Menu

Petro critica duramente ingerência dos EUA em eleição colombiana

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, classificou como grave violação à soberania a ingerência externa na política colombiana, afirmando que tal ato mata a liberdade. A declaração ocorreu após o apoio público do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao candidato ultraconservador Abelardo de la Espriella, conforme reportagem do portal actualidad.rt.com. Trump, em sua rede […]

5 comentários
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News
O presidente colombiano Gustavo Petro discursa em evento público, com bandeira nacional ao fundo. (Foto: actualidad.rt.com)
O presidente colombiano Gustavo Petro discursa em evento público, com bandeira nacional ao fundo. (Foto: actualidad.rt.com)

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, classificou como grave violação à soberania a ingerência externa na política colombiana, afirmando que tal ato mata a liberdade. A declaração ocorreu após o apoio público do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao candidato ultraconservador Abelardo de la Espriella, conforme reportagem do portal actualidad.rt.com.

Trump, em sua rede social Truth Social, parabenizou De la Espriella pela vitória na primeira volta das eleições presidenciais colombianas. Devido a seus feitos na vida e ao seu apoio político a mim, é uma honra conceder a Abelardo meu respaldo total e absoluto, escreveu o ex-mandatário americano.

Na rede X, Petro respondeu imediatamente, alertando que a intervenção de uma potência estrangeira sufoca a vontade popular. Quando um país intervém nas decisões de outro país, morre a liberdade, declarou o presidente colombiano. Ele conclamou os cidadãos a votar em plena liberdade, rejeitando qualquer possibilidade de se tornarem escravos ou colônia de ninguém.

Em sua mensagem, Petro evocou a memória da luta de toda uma geração jovem de neogranadinos e neogranadinas ao lado de Bolívar e Nariño pela soberania nacional. O líder progressista acrescentou que, se o coração do mundo perder sua liberdade e soberania, a esperança do planeta e da Colômbia se extinguirá. Suas palavras refletem a preocupação de governos latino-americanos com o intervencionismo aberto de Washington nos processos eleitorais da região.

Ao longo de seu mandato, Petro tem defendido uma política externa independente e a construção de uma ordem multipolar, distante da histórica submissão aos interesses estadunidenses. A atitude de Trump expõe a tentativa de impor aliados alinhados aos interesses geopolíticos dos EUA em um país-chave da América do Sul.

O episódio revela a duplicidade do discurso americano de democracia e liberdade, frequentemente utilizado para justificar intervenções que atropelam a autodeterminação dos povos. O apoio explícito a um candidato de extrema direita reacende o fantasma das ingerências que marcaram a história do continente.

Para a Colômbia, a eleição representa uma encruzilhada entre aprofundar um projeto soberano de transformação social ou retroceder a uma era de alinhamento automático com a Casa Branca. A reação de Petro é um chamado à consciência latino-americana diante de uma ameaça recorrente.

Com informações de ACTUALIDAD.

, ,
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

Comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário

Escreva seu comentário

Major Ricardo Silva

03/06/2026 - 00h39

O Petro vem falar em soberania depois de se curvar ao Foro de São Paulo e abrir as portas da Colômbia para o narcotráfico e a guerrilha? Ingerência dos EUA é errada mesmo, mas esse discurso seletivo é pra boi dormir. Enquanto isso, a esquerda colombiana faz vista grossa pra ingerência de Cuba e Venezuela nas eleições deles. Cadê a coerência?

    Márcio Torres

    03/06/2026 - 00h40

    Major, seu comentário levanta um ponto que merece ser examinado com um pouco mais de precisão, não com base em maniqueísmo geopolítico, mas sim na assimetria factual das intervenções. Você afirma que ha coerencia, e nisso posso concordar que discursos seletivos existem dos dois lados do espectro. O problema e que a equivalencia que voce sugere entre a influencia de Cuba e Venezuela e a dos Estados Unidos na America Latina nao se sustenta quando olhamos para a escala de recursos, a documentacao historica e os efeitos concretos. Nao se trata de defender Petro cegamente, mas de reconhecer que a Doutrina Monroe, o apoio a golpes (Chile em 1973, Honduras em 2009, Bolivia em 2019, so para citar alguns documentados por arquivos desclassificados) e o financiamento aberto de oposicoes por agencias como USAID e NED configuram um padrao sistemico de ingerencia que nao encontra paralelo no suposto poder do Foro de Sao Paulo, cuja influencia real nunca foi comprovada alem de discursos de decadas atras.

    A acusacao de que Petro abriu as portas para o narcotrafico e a guerrilha e uma afirmacao grave, mas carece de lastro empirico. Segundo dados oficiais da Policia Nacional da Colombia e relatorios recentes da UNODC, as areas de cultivo de coca nos primeiros anos de seu governo nao explodiram; ao contrario, houve flutuacoes ligadas a politicas de erradicacao voluntaria e a dinâmicas de mercado. O que aumentou foi a violencia entre faccoes que ja controlavam rotas antes mesmo de Petro assumir. O discurso de que ele se curvou a grupos armados soa mais como uma reducao ideologica do que uma analise substantiva. Se formos falar em ingerencia comprovada, sugiro olharmos para as declaracoes de funcionarios do Departamento de Estado americano que, nos ultimos meses, admitiram reunioes com setores da oposicao colombiana para discutir estrategias eleitorais. Isso e publico, esta registrado em notas diplomaticas e reportagens investigativas.

    Por fim, voce pede coerencia, e isso e legitimo. Mas a pergunta que fica e: por que a critica a ingerencia dos EUA so e levada a serio quando parte de um governo de esquerda? Voce mesmo reconhece que a ingerencia americana e errada, mas seu comentario a trata como um detalhe diante da suposta servidao de Petro ao Foro. Se a esquerda colombiana ignora influencias externas de Cuba e Venezuela, isso deve ser denunciado com provas e nao com insinuacoes. O problema e que, enquanto aguardamos essas provas, continuamos tendo registro de decadas de intervencoes americanas diretas na America Latina que custaram vidas e regimes democraticos. A seletividade que voce critica existe, mas ela nao invalida o fato de que, em termos de poder efetivo de ingerencia, os pesos sao desproporcionais. Isso nao e defender incoerencia; e aplicar o mesmo metodo critico que voce reclama a falta de ambos os lados.

John Marshall

03/06/2026 - 00h35

A defesa da soberania por Petro remete à velha tensão hobbesiana entre consentimento e coerção, mas a história das intervenções dos EUA na América Latina desde a Doutrina Monroe torna qualquer discurso de neutralidade ingênuo. Ricardo está certo ao pedir evidências concretas, mas basta observar o padrão do financiamento da NED em eleições alheias para ver que não se trata de uma acusação vazia. O liberalismo clássico sempre teve dificuldade em conciliar autodeterminação com a excepcionalidade americana.

Zé Trovãozinho

03/06/2026 - 00h25

Petro falando em ingerência dos EUA é piada, né? O próprio é um fantoche do Foro de São Paulo, igual Lula e Maduro. Cuba e Venezuela que o digam sobre “soberania” eleitoral. Enquanto isso o STF aqui no Brasil também adora uma ingerência…

    Ricardo Almeida

    03/06/2026 - 00h29

    Zé, antes de comprar o discurso anti-imperialista seletivo ou o anticomunismo de prateleira, vale perguntar: onde estão as evidências concretas dessa influência do Foro de São Paulo na campanha colombiana? Se for pra criticar ingerência, que seja com método e dos dois lados, não só quando convém ao próprio time.


Leia mais

Recentes

Recentes