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Colapso catastrófico ou vitória redentora? O futuro de Ciro Gomes nas eleições do Ceará

Não dá para entender a eleição do Ceará sem olhar para dois números, a aprovação de Lula e a aprovação do governador Elmano de Freitas. Lula tem 62% de aprovação no estado, contra 34% que desaprovam. Entre as mulheres chega a 65%, e entre os eleitores com mais de 60 anos vai a 74%. A […]

14 comentários
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André Fernandes e Alcides Fernandes (PL) no evento de filiação de Ciro Gomes ao PSDB. — Foto: Thiago Gadelha/SVM

Não dá para entender a eleição do Ceará sem olhar para dois números, a aprovação de Lula e a aprovação do governador Elmano de Freitas.

Lula tem 62% de aprovação no estado, contra 34% que desaprovam. Entre as mulheres chega a 65%, e entre os eleitores com mais de 60 anos vai a 74%.

A força aparece em todas as faixas de renda e cresce na base. Quem ganha até um salário mínimo aprova o presidente em 67%.

A única fratura clara é religiosa. Entre católicos a aprovação é de 71% e cai para 38% entre evangélicos.

Aprovação de Lula no Ceará

Essa aprovação já é voto. No primeiro turno Lula tem 60% das intenções contra 21% de Flávio Bolsonaro, e no segundo turno vence por 61% a 28% no estado.

Segundo turno para presidente no Ceará

O segundo número decisivo é a aprovação de Elmano, de 57% contra 34%. Entre mulheres sobe para 60% e entre os maiores de 60 anos chega a 73%.

O eleitorado de Elmano é o mesmo de Lula, mais pobre, mais feminino e mais velho. Ele tem 60% de aprovação entre quem ganha até um salário e só cai para 49% acima de dois salários.

Aprovação do governador Elmano de Freitas

Essa aprovação ainda não virou intenção de voto por inteiro, mas em eleição majoritária ela converge. Quem aprova um governo tende a votar nele, ainda mais com um presidente tão forte no estado.

Os cruzamentos confirmam o vínculo. Entre quem já declara voto em Elmano, Lula é aprovado por 87%, enquanto entre os eleitores de Ciro a avaliação de Lula racha em 50% a 47%.

Por que o espontâneo engana

O voto espontâneo parece favorável a Ciro, mas esconde a disputa real. Ele tem 18% e Elmano 14%, com 59% que ainda não sabem em quem votar.

A diferença vem da renda. Entre quem ganha mais de dois salários Ciro tem 30% e Elmano 19%, mas entre quem ganha até um salário Ciro cai para 12% e quase empata com os 10% de Elmano.

É nessa faixa que estão os indecisos. Entre os mais pobres, 67% não sabem em quem votar, contra 40% no topo da pirâmide de renda.

Esse indeciso de baixa renda é o mesmo eleitor que aprova Lula e vota em Lula. Na hora de decidir, ele tende a ir para Elmano.

O interesse pela eleição reforça o ponto. Entre os mais pobres, 45% dizem ter pouco ou nenhum interesse hoje, e esse eleitor entra na disputa mais tarde.

Ciro surfa num recall que vai acabar

A vantagem de Ciro na estimulada, 44% contra 33%, vive de memória. O eleitor cearense ainda não percebeu que o Ciro de hoje não é o aliado de Lula e de Cid Gomes do passado.

Segundo turno para governador do Ceará

O Ciro de 2026 caminha com Flávio Bolsonaro e com Capitão Wagner. Quando o eleitor descobrir isso, a tendência é migrar para Elmano.

Por isso ele se esconde. Circula em ambientes controlados, fala só de segurança e foge dos temas que o expõem.

Ciro não fala de Trump, não fala de Flávio e não fala do tarifaço, que ameaça produtos cearenses. Até Caiado e Zema reclamam da tarifa, mesmo jogando a culpa em Lula, mas Ciro fica calado.

Ele chegou a gravar um vídeo passando pano na decisão dos Estados Unidos de tratar facções como terroristas. O problema não é uma invasão improvável, é o flanco aberto para chantagear empresas, governos e a própria classe política brasileira.

O bolsonarismo usa Ciro como bobo da corte, um espantalho de esquerda para bater em Lula. Quando não precisar mais, vai cuspi-lo, porque exige fidelidade canina ao que há de mais reacionário.

Nesse caminho ele leva aliados junto, como Mauro Filho e Roberto Cláudio. E a persona agressiva que construiu desde 2022 afasta justamente as mulheres e os moderados, que decidem o voto mais perto da eleição.

A eleição não está decidida. A estimulada mostra Ciro na frente, mas o voto das mulheres, dos mais pobres, a terceira idade, os indecisos e a aprovação de Lula e Elmano, contam outra história.

A disputa real está no cidadão, especialmente de baixa renda, eleitor de Lula, que ainda não entrou ainda no clima eleitoral. Quando a campanha vai nacionalizar, a vantagem de Ciro tende a minguar, e Elmano pode repetir a performance que obteve em 2022.

