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Morre Angelita Habr-Gama, médica brasileira que revolucionou tratamento do câncer de reto

Médica Angelita Gama, referência no tratamento de câncer de reto, em retrato oficial. (Foto: metropoles.com) Morreu no último sábado, aos 93 anos, a médica cirurgiã Angelita Habr-Gama, professora titular emérita da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e uma das maiores referências mundiais em coloproctologia. A causa da morte não foi divulgada pelo […]

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Médica Angelita Gama, referência no tratamento de câncer de reto, em retrato oficial. (Foto: metropoles.com)

Morreu no último sábado, aos 93 anos, a médica cirurgiã Angelita Habr-Gama, professora titular emérita da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e uma das maiores referências mundiais em coloproctologia. A causa da morte não foi divulgada pelo Hospital Alemão Oswaldo Cruz, onde estava internada desde o dia 6 de maio.

Angelita foi a primeira mulher a se tornar professora titular de uma especialidade cirúrgica na história da Faculdade de Medicina da USP. Criou a disciplina de coloproctologia na instituição e ingressou como membro honorário da American Surgical Association, sendo a primeira mulher a alcançar esse feito na entidade.

Fundou e presidiu a Associação de Prevenção do Câncer de Intestino e atuou como pesquisadora e cirurgiã no Centro Especializado em Aparelho Digestivo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Sua contribuição mais transformadora foi o desenvolvimento do protocolo ‘Watch and Wait’, que permite preservar o reto em pacientes selecionados com câncer colorretal.

Segundo o portal Metrópoles, o Hospital Oswaldo Cruz destacou que Angelita revolucionou o tratamento da doença ao demonstrar que, em casos específicos, é possível evitar cirurgia radical sem comprometer a sobrevida do paciente. O protocolo tornou-se referência internacional e alterou a prática clínica em centros oncológicos em todo o mundo.

Em 2023, recebeu a Medalha Bigelow, uma das honrarias mais prestigiadas da cirurgia mundial, concedida pela Boston Surgical Society. Anteriormente, já havia recebido o Mérito Santos-Dumont e a Medalha do Pacificador, entregue em 1998 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Seu nome foi incluído no ranking da Universidade de Stanford que lista os 2% de cientistas mais influentes do mundo. A Revista Forbes também a elegeu como uma das mulheres mais influentes do Brasil, consolidando seu destaque além dos círculos acadêmicos.

O legado de Angelita transcende suas descobertas científicas e se multiplica nos profissionais que ajudou a formar no Brasil e na América Latina. Seu trabalho estabeleceu um novo padrão de excelência para a coloproctologia brasileira no cenário internacional.

O Hospital Alemão Oswaldo Cruz ressaltou que sua trajetória a tornou um ícone da especialidade e exemplo de dedicação à ciência e à vida humana. A instituição enfatizou que o reconhecimento internacional comprova o alto nível da pesquisa científica produzida no Brasil.

O protocolo ‘Watch and Wait’ representou uma mudança de paradigma no tratamento do câncer de reto. Ofereceu a milhares de pacientes a possibilidade de evitar cirurgias mutiladoras sem comprometer as chances de cura, sendo adotado em dezenas de países.

Angelita também pavimentou o caminho para que outras mulheres alcançassem posições de destaque na cirurgia, área historicamente dominada por homens. Sua eleição como membro honorário da American Surgical Association abriu portas antes consideradas intransponíveis.

A Associação de Prevenção do Câncer de Intestino, fundada por Angelita, fortaleceu políticas de rastreamento e diagnóstico precoce da doença em todo o território nacional. A entidade tornou-se referência na promoção da saúde digestiva e na conscientização sobre prevenção.

A médica estava internada desde o início de maio no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, instituição à qual dedicou grande parte de sua vida profissional. A notícia de seu falecimento mobilizou a comunidade médica brasileira e internacional, que reconhece a magnitude de sua contribuição científica.

O Hospital Oswaldo Cruz reiterou que Angelita não apenas revolucionou a coloproctologia com suas pesquisas, como também formou gerações de cirurgiões. Seu legado científico e humano permanecerá vivo em cada paciente beneficiado por seu protocolo e em cada profissional que aprendeu com seus ensinamentos.

A morte de Angelita Habr-Gama representa uma perda inestimável para a medicina brasileira e para a ciência mundial. Seu protagonismo deixa uma marca permanente na história da saúde pública, salvando milhares de vidas em todo o mundo.

Leia mais sobre o assunto na metropoles.com.


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