O senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, construiu uma rede de homenagens e vínculos empregatícios com policiais militares posteriormente apontados como líderes de milícias e integrantes de organizações criminosas. O levantamento dos laços entre o filho mais velho do ex-presidente e o crime organizado no Rio foi detalhado em reportagem do portal Metrópoles.
Em outubro de 2003, Flávio concedeu sua primeira Moção de Louvor ao então tenente Adriano Magalhães da Nóbrega, enaltecendo sua atuação no combate à criminalidade. Dois anos depois, entregou pessoalmente a Medalha Tiradentes ao mesmo oficial, que estava preso preventivamente por homicídio.
Adriano seria absolvido do crime, mas depois apontado pelo Ministério Público do Rio como chefe da milícia de Rio das Pedras. Flávio empregou a mãe e a mulher de Adriano em seu gabinete na Alerj. Segundo investigações, o miliciano ficava com parte dos valores arrecadados em esquema de rachadinha.
A lista de homenageados inclui o major Ronald Paulo Alves Pereira, que recebeu Moção de Louvor em março de 2004. A homenagem ocorreu três meses após uma chacina na Baixada Fluminense, crime pelo qual Ronald foi condenado e apontado como líder da milícia de Rio das Pedras.
No mesmo ano, Flávio outorgou Moção de Louvor ao tenente-coronel Claudio Luiz de Oliveira. O oficial foi preso anos depois e condenado a 36 anos de reclusão como mandante do assassinato da juíza Patrícia Acioli, executada com 21 tiros em 2011.
Outro homenageado foi o militar da reserva Lício Maciel, condecorado por ações no combate à Guerrilha do Araguaia. Mais tarde, Maciel foi denunciado pelo Ministério Público Federal por sequestro e ocultação de cadáveres durante a ditadura militar.
Em 2005, Flávio concedeu Moção de Louvor ao policial militar Hélio Machado da Conceição. Nove anos depois, o agente foi expulso da corporação por envolvimento com a máfia dos caça-níqueis e formação de milícia.
O major Maycon Macedo de Carvalho também foi homenageado em 2005. Décadas depois, tornou-se réu por corrupção passiva, participação em organização criminosa armada e fraude em licitações. O policial militar Alan Rodrigues de Oliveira, condecorado em 2006, foi preso em 2017 por extorquir comerciantes.
O tenente-coronel Arlei Balbino recebeu Moção de Louvor em 2006 e depois respondeu por improbidade administrativa. Já o major Edson Alexandre Pinto de Góes, homenageado em 2007, foi condenado a cinco anos de prisão por lavagem de dinheiro.
Em 2008, o major Edson Raimundo dos Santos foi condecorado por sua liderança na Polícia Militar. Cinco anos depois, comandou a UPP da Rocinha durante a tortura e morte do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, crime que resultou em sua condenação.
Leia mais sobre o assunto na metropoles.com.
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