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Pressão sobre Lula cresce com rótulo de terroristas, mas impacto na eleição é limitado, diz analista

A decisão do governo Trump de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas foi um revés diplomático para o Planalto, que tentou evitá-la. O presidente Lula (PT) agora é obrigado a criticar uma medida dura contra o crime, exatamente a área onde seu governo tem maior vulnerabilidade eleitoral. A análise é de […]

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A decisão do governo Trump de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas foi um revés diplomático para o Planalto, que tentou evitá-la. O presidente Lula (PT) agora é obrigado a criticar uma medida dura contra o crime, exatamente a área onde seu governo tem maior vulnerabilidade eleitoral.

A análise é de Christopher Garman, diretor para as Américas da consultoria Eurasia Group, em entrevista à BBC News Brasil. Segundo ele, o impacto na reeleição de Lula tende a ser limitado.

‘É um complicador a mais, mas não é o tipo de coisa que realmente impacta a probabilidade de ele ganhar a eleição’, afirmou Garman. O especialista disse que, embora o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenha ido a Washington pedir a medida, ela já estava ‘na boca do gol’.

A Casa Branca vinha discutindo a designação há meses como parte do endurecimento contra o crime organizado latino-americano. Ou seja, não foi uma medida exclusivamente motivada pela oposição bolsonarista.

Garman ponderou que o Brasil não é prioridade máxima dos EUA nessa agenda. ‘O fato de essa designação ter demorado mais para sair mostra que o Brasil não ocupa o centro dessa estratégia’, afirmou.

No curto prazo, o efeito prático será uma ‘nuvem de incerteza de compliance’ para o setor privado brasileiro. Empresas terão de adotar controles rigorosos para não serem acusadas de transacionar com organizações terroristas.

Para Flávio Bolsonaro, o episódio proporcionou um alívio momentâneo no noticiário dominado pelo escândalo do Banco Master. Garman, porém, avalia que o efeito dessa exposição positiva tende a se dissipar nos próximos cinco meses.

Já para Lula, o desconforto é mais duradouro. ‘Ele vai ter que criticar uma postura que a população apoia’, explicou Garman, referindo-se à ampla aprovação popular à designação das facções.

O Itamaraty trabalhou intensamente para evitar o rótulo de terroristas, justamente para poupar o presidente desse embate. Contudo, a diplomacia brasileira não conseguiu reverter a decisão.

O troco político contra Flávio pode surgir de outro front: a investigação da Seção 301, que pode gerar novas tarifas. Caso os EUA imponham sobretaxas de 20% ou 25%, Lula poderá responsabilizar a família Bolsonaro diretamente.

‘Se vier uma tarifa desse patamar, Lula vai dizer: foi por causa da família Bolsonaro que vieram tarifas proibitivas contra o Brasil’, projetou Garman. O encontro entre Trump e Lula no G7, nas próximas semanas, deve ser apenas cordial e sem avanços concretos.

Por fim, Garman reiterou que o segundo turno pode não ser um duelo entre Lula e Flávio. Nomes como o governador Ronaldo Caiado (PSD), com histórico de segurança, seguem como alternativas viáveis à direita desgastada.


Leia também: Gangorra eleitoral: Lula conquista Congresso e Flávio Bolsonaro pede intervenção externa


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