O Nordeste reafirma sua condição de trincheira mais sólida do lulismo. Nova pesquisa Real Time Big Data, divulgada nesta terça-feira (26), mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 58% das intenções de voto em Sergipe, contra tímidos 21% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A diferença de 37 pontos percentuais no primeiro turno é um atestado de força que vai além do recall do governo. Ela revela um eleitorado que associa diretamente a gestão petista à melhoria concreta de vida — renda, emprego, comida na mesa — e rejeita o bolsonarismo como projeto nacional.
Em um eventual segundo turno, o cenário fica ainda mais elástico: Lula crava 62% contra 26% de Flávio, uma vantagem de 36 pontos. Os brancos e nulos somam 6%, mesmo índice dos que não souberam responder, o que sugere pouca margem para reviravoltas.
A fragmentação do campo da direita é um dado auxiliar relevante, mas não o principal. O ex-governador Romeu Zema (Novo) e o líder do MBL Renan Santos (Missão) aparecem com 3% cada, enquanto Ronaldo Caiado (PSD), Joaquim Barbosa (DC), Aécio Neves (PSDB) e Augusto Cury (Avante) registram 1% individualmente.
Os demais pré-candidatos — Cabo Daciolo (Mobiliza), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Rui Costa Pimenta (PCO) e Samara Martins (UP) — somados não chegam a 1%. É um indicativo de que, no Nordeste, a direita não apenas patina como se atropela, pulverizando votos sem liderança orgânica regional.
O levantamento, registrado no TSE sob o protocolo BR-00282/2026, ouviu 1.600 pessoas entre os dias 23 e 25 de maio, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A metodologia confere robustez estatística ao retrato.
Conforme reportagem da CNN Brasil, o instituto testou todos os cenários possíveis e Lula saiu vitorioso em cada um deles. Não houve simulação em que o bolsonarismo ou qualquer alternativa de direita ameaçasse a liderança presidencial no estado.
O resultado escancara uma verdade política que a direita insiste em não enfrentar. O Nordeste não vota com o PT por inércia, mas porque a memória social da fome, do desemprego e da ausência do Estado é viva — e o lulismo segue sendo a resposta mais concreta a essas feridas.
Enquanto Flávio Bolsonaro tenta se equilibrar entre o escândalo Vorcaro, o racha no PL e a dificuldade de construir palanques regionais, Lula consolida exatamente aquilo que a oposição perdeu: vínculo de confiança com as bases. Em Sergipe, esse vínculo se traduz em números que beiram a hegemonia eleitoral.
O dado não é apenas uma boa notícia para o campo progressista. Ele é um alerta para quem aposta que o cansaço com o PT abrirá espaço automático para a direita em 2026. No Nordeste, o caminho segue fechado — e com cadeado reforçado.
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