Cientistas de seis países asiáticos lançaram um ambicioso plano de dez anos para construir células sintéticas a partir de moléculas não vivas. China, Japão, Coreia do Sul, Singapura, Tailândia e Malásia integram a iniciativa liderada pelo Instituto de Tecnologia Avançada de Shenzhen.
O roadmap, publicado na revista Nature Biotechnology, foi desenvolvido pela SynCell Asia Initiative. O grupo reúne mais de 100 pesquisadores e busca criar organismos unicelulares do zero utilizando fosfolipídios, proteínas, DNA e outras macromoléculas biológicas.
Construir células sintéticas aprofundaria a compreensão sobre a vida e permitiria a criação de células programáveis para biomanufatura e biomedicina. A iniciativa representa uma resposta coordenada aos avanços que, nas últimas décadas, concentraram-se majoritariamente na Europa e nos Estados Unidos.
A SynCell Asia Initiative foi formalmente estabelecida em 2023. Workshops colaborativos definiram uma estrutura científica e agenda de ação baseada em perspectivas e forças regionais asiáticas.
O roadmap identifica quatro desafios centrais: continuidade metabólica, autonomia ribossomal, regras de design modular e coordenação espaço-temporal. Os pesquisadores propõem uma arquitetura de fábrica central com estações de trabalho distribuídas.
Chassis celulares sintéticos padronizados e reagentes serão preparados centralmente e distribuídos aos laboratórios participantes. O modelo forma um ciclo fechado de design-construção-teste-aprendizado.
Plataformas automatizadas de ômicas de célula sintética única coletarão dados de genoma, transcriptoma, proteoma e metaboloma. Os dados alimentarão modelos de aprendizado de máquina para prever e controlar o comportamento das células sintéticas.
O plano divide-se em duas etapas. A primeira fase, ProtoCell, prevê o desenvolvimento de uma vesícula de fosfolipídios estável com genoma mínimo de 200 genes. O sistema deverá expressar 90% das proteínas por transcrição-tradução livre de células.
A segunda fase, AutoCell, busca alcançar a regeneração ribossomal endógena codificada pelo genoma. O objetivo é substituir o sistema de expressão externo e possibilitar a verdadeira autorreplicação.
A iniciativa aproveitará complementaridades tecnológicas entre os países asiáticos. O modelo inovador de colaboração transfronteiriça inclui infraestrutura compartilhada e padrões abertos.
Segundo reportagem do portal phys.org, o estudo completo foi publicado na Nature Biotechnology. A liderança chinesa reforça o protagonismo da Ásia na vanguarda da biologia sintética global.
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