sobre a arquitetura do poder no capitalismo periférico brasileiro. Trata-se de um movimento que transcende a mera operação financeira, configurando-se como expressão concreta do que Antonio Gramsci denominou de hegemonia: a capacidade de uma fração de classe dirigir não apenas pela coerção, mas pelo consenso, amalgamando aparelhos privados de hegemonia — no caso, a mídia televisiva, a liturgia religiosa e o sistema bancário — num único bloco histórico. O aporte de R$ 2 bilhões, efetuado pela Digimais Participações, holding controlada por Edir Macedo, demonstra como o capital eclesial se metamorfoseia em capital financeiro, em plena luz do dia.

A operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal, investiga suspeitas de irregularidades que envolvem a captação de recursos junto a pequenos investidores — o que torna ainda mais pungente o socorro intra-grupo. A B.A. Empreendimentos Participações, ao injetar liquidez no banco, não apenas evita um colapso reputacional e sistêmico, mas reafirma a lógica de que, no Brasil, a fé institucionalizada opera como verdadeira reserva de valor. Parafraseando Tácito, “onde fazem o deserto, chamam-lhe paz” — aqui, onde transferem o risco para o grande capital do grupo, chamam-lhe gestão. O discurso da prosperidade, tão caro à teologia da Universal, encontra sua materialidade na contabilidade: a salvação financeira do banco não vem do mercado, mas do templo.

Sob o prisma da cultura popular, interessa-me o modo como essa operação escancara a ideologia do empreendedorismo como fetiche. Enquanto o pequeno empresário, o feirante, o microinvestidor que aplicou suas economias no Digi+ sob a promessa de juros atrativos e bênçãos divinas, enfrenta a espada de Dâmocles da perda total, a estrutura de holding familiar do bispo Macedo mobiliza recursos midiáticos para escamotear a concentração. É o que Pierre Bourdieu, em seu conceito de capital simbólico, chamaria de “violência simbólica”: usar a aura do sagrado para legitimar a acumulação privada. A cultura popular, frequentemente cooptada por esse discurso de prosperidade, acaba por naturalizar aquilo que deveria ser objeto de crítica.

Finalmente, não posso deixar de expressar minha solidariedade às lutas empreendedoras do povo mineiro e brasileiro — aqueles que, sem holding nem concessão de TV, constroem o país no chão da fábrica, da roça e do comércio de bairro. Que este episódio sirva de alerta para a necessidade de regulamentação séria do sistema financeiro e de transparência nas relações entre igreja, mídia e mercado. Pois, como ensina a velha dialética, a crise revela a essência: quando o véu do milagre econômico se rasga, vê-se o rosto do poder real, sem mediações.

Luizinho 16

28/06/2026 - 18h16

dízimo do povo virando dinheiro de banco de pastor, Brasil é um país de piada

    Pedro Almeida

    28/06/2026 - 18h18

    Luizinho, a ironia é que estamos diante de um velho problema weberiano: a ética protestante se convertendo em espírito do capitalismo, só que agora sem mediação, com o dízimo virando reserva bancária. A piada não é o Brasil, é a naturalização disso como algo religioso.

    Luiz Augusto

    28/06/2026 - 18h20

    Concordo que há uma farra com o dinheiro alheio, mas o erro não é do mercado — é da falta de escrutínio e da cultura de dependência estatal e religiosa que blindam esses negócios. O que o Brasil precisa é de menos protecionismo para grupos privilegiados e mais liberdade para o cidadão escolher onde colocar seu dinheiro.

    Márcio Torres

    28/06/2026 - 18h23

    Luizinho, sua indignação é legítima e compartilhável no nível do espanto imediato, mas ela ainda opera na superfície do fenômeno. Você vê o dízimo virando capital de banco e conclui “piada”, como se fosse uma disfunção localizada, uma anomalia a ser corrigida com mais fiscalização ou vergonha na cara. O problema é mais profundo: não há anomalia alguma aqui. A igreja universal opera como uma holding perfeitamente racional dentro do capitalismo tardio brasileiro. O dízimo, isento de tributação por benesse do Estado, é reinvestido num circuito financeiro que multiplica o poder do pastor-banqueiro. A piada não é o Brasil permitir isso; a piada é acharmos que um dia seria diferente, dada a arquitetura legal e social que sempre favoreceu a acumulação religiosa sem contrapartida.

