O jornalista e colunista da Folha de S.Paulo, Celso Rocha de Barros, levantou um questionamento explosivo sobre a conduta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em artigo publicado neste sábado. A pergunta central do texto é direta e incômoda: ‘Flávio Bolsonaro é terrorista?’.
O artigo sustenta que as relações políticas e financeiras do parlamentar com personagens investigados por conexões com facções criminosas exigem apuração rigorosa das autoridades. A peça jornalística incomoda justamente por reunir, em sequência, fatos documentados que aproximam o clã Bolsonaro do crime organizado.
Celso Rocha de Barros cita a proximidade política entre Flávio Bolsovano e Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Segundo o colunista, a Polícia Federal (PF) considera Bacellar ‘o chefe do núcleo político do Comando Vermelho’, uma das maiores facções criminosas do país.
A relação entre os dois não é episódica ou superficial, mas envolve articulação política contínua no estado do Rio de Janeiro. Bacellar foi um dos principais aliados do bolsonarismo na Alerj e figura central na construção de maiorias parlamentares que beneficiaram diretamente os interesses da família Bolsonaro.
O artigo também recupera o vínculo de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, instituição financeira que se tornou central nas investigações sobre lavagem de dinheiro. O senador já se referiu publicamente a Vorcaro como ‘irmão’, tratamento que revela intimidade muito além da relação protocolar entre político e banqueiro.
Reportagem da própria Folha de S.Paulo, publicada em agosto de 2025, revelou que o Banco Master mantinha relações próximas com a Reag Investimentos, empresa acusada de operar esquema de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). A triangulação financeira entre o banco, a Reag e o PCC coloca o entorno de Flávio Bolsonaro sob suspeita de conexão com duas das maiores organizações criminosas do Brasil.
Celso Rocha de Barros, contudo, discorda da interpretação do Departamento de Estado dos Estados Unidos que enquadraria o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas. Para o colunista, apesar da violência extrema, essas facções não possuem objetivos políticos ou ideológicos comparáveis aos de grupos classicamente definidos como terroristas.
O jornalista argumenta que o exemplo mais próximo da definição clássica de terrorismo no Brasil recente foi a tentativa de explosão de um caminhão-tanque nas proximidades do aeroporto de Brasília, na véspera de Natal de 2022. A ação visava provocar instabilidade social e favorecer ruptura institucional após a vitória eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
De acordo com o artigo, os responsáveis pelo atentado buscavam criar ambiente de caos capaz de estimular a adesão de setores militares a uma tentativa de golpe de Estado. Um dos envolvidos na ação criminosa esteve presente no Congresso Nacional em reunião de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro poucos dias antes da explosão planejada.
Ao analisar o papel de Flávio Bolsonaro dentro do campo político bolsonarista, Celso afirma que o senador se tornou o principal herdeiro do movimento liderado por seu pai. Apesar disso, o colunista hesita em classificar o parlamentar como terrorista, escrevendo: ‘Mesmo assim, sou generoso o suficiente para hesitar antes de chamar Flávio Bolsonaro de terrorista.’
A questão central, segundo o articulista, é determinar se líderes bolsonaristas podem ser responsabilizados por criar as condições políticas que permitiram a infiltração de organizações criminosas no Estado brasileiro. A blindagem política oferecida pelo clã a aliados investigados sugere padrão sistemático de conivência com o crime organizado.
O debate sobre os vínculos de Flávio Bolsonaro com o crime organizado incide diretamente sobre o tabuleiro eleitoral de 2026, quando o senador desponta como candidato natural do bolsonarismo à Presidência da República. A inelegibilidade de Jair Bolsonaro, confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), transformou o filho 01 no principal nome para herdar o espólio político do pai.
A sucessão de revelações sobre as conexões criminosas que orbitam o senador fragiliza qualquer tentativa de projetá-lo como alternativa viável de poder. Cada novo detalhe sobre o triângulo formado por Flávio Bolsonaro, o Banco Master e facções como Comando Vermelho e PCC corrói a já desgastada imagem de renovação que o clã tenta vender ao eleitorado.
O controle do Partido Liberal (PL), legenda que abriga a extrema-direita brasileira, também está em jogo diante das suspeitas que se acumulam contra o principal herdeiro político do bolsonarismo. A pergunta de Celso Rocha de Barros ecoa para além do debate acadêmico porque atinge o cálculo de viabilidade de qualquer candidatura que tenha Flávio Bolsonaro como protagonista em 2026.
O artigo de Celso Rocha de Barros funciona como catálogo de fatos que, isolados ou em conjunto, deveriam motivar investigação parlamentar e policial sobre a conduta do senador. A hesitação do colunista em cravar o rótulo de terrorista contrasta com a gravidade dos indícios que ele mesmo organiza no texto.
A blindagem midiática que tradicionalmente protegeu a família Bolsonaro parece dar sinais de esgotamento diante da contundência de questionamentos como os levantados pela Folha de S.Paulo. O espaço concedido a Celso Rocha de Barros para publicar artigo com esse teor sinaliza que até veículos historicamente lenientes com o bolsonarismo já não conseguem ignorar a montanha de evidências que se avolumam contra Flávio Bolsonaro.
Leia também: Toda a cobertura dos escândalos da família Bolsonaro.
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