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Cientistas japoneses desafiam intuição física com descoberta sobre nanoporos

Uma equipe de cientistas do Japão desafiou uma das intuições mais básicas da física, revelando que moléculas mais longas atravessam poros flexíveis em nanoescala com maior velocidade. O estudo, publicado na revista Chem, foi liderado pelo professor Shuichi Hiraoka, da Universidade de Tóquio, e pelo professor Masanori Tachikawa, da Universidade Municipal de Yokohama. A pesquisa […]

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Ilustração editorial sobre Cientistas japoneses desafiam intuição física com descoberta sobre nanoporos. (Ilustração: Cafezin
Ilustração editorial sobre Cientistas japoneses desafiam intuição física com descoberta sobre nanoporos. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

Uma equipe de cientistas do Japão desafiou uma das intuições mais básicas da física, revelando que moléculas mais longas atravessam poros flexíveis em nanoescala com maior velocidade. O estudo, publicado na revista Chem, foi liderado pelo professor Shuichi Hiraoka, da Universidade de Tóquio, e pelo professor Masanori Tachikawa, da Universidade Municipal de Yokohama.

A pesquisa utilizou nanocubos moleculares auto-organizados em água para analisar quantitativamente como diferentes moléculas passam por essas estruturas dinâmicas. Os pesquisadores prepararam três tipos de nanocubos com graus variados de flexibilidade, examinando sistematicamente a influência da dinâmica dos poros no transporte molecular.

Os cientistas observaram um fenômeno surpreendente: os alcanos lineares, moléculas em forma de cadeia, entraram nos nanocubos muito mais rápido do que os alcanos ramificados com o mesmo número de carbonos. Este resultado contraria a lógica macroscópica, em que objetos mais compridos costumam enfrentar mais dificuldade para atravessar aberturas estreitas.

No mundo nanométrico, os poros não são rígidos. Eles flutuam, vibram e mudam de forma constantemente devido à agitação térmica, como ocorre nos canais iônicos das membranas celulares. Segundo reportagem do portal Phys.org, a equipe propôs um mecanismo de transporte em duas etapas para explicar a descoberta. As moléculas primeiro formam um complexo de encontro transitório na superfície externa do nanocubo e, em seguida, aguardam o momento em que o poro flexível se abre temporariamente para entrar.

Moléculas com maior afinidade pela superfície externa permanecem mais tempo nessa região de espera, o que aumenta a probabilidade de entrada quando o portão molecular se dilata. As simulações de dinâmica molecular realizadas pelo grupo permitiram visualizar diretamente os eventos de abertura dos poros e a passagem das moléculas, reforçando o mecanismo proposto.

Outro dado relevante veio da comparação entre diferentes terminações químicas. A introdução de ligações duplas ou triplas nas extremidades das moléculas acelerou o transporte, enquanto a presença de átomos de oxigênio o retardou consideravelmente. Os resultados estabelecem um novo princípio cinético para o transporte molecular através de comportas dinâmicas em nanoescala.

A compreensão de como a flexibilidade dos poros e as interações superficiais determinam a velocidade de passagem abre caminho para o design de canais artificiais seletivos e materiais de separação inspirados em processos biológicos. O estudo, intitulado ‘Kinetic gating of linear hydrocarbons by a dynamic synthetic pore’, foi publicado com o DOI 10.1016/j.chempr.2026.103065. A pesquisa representa um avanço significativo na compreensão dos mecanismos fundamentais que regem o transporte em sistemas biológicos e sintéticos.

Diferentemente dos filtros artificiais rígidos, os poros biológicos estão em constante movimento. Entender essa dinâmica molecular pode revolucionar áreas como a administração de fármacos e a purificação de água. A descoberta insere o Japão na vanguarda da nanotecnologia aplicada a processos de reconhecimento molecular.

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