    A transformação de contribuição voluntária em ativo bancário não é um desvio. É a materialização lógica da doutrina da prosperidade: se Deus quer que seus escolhidos prosperem, por que o banco do bispo não seria um instrumento divino? O crente que dá o dízimo acredita estar financiando a obra de Deus; o banco gerido pelo pastor usa esse mesmo dinheiro para especular, emprestar a juros e lucrar. A ironia é que o fiel aceita a promessa de retorno espiritual, enquanto o banco garante retorno financeiro real para a cúpula. Ceticamente, não há contradição: ambas as pontas funcionam perfeitamente dentro do contrato social implícito entre líder religioso e seguidor. O Brasil não é uma piada porque isso acontece; é uma piada porque a maioria acha isso natural ou, quando reclama, reclama do efeito sem jamais questionar a causa.

    E que causa é essa? A isenção fiscal sobre o dízimo é a mãe de todas as distorções. Enquanto você e eu pagamos impostos sobre cada centavo ganho, a Igreja Universal capta bilhões sem contribuir um real para a seguridade social que sustenta hospitais e escolas públicos. Esse dinheiro, limpo de tributos, vai parar num banco que empresta a juros para os mesmos fiéis que o doaram. É um ciclo fechado de extração de valor, disfarçado de fé. O pastor Edir Macedo entendeu algo que muitos ateus e céticos repetem há décadas: religião organizada é, antes de tudo, um negócio. A diferença é que ele executa o negócio com maestria impune. Portanto, Luizinho, sua piada é certeira, mas incompleta. Rir do Brasil por isso é rir do espelho: o problema não é o palhaço no altar, é a plateia que paga o ingresso e ainda acha que está comprando salvação.

    Ana Karine Xavante

    28/06/2026 - 18h26

    Luizinho, você tocou num ponto que é a ferida exposta do nosso país: o dízimo, que deveria ser um ato de fé e solidariedade comunitária, se transforma em capital de especulação financeira nas mãos de uma elite eclesiástica que opera como qualquer banqueiro. Não é piada, é a face mais cruel do colonialismo interno que a gente vive. Enquanto os povos indígenas têm seus territórios invadidos por garimpeiros e madeireiros, as igrejas neopentecostais constroem impérios imobiliários e bancários com o suor de quem já é explorado. A teologia da prosperidade não é só uma distorção do evangelho; é um mecanismo de transferência de renda dos pobres para os ricos, exatamente igual ao sistema financeiro tradicional, só que com verniz de bênção divina.

    E o pior é que essa estrutura se retroalimenta do apagamento de outras formas de espiritualidade e de relação com a terra. Enquanto pastores negociam socorro a bancos bilionários, os rios que eu e meu povo protegemos são envenenados por agrotóxicos e mercúrio. O dízimo poderia financiar agroecologia, escolas livres, saúde comunitária, mas é desviado para alimentar o mesmo capital que queima a Amazônia e assassina lideranças. Não tem nada de “país de piada” — tem tragédia programada, tem projeto de poder. Cada centavo do dízimo que vira ação de banco é um centavo roubado da possibilidade de reparação histórica com os povos originários e quilombolas.

    Mas aí eu te pergunto: você ri da piada ou sente o gosto amargo de fazer parte dessa engrenagem? Porque o Brasil não é uma piada, é um campo de batalha onde o sagrado é sequestrado pelo capital. Enquanto a gente acha graça, as escavadeiras avançam sobre nossos territórios e o dinheiro dos fiéis vira lastro de CDBs. A indignação é o primeiro passo, mas precisa virar ação política — boicote, pressão, reconstrução de uma espiritualidade que não seja mercadoria. O riso pode ser uma defesa, mas a luta é o que transforma.

