Em sessão marcada por duros embates e acusações cruzadas, a Comissão Permanente do Congresso mexicano aprovou posicionamento de respaldo integral à presidente Claudia Sheinbaum por sua defesa da soberania nacional. O texto, impulsionado pela bancada governista, compromete-se a impedir qualquer tentativa de intervenção ou ingerência estrangeira, ou de desestabilização, proveniente do exterior. A declaração foi lida pela presidenta da Comissão Permanente, Laura Itzel Castillo, em nome da maioria dos integrantes do órgão, após debate de mais de duas horas, conforme reportou o diário La Jornada.
A vice-presidenta panista Kenia López Rabadán protestou de imediato, deixando claro que não havia assinado o documento. A sessão ocorreu após o grande comício liderado por Sheinbaum no Monumento à Revolução, onde a mandatária discursou em defesa intransigente da autodeterminação mexicana frente às pressões de Washington. O senador morenista Óscar Cantón Zetina afirmou que a chefa de Estado falou a toda a nação e a cidadãos de todos os partidos, dispensando qualquer convite formal.
Os legisladores da Quarta Transformação — que reúne Morena, Partido Verde e Partido do Trabalho — confrontaram duramente os opositores do PAN, PRI e Movimento Cidadão por não cerrarem fileiras com a mandatária. O senador Manuel Huerta Ladrón de Guevara classificou a postura da oposição como hipócrita, lembrando que foram os governos do chamado Prian os que fizeram pactos com o crime organizado.
A senadora panista Mayuli Latifa tentou contra-atacar, sustentando que seu partido combate os criminosos em vez de solapá-los e protegê-los, mencionando nominalmente a governadora de Chihuahua, Maru Campos. A legisladora também recordou que Rubén Rocha Moya, governador de Sinaloa, já esteve sentado no recinto do Senado.
Pelo PRI, a senadora Carolina Viggiano argumentou que a defesa da soberania não se vê afetada pelo pedido de extradição de ex-funcionários de Sinaloa acusados de vínculos com o narcotráfico nos Estados Unidos. Para ela, o discurso presidencial foi proferido por Sheinbaum como chefa de partido, não como chefa de Estado.
O debate escalou quando o deputado morenista Gabino Morales chamou os opositores de narcopanistas, enquanto o senador pevemista Jorge Carlos Ramírez lembrou episódio incômodo do passado recente. Ramírez relatou que, durante a celebração do Bicentenário no governo de Felipe Calderón, esteve no balcão central do Palácio Nacional ao lado de Genaro García Luna, ex-secretário de Segurança posteriormente condenado por narcotráfico nos Estados Unidos.
Ramírez advertiu que, se a disputa fosse uma olimpíada de impugnações por narcotráfico, nenhuma força política mexicana sairia incólume. A deputada Beatriz Andrea Navarro, do Morena, recorreu à linguagem popular para afirmar que a oposição não apenas deu as costas às reformas constitucionais, mas as entregou aos interesses estrangeiros.
O clima de tensão atingiu o ápice quando Gerardo Fernández Noroña, figura histórica da esquerda mexicana, resumiu o sentimento da bancada majoritária com frase contundente que ecoou no plenário. Têm tatuado, salve-se a parte, o logotipo da CIA, disparou o parlamentar, dirigindo-se diretamente à oposição.
A sessão da Comissão Permanente deixou evidente a clivagem profunda que atravessa o sistema político mexicano diante da ofensiva intervencionista dos Estados Unidos. O respaldo maciço a Sheinbaum consolida a posição do governo de não ceder um milímetro na defesa da soberania, transformando a resistência à ingerência externa em bandeira unificadora da Quarta Transformação.


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