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Pesquisadores dos EUA desenvolvem método para criar materiais 2D quânticos em escala industrial

Pesquisadores da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, descobriram um método inovador para produzir materiais 2D com propriedades quânticas em larga escala. O estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, demonstra que a aplicação de tensão mecânica pode gerar padrões moiré em materiais ultrafinos, eliminando a necessidade de torção e empilhamento manual […]

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Imagem em microscopia eletrônica de um material bidimensional com padrão moiré. (Foto: phys.org)
Imagem em microscopia eletrônica de um material bidimensional com padrão moiré. (Foto: phys.org)

Pesquisadores da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, descobriram um método inovador para produzir materiais 2D com propriedades quânticas em larga escala. O estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, demonstra que a aplicação de tensão mecânica pode gerar padrões moiré em materiais ultrafinos, eliminando a necessidade de torção e empilhamento manual de camadas.

Os materiais moiré ganharam relevância científica desde 2018, quando se verificou que camadas de grafeno levemente torcidas exibem supercondutividade. Esse fenômeno ocorre devido a alterações na rede atômica causadas pelo desalinhamento, modificando o comportamento dos elétrons e gerando propriedades quânticas de interesse tecnológico.

A criação desses padrões dependia, até então, de processos manuais de rotação e empilhamento de flocos bidimensionais. Esse método artesanal apresentava baixa reprodutibilidade e dificultava a produção industrial, limitando a pesquisa e a aplicação comercial dos materiais moiré, considerados promissores para computação quântica e sensores avançados.

A nova técnica utiliza filmes finos que aplicam tensão controlada sobre camadas de dissulfeto de molibdênio, criando super-redes moiré de forma reprodutível e compatível com os processos de fabricação de semicondutores. Conforme reportagem do phys.org, o método dispensa o empilhamento e a torção, empregando litografia para depositar filmes estressores que deformam localmente as camadas atômicas.

Os filmes estressores, depositados por litografia, puxam e comprimem as camadas superiores do material. Nas bordas dos filmes, a tensão é biaxial, enquanto regiões mais distantes sofrem tensão uniaxial. Essa variação gera geometrias moiré distintas e induz polarização elétrica localizada no dissulfeto de molibdênio, que normalmente não apresenta polarização.

Judy Cha, professora de Ciência e Engenharia de Materiais na Universidade Cornell e diretora da Instalação de Nanoescala de Cornell, explica que a engenharia de tensão já é amplamente utilizada na fabricação de semicondutores. Ela destacou que empresas usam abordagens como ligas de silício-germânio e revestimentos metálicos tensionados para melhorar o desempenho de transistores. A ideia de aplicar essa técnica para gerar efeitos moiré surgiu ao observar que as camadas atômicas superiores se deformam de maneira diferente das inferiores.

A polarização elétrica induzida pode ser controlada por um campo elétrico, permitindo ajustar a resistência elétrica em escala nanométrica. Esse recurso é valioso para a eletrônica quântica. A equipe agora investiga se os domínios polares gerados podem ser incorporados em dispositivos eletrônicos funcionais, aproximando a física moiré das aplicações práticas.

O método reduz significativamente a barreira de entrada para pesquisadores interessados em explorar a física dos materiais moiré, democratizando o acesso a uma área que antes exigia habilidades manuais complexas. Cha afirmou que se trata de um passo de litografia padrão, executado diariamente por fabricantes de dispositivos, reforçando o potencial de escalonamento da técnica.

A integração da criação de super-redes moiré em processos industriais estabelecidos pode acelerar o desenvolvimento de computadores quânticos e sensores com capacidades inéditas. O avanço representa um marco na engenharia de materiais, alinhado às demandas por componentes eletrônicos mais eficientes e de menor consumo energético.

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