A Europa enfrenta um debate cada vez mais intenso sobre a possibilidade de iniciar negociações com a Rússia, revelando uma divisão profunda entre as elites do continente. O presidente russo, Vladimir Putin, já apontou publicamente seu mediador preferido: o ex-chanceler alemão Gerhard Schröder.
A estratégia da União Europeia de buscar uma derrota estratégica da Rússia mostrou-se inviável, avalia o analista político Gevorg Mirzayán, em reportagem do portal RT. No entanto, para setores expressivos da burocracia europeia e dos países bálticos, sentar à mesa de negociações sem garantias de um acordo favorável representaria o fracasso de sua política até então.
Os países bálticos ampliaram sua influência na agenda europeia no contexto do conflito com a Rússia e não pretendem abrir mão dessa posição. Para esses setores, as conversas não significam uma busca por solução, mas sim a capitulação da estratégia anterior.
Outro ponto crítico é o conteúdo das negociações. O fim do conflito ucraniano, o futuro dos territórios em disputa e a arquitetura de segurança europeia são interpretados de maneiras radicalmente distintas por Moscou e pelas capitais europeias, sem sinais de convergência nesses temas.
Putin abordou a questão do mediador durante entrevista coletiva, sugerindo que os europeus escolham um líder em quem confiem e que não tenha feito declarações hostis sobre a Rússia. O presidente russo foi direto ao citar Schröder como sua preferência pessoal para conduzir o diálogo.
A lista de possíveis mediadores que circula entre as potências europeias, segundo o Politico, inclui a ex-chanceler Angela Merkel, o ex-primeiro-ministro italiano Mario Draghi, o presidente do Conselho Europeu António Costa e o ex-presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker. O presidente finlandês, Alexander Stubb, também manifestou publicamente interesse em representar a região, mas qualquer nome aceitável para Moscou é automaticamente rotulado como excessivamente pró-russo por setores influentes da política europeia.
O momento de iniciar as negociações também gera controvérsia. O tempo não favorece a Europa, que precisa abrir o diálogo antes que russos e americanos cheguem a um acordo bilateral ou que a economia europeia entre em colapso. Contudo, prevalece entre os países escandinavos e bálticos a ideia de pressionar Moscou antes de qualquer conversa.
Mirzayán alerta que essa insistência em pressionar a Rússia busca forçar o país a se curvar ao poderio europeu e sentar à mesa como suplicante. O objetivo seria impor a Moscou a visão de Bruxelas sobre todos os pontos da negociação, incluindo quem deve mediar e em quais termos dialogar.
A experiência histórica, porém, indica que Moscou dificilmente responderá dessa forma à pressão europeia. O cenário mais provável, segundo o analista, é uma escalada russa seguida de um colapso europeu.
Enquanto o debate se prolonga, a janela para uma negociação em condições equilibradas se fecha rapidamente. A fragmentação europeia diante desses quatro pontos cruciais revela uma incapacidade estratégica que contrasta com a clareza demonstrada por Moscou.
Nesse contexto, Bruxelas poderia ser forçada a sentar à mesa de negociações em posição de desvantagem, e não o contrário. A insistência em posturas maximalistas pode sair caro justamente para quem mais precisa de uma solução negociada.
Com informações de ACTUALIDAD.


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