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Cientistas propõem escudo de plasma para proteger Terra de tempestades solares

Pesquisadores da Universidade de Boston desenvolveram um sistema inovador de espaçonaves capazes de criar uma barreira temporária de plasma na borda do campo magnético terrestre. A proposta, publicada na revista Space Weather, reduziria pela metade a intensidade de grandes tempestades geomagnéticas, marcando a primeira iniciativa concreta de geoengenharia espacial para defesa planetária. O professor Brian […]

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Representação artística de uma explosão solar no espaço. (Foto: phys.org)
Representação artística de uma explosão solar no espaço. (Foto: phys.org)

Pesquisadores da Universidade de Boston desenvolveram um sistema inovador de espaçonaves capazes de criar uma barreira temporária de plasma na borda do campo magnético terrestre. A proposta, publicada na revista Space Weather, reduziria pela metade a intensidade de grandes tempestades geomagnéticas, marcando a primeira iniciativa concreta de geoengenharia espacial para defesa planetária.

O professor Brian Walsh, da Faculdade de Engenharia da universidade, denominou o conceito de StormWall. A inspiração veio de um fenômeno natural: material que se desprende da atmosfera terrestre e fortalece a magnetosfera. O projeto propõe amplificar esse processo com seis espaçonaves em órbita geossíncrona.

Cada nave transportaria um recipiente com material alcalino, como bário ou lítio, a ser liberado no espaço e fotoionizado pela radiação solar, gerando plasma. Simulações computacionais realizadas em parceria com a Universidade de Michigan demonstraram que a injeção de plasma interrompe o fluxo de energia entre a tempestade solar e a magnetosfera, desviando o clima espacial ao redor do planeta. Quando você aplica física rigorosa a isso, funciona, afirmou Walsh em entrevista ao portal Phys.org.

Tempestades solares não se limitam a espetáculos visuais nas regiões polares. Em maio de 2024, uma tempestade geomagnética derrubou sistemas de GPS utilizados na agricultura dos Estados Unidos, paralisando plantio e colheita por dias e causando prejuízo de 500 milhões de dólares aos agricultores.

O impacto financeiro pode ser ainda maior. Os pesquisadores alertam que uma tempestade centenária, como a registrada em 1859, causaria danos devastadores hoje, com custos superiores a 2,4 trilhões de dólares apenas em redes elétricas. Toda transação financeira global depende de carimbos de tempo enviados por satélites, e uma pane generalizada paralisaria a economia mundial.

A principal barreira para o StormWall, além do custo de lançamento das seis naves, é a natureza descartável do sistema. Uma vez disparada a carga útil, o sistema se esgota e não pode ser reabastecido. Walsh reconhece o desafio, mas avalia que o cálculo de custo-benefício se tornará favorável com os investimentos bilionários de empresas privadas em infraestrutura orbital e data centers espaciais.

A equipe agora trabalha para reduzir pela metade a quantidade de material utilizado, testando liberações pulsadas que prolongariam a vida útil do sistema e investigando órbitas mais eficientes. Também aprofundam estudos sobre a química envolvida para identificar os melhores elementos. Se você construir isso, se for implantado, ajudará todas as pessoas do planeta. Não seria possível fazê-lo de forma que beneficiasse apenas um país ou grupo de satélites, afirmou Walsh.

O material injetado na alta atmosfera seria expulso naturalmente pela magnetosfera em cerca de seis horas, dissipando-se pelas rotas do campo magnético terrestre sem gerar lixo espacial permanente. Diferente da maioria das pesquisas do Laboratório de Física e Tecnologia Espacial da Universidade de Boston, focadas em observar o ambiente espacial, o StormWall se destaca como uma proposta ousada de intervenção ativa. Isso é bem diferente do que qualquer um está fazendo agora. Não conheço ninguém propondo geoengenharia no espaço, concluiu Walsh.

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