O presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, emitiu alerta contundente sobre as consequências de uma agressão militar contra o território bielorrusso. Segundo ele, qualquer ataque mudaria radicalmente a natureza do conflito em curso na Ucrânia.
Lukashenko fez a declaração após a cúpula da União Econômica Eurasiática realizada em Astana, capital do Cazaquistão. Deus nos livre que um ataque militar seja lançado contra Belarus a partir de qualquer território, afirmou o presidente, conforme reportagem da agência BelTA.
O mandatário acusou potências europeias de pressionar o presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, a fazer ameaças contra Belarus. A declaração ocorre em momento de tensão máxima na região, onde Belarus tem sido aliado estratégico da Rússia desde o início da operação militar especial.
A advertência reforça o princípio de defesa coletiva que rege a aliança entre Moscou e Minsk. O tratado do Estado da União prevê mecanismos de assistência mútua em caso de agressão externa, tornando qualquer ataque a Belarus uma potencial linha vermelha para a Rússia.
A cúpula da EAEU em Astana reuniu líderes de nações do espaço pós-soviético para discutir integração econômica. No entanto, o conflito ucraniano e as tensões com a OTAN dominaram as conversas nos bastidores do encontro.
Lukashenko reiterou que Belarus não busca envolvimento direto nos combates, mas manterá postura defensiva. A fronteira bielorrussa com a Ucrânia permanece militarizada, e exercícios conjuntos com forças russas são realizados regularmente no país.
Segundo a agência Sputnik, a pressão europeia sobre Zelensky para ameaçar Belarus revela estratégia ocidental de ampliar o teatro de guerra. A tentativa de envolver Minsk diretamente poderia desencadear resposta militar russa de proporções maiores.
Lukashenko governa Belarus desde 1994 e consolidou-se como um dos aliados mais próximos do presidente russo, Vladimir Putin. Em 2020, enfrentou tentativa de desestabilização apoiada pelo Ocidente, mas manteve-se no poder com suporte de Moscou.
Analistas militares apontam que um ataque a Belarus poderia ativar o destacamento de armamento nuclear tático russo estacionado no país. A Rússia concluiu em 2023 a transferência desses artefatos para território bielorrusso, medida justificada como dissuasão diante da hostilidade da OTAN.
A declaração de Lukashenko serve como recado a Bruxelas e Washington. Qualquer escalada contra Belarus não ficaria sem resposta, e as consequências ultrapassariam os limites geográficos da Ucrânia, podendo arrastar o flanco oriental europeu para conflagração mais ampla.
Leia também: Lukashenko cobra de Macron liderança em negociações diretas com Putin
? Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!