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Frasco egípcio de kohl encontrado em York revela presença de soldado egípcio na Bretanha romana

Fragmentos de um frasco antigo, possivelmente usado para kohl, encontrados em York. Um pequeno frasco de vidro desenterrado há mais de quatro décadas em York foi identificado como o primeiro recipiente de kohl egípcio encontrado na Bretanha romana. A descoberta, liderada pela arqueóloga Hillary Cool, do Barbican Research Associates, evidencia a presença de soldados com […]

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Fragmentos de um frasco antigo, possivelmente usado para kohl, encontrados em York. (Foto: phys.org)

Um pequeno frasco de vidro desenterrado há mais de quatro décadas em York foi identificado como o primeiro recipiente de kohl egípcio encontrado na Bretanha romana. A descoberta, liderada pela arqueóloga Hillary Cool, do Barbican Research Associates, evidencia a presença de soldados com costumes egípcios nas fileiras do exército imperial romano na ilha.

O frasco foi escavado entre 1983 e 1984 pelo York Archaeological Trust no sítio de 24–30 Tanner Row, área que funcionava como depósito de lixo da legião romana no final do século II d.C. O objeto permaneceu nos arquivos até Cool notar sua semelhança com recipientes típicos de kohl egípcios.

O vidro apresenta coloração azul-esverdeada com iridescência prateada e manchas de desgaste, características atípicas na vidraria romano-britânica. Cool descartou a hipótese de defeito de fabricação, destacando a precisão técnica do objeto.

O recipiente possui paredes espessas e cavidade interna cilíndrica, formato incomum na produção romana local. Esse design era utilizado por fabricantes egípcios dos séculos I e II d.C. para armazenar kohl e permitir sua aplicação com bastão.

Segundo estudo publicado na revista Britannia e destacado pelo portal Phys.org, o frasco de York tem paralelos em sítios militares egípcios como Umm Balad e Didymoi. O kohl era um hábito restrito ao Egito e Sudão, sem demanda significativa em outras regiões do império.

A pesquisadora explica que, se o kohl fosse comercializado amplamente, seus recipientes apareceriam com mais frequência em outras províncias. Também não se trata de souvenir, pois turistas teriam gerado maior circulação desses frascos.

O contexto arqueológico de York reforça a conexão egípcia. O comandante romano Claudius Hieronymianus construiu um templo dedicado a Serápis, divindade greco-egípcia. Em Leicester, foram encontrados uma caixa de marfim com a imagem de Anúbis e selos militares de unidades que serviram no norte da África.

Cool sugere que o frasco pode ter sido trazido por um soldado egípcio ou alguém que adotou costumes locais após servir no Egito. A descoberta desafia a visão tradicional do soldado romano e mostra legiões mais cosmopolitas do que o estereótipo.

A pesquisa com outros recipientes de vidro da era romana pode revelar mais sobre hábitos e identidades culturais nas fronteiras do império. O uso de kohl, comum no Oriente, surpreende na gélida província da Britânia.


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