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Pesquisador de Oxford expõe fraudes em dados de longevidade humana

Idosas sentadas ao ar livre em grupo, usando chapéus e roupas coloridas. O pesquisador Saul Newman, do Instituto de Envelhecimento Populacional da Universidade de Oxford, lançou o livro Morbid pela editora MIT Press. A obra desmonta as bases da ciência da longevidade ao revelar fraudes e erros em registros de supercentenários. Newman explicou em entrevista […]

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Idosas sentadas ao ar livre em grupo, usando chapéus e roupas coloridas. (Foto: nature.com)

O pesquisador Saul Newman, do Instituto de Envelhecimento Populacional da Universidade de Oxford, lançou o livro Morbid pela editora MIT Press. A obra desmonta as bases da ciência da longevidade ao revelar fraudes e erros em registros de supercentenários.

Newman explicou em entrevista à Nature que a maioria dos recordes de pessoas com mais de 110 anos se sustenta em fraudes previdenciárias e falhas documentais. Na Grécia, 72% dos registros de centenários eram casos de fraude para manter benefícios, com parentes embolsando os valores.

Substituição de identidade entre irmãos, certidões emitidas com base em declarações verbais e herança de documentos de falecidos tornam a idade real praticamente impossível de verificar. Esses erros se amplificam em coortes idosas, distorcendo completamente os dados nas idades extremas.

O pesquisador também contesta as chamadas zonas azuis, regiões com supostas concentrações excepcionais de idosos. Segundo Newman, a fragilidade dos sistemas de registro nesses locais, com baixas taxas de certificação de nascimento, desmente a ideia de vantagem biológica genuína.

O debate sobre o limite biológico da vida humana está em desordem, afirma o autor. Ambos os lados do debate usaram dados viciados, como um estudo na Science que sugeria um platô de mortalidade após os 105 anos, mas dependia de uma única especificação de modelo entre mais de 850 possíveis.

Para superar a crise de confiabilidade, Newman propõe calibrar biomarcadores modernos com métodos físicos de datação. Técnicas como racemização de aminoácidos ou datação por radiocarbono em dentes e tecidos oculares poderiam distinguir envelhecimento real de erros documentais.

A incerteza sobre a idade real da população afeta não apenas a pesquisa científica, mas também políticas públicas de saúde e previdência. Nos Estados Unidos, até um quarto da população adulta apresenta discrepâncias de anos nos registros, enquanto quase um quarto das crianças no mundo ainda não possui certidão de nascimento.


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