Cecília Torres

28/06/2026 - 18h08

Mais um capítulo da promiscuidade entre mídia e negócios do grupo Edir Macedo. Enquanto a Record noticia milagres financeiros, socorre o próprio banco com dinheiro de dízimo e receitas de publicidade. Cadê o Banco Central e o Cade para investigar esse conflito de interesses?

    Dr. Thiago Menezes

    28/06/2026 - 18h10

    Cecília, você tocou no ponto exato. Cadê o Cade e o BC? Enquanto não houver auditoria independente sobre a destinação do dízimo e das receitas publicitárias, isso continua sendo um caso clássico de conflito de interesses sem transparência — e a falta de evidências públicas só reforça a suspeita.

      Cristina Rocha

      28/06/2026 - 18h12

      Dr. Thiago Menezes, sua análise é precisa e necessária. O que estamos testemunhando não é apenas um caso de conflito de interesses — é a materialização mais evidente do que o velho Adorno já denunciava como a promiscuidade entre fé e mercado na indústria cultural. A ausência do Cade e do BC não é um acaso, é a expressão concreta de um Estado que, sob a hegemonia neoliberal, escolhe a quem regular e a quem blindar. Enquanto o pequeno empreendedor é sufocado por burocracia e juros, um conglomerado midiático-financeiro-eclesiástico opera com a proteção do silêncio regulatório. Isso não é ineficiência, é projeto: a teologia da prosperidade encontrou no capitalismo tardio sua forma mais acabada, transformando o dízimo em capital fictício e a fé em ativo financeiro.

      A falta de evidências públicas que você aponta é, ela mesma, a evidência mais forte. Ocultar a destinação do dízimo e das receitas publicitárias não é um detalhe técnico — é a essência do funcionamento de um sistema que precisa da opacidade para reproduzir sua acumulação. Como nos ensina a teoria pós-colonial, o poder se exerce também pela capacidade de definir o que é visível e o que permanece na sombra. No Brasil, a fusão entre o sagrado e o negócio sempre foi tratada com luvas de pelica, como se questionar a contabilidade de uma igreja fosse um atentado à liberdade religiosa. Mas liberdade religiosa não inclui isenção fiscal para negócios bilionários, nem privilégio regulatório para um banco que se abriga sob o manto da fé.

      E aqui entramos no patriarcado, porque essa estrutura de poder é profundamente masculina e hierárquica. O bispo Edir Macedo não é um líder espiritual, é o CEO de uma corporação que usa a culpa e a esperança de fiéis, majoritariamente mulheres e pessoas pobres, como matéria-prima. O dízimo arrancado de quem mal tem o que comer vira lastro para operações financeiras que beneficiam uma elite eclesiástica. A transparência que você exige, Dr. Thiago, não é apenas um mecanismo de controle — é um ato de justiça epistemológica, uma recusa em aceitar que a fé seja convertida em moeda corrente sem prestação de contas. Esse é o ponto cego do debate: enquanto aceitarmos que a igreja é uma “instituição privada” que não precisa de auditoria, estamos chancelando uma forma de extração de valor que o Estado deveria coibir, não proteger. Sua suspeita é mais que bem fundamentada — é o começo de uma investigação que não pode parar nos comentários de um blog.

Helton Barros

28/06/2026 - 18h01

Mais uma vergonha nacional. Enquanto o povo passa necessidade, esse pessoal fica brincando de banco com dinheiro de dízimo. Deus não se agrada de trambique, e a Polícia Federal tem mais é que apertar esses canalhas.

    Ana Paula Conserva

    28/06/2026 - 18h03

    Helton, não julgo o que não conheço a fundo. O dízimo é bíblico e sustenta a obra de Deus. Se a Record socorre o banco, é porque ele gera empregos e ajuda famílias – coisa que muitos críticos não fazem. Antes de chamar alguém de canalha, mostre provas.

    Carlos Mendes

    28/06/2026 - 18h05

    Concordo, Helton. O problema não é banco privado, é usar dinheiro de dízimo, que deveria ser isento de IR, para operar um banco com risco de mercado. Se fosse livre mercado de verdade, sem privilégio tributário pra igreja, esse esquema nem existiria.


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