A aprovação da PEC do fim da escala 6×1 na Câmara consolidou uma reaproximação entre o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O movimento também expôs o isolamento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A proposta reduz a jornada semanal para 40 horas e representa uma vitória política para o campo progressista.
A votação em dois turnos revelou números incontestáveis, com 472 votos a favor no primeiro e 461 no segundo. Após a aprovação, Motta classificou o momento como um avanço civilizatório. Ele ressaltou o papel de Lula na articulação da medida.
O texto aprovado estabelece um teto de 40 horas semanais, com dois dias de descanso e uma transição escalonada. A proposta veda a redução salarial e permite acordos coletivos para categorias específicas. Ficam de fora do controle de jornada os empregados que recebam acima de duas vezes e meia o teto do INSS, com exceção de servidores públicos, e há medidas transitórias para pequenas empresas.
Líderes partidários avaliam que a vitória na PEC 6×1 consolida a posição de Motta para a reeleição, segundo reportagem do Metrópoles. A aprovação coloca a Câmara em vantagem na opinião pública. O movimento também ajuda a amenizar o desgaste do primeiro ano de sua gestão, marcado por medidas impopulares.
Enquanto Motta fortalece sua aliança com o Planalto, Alcolumbre trilha um caminho oposto, acenando à oposição. O presidente do Senado segura a tramitação da PEC do governo. Ele também enviou à CCJ uma proposta alternativa da oposição, horas após a aprovação na Câmara.
A PEC alternativa do PL e aliados altera o artigo 7º da Constituição. Ela permitiria aos empregados escolher um modelo de jornada flexível baseado em horas. A ideia foi rejeitada na Câmara, mas ganhou sobrevida no Senado devido à pressão empresarial.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, resumiu a divergência entre os dois presidentes do Legislativo. Ele afirmou que Motta escolheu um caminho com Lula, enquanto Alcolumbre busca maior independência. A declaração expõe o reposicionamento de Alcolumbre, que adota uma postura autônoma após romper com o governo.
Alcolumbre também se reuniu com sindicatos patronais em um encontro articulado pela oposição. No evento, ele recebeu críticas contundentes à condução da matéria na Câmara. O presidente da Fiesp, Paulo Skaff, ironizou a tramitação, afirmando que faltou diálogo com os setores produtivos.
A CCJ do Senado, comandada pelo governista Otto Alencar (PSD-BA), sinaliza que a PEC da oposição terá tramitação regular. Contudo, Alencar ressalvou que há muitas matérias na frente. A existência da proposta alternativa já funciona como instrumento de pressão sobre o governo.
A PEC da 6×1 é tratada como prioridade absoluta pelo Palácio do Planalto. O governo vê na medida uma bandeira de forte apelo popular e uma resposta às demandas dos trabalhadores. O impasse no Senado, porém, ameaça o calendário desejado por Lula e obriga a uma articulação política intensa.
O cenário da tramitação da PEC expõe uma correlação de forças que vai além da jornada de trabalho. Hugo Motta colhe os dividendos de uma medida popular e reforça sua posição como aliado do governo. Já Davi Alcolumbre se desloca para a oposição, aprofundando a crise entre o Senado e o Planalto.
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Marta Souza
01/06/2026 - 01h19
Carlos Oliveira, você ainda acredita que políticos vão resolver a vida do trabalhador com mais regulamentação? O mercado já mostra que turnos flexíveis e produtividade são o caminho, não essa PEC que só engorda o Estado. Enquanto eles brincam de reforma, eu continuo pagando imposto absurdo e vendo o empreendedorismo ser sufocado. Liberdade econômica, não esmola legislativa.
Marcos Andrade Niterói
01/06/2026 - 01h22
Marta, essa história de que o mercado resolve sozinho é o mesmo discurso que deixou Niterói décadas sem mobilidade decente. Aqui na cidade, o túnel Charitas-Cafubá e o metrô sob a Baía só saíram porque teve planejamento público de verdade, não mão invisível. Liberdade econômica sem regulação é liberdade pra quem explora, não pra quem trabalha.
Luiz Carlos
01/06/2026 - 01h13
Essa história de PEC 6×1 é só mais um jogo político. Trabalho 12 horas por dia no volante, pago meus impostos e vejo político se aproximando de Lula pra ganhar cargo. O trabalhador brasileiro que se vire. Pra mim, essa escala aí é papo furado pra desviar atenção dos problemas de verdade.
Carlos Oliveira
01/06/2026 - 01h17
Luiz Carlos, entendo perfeitamente sua indignação como trabalhador que rala 12 horas por dia. Mas a PEC 6×1 não é desvio de atenção: ela propõe exatamente reduzir essa jornada exaustiva que você vive. O problema não é o debate, é o sistema que naturaliza 12 horas de trabalho enquanto concentra a riqueza nas mãos de quem nunca pegou um volante.
Karina Libertária
01/06/2026 - 01h07
Olha só, mais um teatrinho político entre o Lula e esse Motta. Essa PEC 6×1 é só mais um jeito de dar esmola pra vagabundo que vive de bolsa família. Enquanto isso, eu continuo investindo tudo lá fora, vendo o Brasil afundar. Total disaster, esse país não tem mais jeito.
Pedro Almeida
01/06/2026 - 01h10
Karina, essa retórica do “vagabundo” e do “investir lá fora” é a mesma cantilena dos barões do café que, no século XIX, enquanto enriqueciam com a escravidão, chamavam os libertos de vadios e mandavam o dinheiro para Londres. O Brasil “sem jeito” que você vê é o mesmo Brasil que jamais vai caber no seu portfólio cosmopolita enquanto você não encarar que justiça social não é esmola, é reparação histórica.