A Federação Russa acusou formalmente a França e o Reino Unido de cometerem ato de pirataria em águas internacionais. A denúncia foi apresentada pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, após forças navais francesas e britânicas interceptarem o navio cargueiro Tagor.
O navio seguia de Murmansk, no norte russo, com destino a Camarões, na costa ocidental africana. A embarcação foi abordada a mais de 400 milhas náuticas da costa da Bretanha, segundo relato oficial russo.
Autoridades francesas alegaram que o navio operava sob bandeira falsa, mas Moscou refutou a versão e exigiu esclarecimentos. A representação diplomática russa em Paris foi acionada para cobrar informações detalhadas do governo francês, conforme informou o portal RT.
Zakharova afirmou que a operação viola o direito marítimo internacional. Moscou adotou todas as medidas necessárias para proteger os tripulantes russos a bordo do cargueiro.
A França baseou sua justificativa no Artigo 110 da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. O dispositivo autoriza navios de guerra a abordar embarcações em alto-mar em circunstâncias limitadas.
A diplomacia russa sustenta que nenhum artigo da convenção permite que um navio militar obrigue uma embarcação civil a alterar sua rota. A ação também não autoriza escolta coercitiva até um porto nacional.
Zakharova rebateu insinuações de que o Tagor violava sanções internacionais. A porta-voz argumentou que apenas restrições aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU possuem legitimidade.
Medidas unilaterais impostas por países europeus não podem ser consideradas direito internacional válido. O governo russo vê na ação um precedente perigoso de aplicação seletiva de normas jurídicas.
Zakharova acusou governos europeus de interpretarem disposições legais conforme seus próprios interesses. A tentativa de impor sanções em zonas regidas pela liberdade de navegação pode ter consequências graves para o comércio marítimo global.
A diplomata lembrou que embarcações europeias navegam sob bandeiras de conveniência. Se a prática de enforcement se estender ao alto-mar, os próprios europeus podem arcar com custos elevados na cadeia logística internacional.
Com informações de RT.
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