O governo federal estruturou um plano audacioso de investimentos na infraestrutura de transportes do Brasil. Com o título chamativo de investir “R$ 400 bilhões em trens”, a iniciativa na verdade representa um robusto pipeline de R$ 396 bilhões que visa reestruturar a logística nacional por meio de concessões e parcerias. Em entrevista recente concedida ao programa Real Time, da Times Brasil (licenciada exclusiva da CNBC no Brasil), o ministro dos Transportes, Jorge Santoro, detalhou o andamento desse megaprojeto.
Santoro, que sucedeu o ex-ministro Renan Filho em abril de 2026, explicou na entrevista que a meta do governo é equilibrar a matriz de transportes do país, historicamente dependente do modal rodoviário. De acordo com o ministro, a atração de capital privado está alicerçada em novos modelos de contratos que garantem segurança jurídica e previsibilidade a longo prazo.
Integração logística total: não apenas trens, mas ferrovias e estradas
Segundo o ministro Jorge Santoro, o plano de R$ 396 bilhões abrange um amplo espectro de ferrovias, rodovias e terminais logísticos ao longo dos próximos quatro anos. Ele explicou que o foco nos trilhos é decorrente de uma enorme carência histórica que o Brasil tem nesse modal. “Já passou da hora. Construímos mais ferrovias no Império do que na República”, argumentou Santoro na entrevista ao Real Time, pontuando que o país hoje visa elevar a participação do modal ferroviário de 23% para 35% nos próximos oito anos.
Para viabilizar essa meta, a estratégia consiste em atrair fundos internacionais e investidores privados por meio de contratos de longo prazo de até 60 anos, trazendo previsibilidade regulatória e editais padronizados. Santoro sustentou que a governança de projetos, aliada a rodadas de consulta pública real, permite ao governo federal antecipar possíveis ações judiciais e desenhar modelagens financeiras sólidas.
Balanço recorde de leilões e novos investidores internacionais
De acordo com os dados apresentados por Santoro, de 2023 a maio de 2026 já foram realizados 23 leilões logísticos, garantindo R$ 260 bilhões em investimentos privados para a recuperação e ampliação de mais de 11.300 quilômetros de rodovias federais. Até o final de 2026, a meta do Ministério dos Transportes é realizar outros 12 leilões rodoviários e 8 concessões ferroviárias adicionais, cobrindo cerca de 9.000 quilômetros de trilhos pelo território nacional.
Santoro ressaltou que esse ecossistema atraiu 17 novos grupos de investimentos estrangeiros e fundos soberanos para operar ativos no Brasil. “Hoje nós temos a maior carteira de concessões rodoviárias e ferroviárias do mundo”, celebrou o ministro na entrevista ao canal. Com a padronização jurídica dos editais, o tempo médio para tirar um projeto do papel caiu de sete para pouco mais de dois anos.
Corredores de exportação e a transição ambiental
Santoro explicou que um dos pilares do novo ciclo é dar opções logísticas aos produtores, gerando concorrência entre os portos de escoamento. O ministro citou o leilão da “Rota dos Sertões” no Nordeste, que ligará Feira de Santana a Salgueiro, criando um entroncamento intermodal com a ferrovia Transnordestina até o porto de Pecém. Outros projetos vitais discutidos no programa incluem o Anel Ferroviário do Sudeste, a Malha Oeste, a Ferrogrão e a extensão da Ferrovia Norte-Sul ligando Sailândia ao porto de Barcarena, no Pará.
Além da eficiência de custos, a transição sustentável é premissa obrigatória em todos os projetos da pasta, que passam a contar com cláusulas de resiliência climática e neutralização de emissões de carbono. Santoro detalhou que a Ferrogrão, por exemplo, retirará diariamente entre 4.000 e 5.000 caminhões da BR-163, reduzindo drasticamente a queima de combustíveis fósseis.
BR-319 e a primeira PPP de governança ambiental da Amazônia
No encerramento da entrevista conduzida pela jornalista Natália na Times Brasil, o ministro detalhou a pavimentação da BR-319, rodovia emblemática que liga o Amazonas ao restante do Brasil. Santoro apontou que o projeto técnico foi debatido por três anos com o Ministério do Meio Ambiente para conciliar infraestrutura e preservação. O trecho passará por um licenciamento ambiental inovador que prevê a elevação da via e passagens seguras para a fauna local.
A grande inovação anunciada pelo ministro é a criação da primeira Parceria Público-Privada (PPP) de governança ambiental do país para monitorar a rodovia. A concessionária privada utilizará sistemas de comando e controle, câmeras inteligentes e satélites para evitar o desmatamento ilegal e realizar a regularização fundiária no entorno. “Fazer pavimentação sem controle leva ao desmatamento, por isso a PPP de governança ambiental é inovadora e garante a integridade da floresta”, explicou Santoro.
Clique no link para assistir à entrevista completa: Assista ao vídeo.


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