A China está incentivando empresas domésticas a lançar projetos-piloto que integrem inteligência artificial ao setor de energia, segundo anunciou a Administração Nacional de Energia (NEA) na quarta-feira.
Pequim divulgou uma lista oficial de cenários de aplicação que vão desde redes inteligentes até minas de carvão autônomas. Empresas de energia poderão fazer parcerias com provedores de inteligência artificial e submeter propostas conjuntas para projetos-piloto apoiados pelo Estado.
A lista de cenários foi apresentada em uma conferência na terça-feira que contou com a presença de gigantes estatais como PetroChina, State Grid Corporation of China e China Energy Investment Corporation, além de empresas privadas como Alibaba Cloud, Tencent Holdings e Envision Group.
A lista definitiva inclui 51 cenários de aplicação de alto valor distribuídos em oito setores principais: redes elétricas, energias renováveis, hidrelétricas, energia térmica, carvão, petróleo e gás.
Segundo Lin Boqiang, reitor do Instituto Chinês de Estudos em Política Energética da Universidade de Xiamen, ao especificar esses cenários de aplicação explícitos, o governo está empurrando a indústria a sair da retórica conceitual para a implementação concreta, marcando um passo significativo à frente.
Lin afirmou que o feedback do mundo real desses projetos-piloto provavelmente abrirá caminho para políticas mais direcionadas, com novos modelos de negócio na indústria de energia emergindo como uma fronteira estratégica.
Esses modelos incluem a chamada sinergia entre computação e eletricidade, que alinha o processamento pesado de dados com períodos de excedente de energia, além do desenvolvimento de usinas virtuais de energia que agregam digitalmente ativos de energia dispersos para equilibrar cargas da rede.
Na conferência de terça-feira, a NEA chamou a IA de motor vital para construir uma potência energética e pediu integração mais profunda entre redes de computação e sistemas elétricos.
Zhang Lei, fundador e CEO da Envision Group, empresa de tecnologia verde sediada em Xangai, afirmou na conferência que a GPU é a nova máquina a vapor de hoje, com a mesma função de conversão de energia, transformando eletricidade em inteligência.
Zhang acrescentou que os sistemas de energia estão se tornando a infraestrutura central da IA, em vez de apenas uma camada de suporte.
Segundo Lin, o desafio subjacente não é apenas alimentar a crescente demanda de energia da IA, mas fazê-lo de forma sustentável. A China possui amplas reservas de combustíveis fósseis para atender às necessidades energéticas da IA, mas a prioridade é alinhá-la com a transição verde, declarou Lin.
O anúncio do programa-piloto segue um plano de ação divulgado em maio por quatro departamentos centrais, incluindo a NEA, para aumentar significativamente o fornecimento de energia limpa para infraestrutura de IA e maximizar a adoção industrial de IA até 2030.
Material de referencia publicado por SCMP.


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