A eleição presidencial da Colômbia terá segundo turno entre Abelardo de la Espriella, candidato da direita dura, e Iván Cepeda, senador de esquerda aliado de Gustavo Petro.
Com mais de 97% dos votos apurados, De la Espriella liderava com 43,7%, enquanto Cepeda aparecia com pouco menos de 41%. Como nenhum candidato alcançou 50%, a decisão ficou marcada para 21 de junho.
O resultado coloca a Colômbia diante de uma escolha entre dois projetos opostos. De um lado, De la Espriella, advogado criminalista, admirador de Donald Trump e defensor de uma política de segurança de linha dura, com proposta de construir megaprisões. De outro, Cepeda, figura histórica da esquerda colombiana, defensor das negociações de paz e de reformas sociais para reduzir desigualdade.
A disputa ocorre em um momento sensível. A Colômbia vive aumento da violência em algumas regiões, desgaste do projeto de “paz total” de Petro e pressão de setores conservadores por respostas mais duras contra grupos armados. Esse ambiente favoreceu o crescimento de De la Espriella, que se apresenta como outsider e promete restaurar a ordem pela força.
Cepeda chega ao segundo turno como herdeiro político do campo progressista. Filho do senador comunista Manuel Cepeda Vargas, assassinado em 1994, ele construiu carreira ligada à defesa dos direitos humanos, à memória das vítimas do conflito colombiano e às negociações de paz. Sua candidatura representa a tentativa de manter vivo o ciclo aberto por Petro em 2022.
O primeiro turno também mostrou o esvaziamento de Paloma Valencia, que já foi tratada como nome forte da direita tradicional, mas terminou com cerca de 6,9% dos votos. A queda abriu espaço para De la Espriella consolidar o voto conservador e chegar ao segundo turno em posição de vantagem numérica.
A eleição terá impacto regional. Uma vitória de De la Espriella pode alinhar a Colômbia a uma nova onda de direita radical na América Latina, com discurso próximo a Trump, Javier Milei, Nayib Bukele e Daniel Noboa. Já uma vitória de Cepeda manteria Bogotá no eixo progressista, ao lado de governos que defendem integração regional, políticas sociais e maior autonomia frente a Washington.
Para o Brasil, o resultado importa. A Colômbia é peça-chave na Amazônia, na segurança regional, no combate ao narcotráfico, na relação com a Venezuela e no equilíbrio político sul-americano.
O segundo turno colombiano será mais do que uma disputa nacional. Será um teste sobre o rumo da América Latina: aprofundar o caminho da paz e das reformas sociais ou entregar o país a uma agenda de choque, prisões em massa e alinhamento duro com a direita continental.


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