Menu

Congresso dos EUA avança plano para fusão das indústrias militares com Israel

O ex-primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu em discurso na conferência AIPAC, com gestos de aprovação. (Foto: aljazeera.com) O Congresso dos Estados Unidos deu passo concreto para entrelaçar permanentemente as indústrias de defesa americana e israelense. A cláusula inserida no projeto de lei orçamentária do Pentágono para 2027 cria mecanismo inédito de cooperação militar bilateral. A proposta, […]

sem comentários
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News
O ex-primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu em discurso na conferência AIPAC, com gestos de aprovação. (Foto: aljazeera.com)

O Congresso dos Estados Unidos deu passo concreto para entrelaçar permanentemente as indústrias de defesa americana e israelense. A cláusula inserida no projeto de lei orçamentária do Pentágono para 2027 cria mecanismo inédito de cooperação militar bilateral.

A proposta, intitulada Iniciativa de Cooperação em Tecnologia de Defesa Estados Unidos-Israel, aparece como Seção 224 da versão do Comitê de Serviços Armados da Câmara para a Lei de Autorização de Defesa Nacional. O dispositivo legal obrigaria o secretário de Defesa dos EUA a nomear agente executivo único para coordenar toda a colaboração militar com Israel.

A medida abrange pesquisa conjunta, produção compartilhada de armamentos e integração de sistemas e dados. Representa mutação profunda na relação entre os dois países, que historicamente se baseou em ajuda militar unilateral americana, hoje estimada em 3,8 bilhões de dólares anuais.

Josh Paul, ex-funcionário do Departamento de Estado americano, classificou a iniciativa como tentativa de enraizar a relação tão profundamente na base industrial de defesa americana que se torne impossível extirpá-la. Paul alertou que a cláusula daria a Israel acesso sem precedentes à tecnologia americana e forçaria os militares dos EUA a integrar tecnologias de defesa israelenses em sua cadeia crítica de suprimentos.

A proposta foi apresentada conjuntamente pelo presidente republicano do Comitê de Serviços Armados, Mike Rogers, e pelo democrata mais graduado do colegiado, Adam Smith. O projeto ainda precisa ser aprovado pelo comitê no início de junho e depois enfrentar votações no plenário da Câmara e no Senado, mas a coautoria entre partidos rivais sinaliza consenso difícil de reverter.

O movimento ocorre em momento de turbulência no Oriente Médio, após ataque conjunto americano-israelense contra o Irã. A retaliação iraniana atingiu Israel e bases dos EUA no Golfo, até a entrada em vigor de cessar-fogo. Israel enfrenta acusações de genocídio na Corte Internacional de Justiça, em caso movido pela África do Sul relacionado à devastação militar sobre Gaza.

A integração proposta vai além dos atuais programas conjuntos, como o sistema antimísseis Iron Dome. Estende a cooperação para áreas como inteligência artificial, drones e operações cibernéticas. A iniciativa ecoa declarações do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que manifestou desejo de encerrar a dependência israelense da ajuda militar americana dentro de dez anos.

Desde 2008, a legislação americana obriga Washington a preservar a vantagem militar qualitativa de Israel na região. Israel é o maior receptor de ajuda externa americana desde 1948, acumulando mais de 300 bilhões de dólares em valores corrigidos pela inflação, quase integralmente na forma de assistência militar.

A proposta de fusão industrial ocorre em meio a pesquisas que mostram crescente oposição entre democratas e parte dos republicanos ao apoio militar irrestrito a Israel. O establishment bipartidário em Washington parece determinado a aprofundar vínculo que subordina a cadeia de suprimentos de defesa americana aos interesses de Estado estrangeiro acusado de crimes de guerra por tribunais internacionais.

A inserção da cláusula na NDAA, principal lei de política de defesa dos EUA, revela a prioridade máxima do complexo militar-industrial americano-israelense no planejamento estratégico de Washington. Para observadores, a medida consolida eixo bélico que opera à margem do direito internacional, blindando Israel de consequências por suas ações militares.

Leia mais sobre o assunto na aljazeera.com.


? Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho

Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.

, ,
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

Comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário

Escreva seu comentário

Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!


Leia mais

Recentes

Recentes