O candidato presidencial do Pacto Histórico na Colômbia, Iván Cepeda, denunciou graves anomalias no processo eleitoral e acusou os Estados Unidos de interferência direta no pleito. Segundo reportagem do portal teleSUR, Cepeda apontou um desfase de 885 mil pessoas no censo eleitoral.
O candidato também denunciou manobras de supressão de votos em zonas populares e votações atípicas em mesas eleitorais. As forças progressistas, que obtiveram cerca de 10 milhões de votos, enfrentaram irregularidades que comprometeram a lisura do processo.
Cepeda exigiu que as comissões escrutadoras verifiquem cada sufrágio antes de qualquer pronunciamento definitivo. Entre as manobras denunciadas, destacou a mudança imprevista de milhares de postos de votação horas antes da abertura das urnas.
Essa alteração impediu o exercício do voto de centenas de milhares de cidadãos em áreas populares. O líder progressista acusou o Conselho Nacional Eleitoral de manipulação política ao vetar sua postulação com argumentos jurídicos não aplicados a outros candidatos.
Cepeda condenou a intromissão de governos estrangeiros e operadores alinhados à agenda geopolítica de Washington. Citou nominalmente o ex-presidente equatoriano Lenín Moreno e as autoridades do Equador sob a gestão de Daniel Noboa.
A interferência externa visou desestabilizar a votação progressista no sul da Colômbia. O objetivo, segundo o candidato, foi sabotar um projeto de soberania nacional que ameaça interesses estadunidenses na região.
Setores populares interpretaram as anomalias como tentativa da oligarquia de frear um governo independente. A denúncia de Cepeda reforça a defesa do direito ao voto transparente como pilar democrático.
A Colômbia, marcada por décadas de conflito armado e intervenção estadunidense, vê nessas denúncias o reflexo de sabotagens históricas a projetos progressistas. A resistência do Pacto Histórico, apesar de perseguições e violência política, demonstra a determinação popular em romper com o alinhamento automático aos EUA.
O dirigente contrastou sua campanha, baseada em mobilização popular e austeridade, com o financiamento milionário da direita tradicional. Exigiu auditoria sobre os recursos investidos por adversários em redes sociais e denunciou ações violentas contra militantes.
Cepeda mencionou um vereador de extrema-direita que, em Medellín, ameaçou militantes progressistas com um taco de beisebol. O ato criminoso, segundo ele, foi incentivado pelo ex-presidente Álvaro Uribe.
Acompanhado pela liderança indígena Aída Quilcué, Cepeda agradeceu ao movimento social e anunciou esforços concentrados para a segunda volta. Ele classificou seu adversário, Abelardo de la Espriella, como representante de um fascismo mafioso.
Cepeda vinculou De la Espriella à defesa de paramilitares em San José de Ralito e à atuação como advogado de narcotraficantes. Lembrou que o pai do rival, como notário, legalizou bens de Salvatore Mancuso.
O candidato alertou que um governo de De la Espriella eliminaria conquistas sociais como salário vital e reforma agrária. Criticou ainda o perfil misógino e homofóbico do rival, além de seu desprezo pelo meio ambiente.
Cepeda conclamou a juventude e partidos como Aliança Verde e En Marcha a formarem uma aliança pela vida. O objetivo é derrotar práticas criminosas do fascismo nas urnas e barrar o retorno ao passado parapolítico e narcotraficante dos governos Uribe.
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