O tesouro de Gessel, desenterrado durante obras de um gasoduto no norte da Alemanha, é um dos maiores depósitos de ouro da Idade do Bronze já encontrados na Europa pré-histórica. Composto por 117 objetos de ouro que somam mais de 1,7 quilo, o achado ocorreu na vila de Gessel, próxima à cidade de Syke.
A datação por volta de 1.300 a.C. situa o tesouro no auge da Idade do Bronze. Alguém guardou as peças em um saco de linho, prendeu-o com seis alfinetes de bronze e enterrou tudo na terra. Hoje, o conjunto é a peça central do museu Forum Gesseler Goldhort, mas o motivo exato de seu enterramento permanece um mistério.
O acervo inclui 82 anéis espiralados unidos em cadeias, que provavelmente funcionavam como moeda corrente na época. A arqueóloga pré-histórica Babette Ludowici afirma que as peças foram fabricadas a partir de ouro reciclado, comum na circulação metálica do período.
Apenas três itens destacam-se como acessórios pessoais: uma pulseira grande, um bracelete retorcido e um broche. O broche, originalmente com cerca de 16 centímetros de comprimento, chamou atenção por sua decoração elaborada com cinco símbolos solares em relevo.
Seis conjuntos de anéis concêntricos gravados no metal também ornamentam a peça. O broche foi dobrado e teve o alfinete removido antes de ser depositado, sendo o único exemplar da Europa Central feito inteiramente de ouro maciço.
Os demais objetos são 32 espirais de tamanhos diversos e correntes, que indicam um propósito mais econômico que ornamental. Ludowici destaca que a análise das peças reforça a tese de produção com ouro reaproveitado.
Escavações posteriores na região não revelaram vestígios de povoado ou túmulo contemporâneos ao tesouro. Isso reforça a hipótese de se tratar de uma coleção de riqueza pessoal ou estoque de um artesão metalúrgico.
Alguns objetos foram entortados antes do enterramento, indicando uma deposição deliberada. Um novo projeto de pesquisa, anunciado recentemente, tentará determinar a origem do ouro, que análises preliminares sugerem vir da Ásia Central.
Os especialistas também buscam entender quem era o dono do tesouro e por que motivo o enterrou há mais de três milênios. o tesouro foi a primeira grande acumulação de ouro da era pré-histórica germânica escavada de forma científica.
O mistério que envolve sua ocultação continua a instigar historiadores e arqueólogos. Pesquisadores ressaltam que o broche de ouro maciço, além do valor material, carrega simbologia solar comum em culturas da Idade do Bronze europeia.
A descoberta reforça a complexidade das redes de troca e circulação de metais preciosos muito antes do surgimento da escrita na região. A investigação sobre a procedência do ouro poderá revelar rotas comerciais de longa distância que conectavam a Ásia Central à Europa setentrional há 3.300 anos.
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