Baixe aqui a íntegra da pesquisa Ipsos / Ipec.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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Comentários

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Paulo

06/06/2026 - 16h33

Fora do tema, acho que vale a reflexão sobre a decisão dessa juíza do tribunal do júri carioca inocentando a mãe omissa do menino morto brutalmente por um psicopata repugnante. Como assim, atribuir às notícias – e opiniões – da imprensa um suposto “pré-julgamento por misoginia, que buscava incriminá-la”? A coisa não fecha, porque a pauta da imprensa é exatamente contrária a isso, é precisamente de culpar, sempre que possível, os homens (isso até fizeram, no caso, embora de forma atenuada, considero, até pra disfarçar, mas não sem a contrapartida do absurdo perdão da pena à mãe da vítima). Estaria essa magistrada contaminada por um discurso feminista arraigado? Ou queria lacrar? É lamentável…O pai desse menino Borel é a verdadeira vítima, além do próprio menino…Minha repulsa a esse estado de coisas deve ficar aqui registrada…

Sebastião

06/06/2026 - 01h06

Eleições no Nordeste são nacionalizadas. Tanto que os políticos do centrão, tendem a apoiar Lula. Ciro Nogueira por exemplo, já estava com essa intenção de reaproximação com Lula, mas com a crise do Master, vai declinar da candidatura ao senado.

Fernanda Oliveira

05/06/2026 - 12h03

Ciro sempre soube surfar contra a corrente, mas com Lula batendo 62% de aprovação no Ceará e Elmano bem avaliado, o espaço para um discurso antissistema encolheu. Quem aposta em colapso ignora que o eleitorado mais velho e as mulheres, fiéis ao PT, não migram fácil. Já a vitória redentora exigiria dele um pragmatismo que nunca teve – e os números de rejeição que ele carrega pelo país são um alerta que nem os aliados mais otimistas conseguem ignorar.

Marcos Andrade Niterói

05/06/2026 - 12h02

Ciro já era. Com Lula batendo 62% de aprovação e Elmano bem avaliado, não sobra espaço para aventuras eleitorais no Ceará. Enquanto isso, aqui em Niterói a gente sabe o que é gestão de verdade com Rodrigo Neves – o cara entregou o túnel e não ficou de mimimi. Quem acha que esse governo extremista de direita vai fazer algo pelo povo está muito enganado.

    Carlos Menezes

    05/06/2026 - 12h02

    Marcos, você transfere aprovação presidencial automaticamente para cenário local como se fosse matemática eleitoral, mas no Ceará o eleitor já mostrou que sabe separar as coisas. Sobre Niterói, não conheço a gestão a fundo, mas esse maniqueísmo de “extremista de direita” vs “salvador da pátria” empobrece o debate.

      Lurdinha Deus Acima de Todos

      05/06/2026 - 12h02

      Amigo, vai tomar um café e deixa de filosofar, pq o Ciro é o escolhido e o resto é papo de comunista! ????

        Julia Andrade

        05/06/2026 - 12h02

        Oi, Lurdinha. Antes de tudo, obrigada pelo café simbólico — confesso que nunca recuso um convite pra pausa e reflexão. Mas o que me intriga no seu comentário é justamente a recusa em filosofar, como se pensar fosse um luxo ou um desvio. A ideia de que Ciro Gomes é “o escolhido” me soa menos como análise política e mais como narrativa messiânica, um enquadramento que a ciência política brasileira já identificou em várias lideranças populistas, de Getúlio a Jânio, passando por certas leituras do lulismo. O problema é que transformar um político em ungido divino tira a agência do eleitorado e transforma o voto em ato de fé, não em escolha racional. E fé, como a gente sabe, não admite debate — por isso o atalho de chamar qualquer discordância de “papo de comunista”.

        O termo “comunista” virou um curinga no baralho do debate público brasileiro, uma espécie de acusação que encerra conversas em vez de abri-las. Se eu disser que a herança do coronelismo cearense ainda estrutura alianças partidárias, sou comunista? Se eu lembrar que o próprio Ciro já flertou com pautas da esquerda e da direita dependendo do vento eleitoral, sou comunista? Não, Lurdinha, sou apenas alguém tentando entender por que o Ceará — estado com tanta potência cultural e econômica — ainda oscila entre a redenção salvacionista e o colapso da máquina pública. O futuro das eleições cearenses não se decide no altar, mas na disputa concreta por projetos de desenvolvimento, distribuição de renda e reconhecimento de pautas identitárias e territoriais.

        E já que você trouxe a bandeira nacional e o símbolo de oração, vou te responder com o mesmo respeito que espero de volta: acredito que o Brasil precisa menos de escolhidos e mais de cidadãos que escolhem com informação. Filosofar não é frescura, é exercício de cidadania. Quando você reduz o outro a “comunista” por questionar, você está fechando a porta para o diálogo que poderia fortalecer justamente o projeto político que você defende. Se Ciro é tão bom, que seus argumentos convençam sem precisar de atalhos divinos ou ameaças verbais. Meu convite é para um debate de verdade — sem apelação, sem rótulo, com café e paciência. O que me diz?

Maria Silva

05/06/2026 - 12h01

Com esses números de aprovação do Lula e do governador no Ceará, acho que o Ciro precisa de um milagre mesmo. Tomara que o eleitor vote com consciência e não caia em radicalismos, seja de um lado ou de outro. O importante é escolher quem realmente trabalha pelo povo.

    Ana Rodrigues

    05/06/2026 - 12h01

    Concordo plenamente, Maria. No dia a dia, o que a gente vê é briga de político enquanto o povo paga o pato. Votar com a cabeça e não com o coração já é meio caminho andado pra ter alguém que olhe pro trabalhador de verdade.

Mariana Ambiental

05/06/2026 - 12h00

Ciro Gomes insiste em fazer política no personalismo enquanto o povo cearense demonstra nas pesquisas que está com quem entrega comida na mesa e reforma agrária de verdade. Enquanto ele se acha o salvador da pátria, Lula e Elmano seguem com 62% de aprovação porque governam para quem mais precisa, não para a própria vaidade. Se Ciro quer ser relevante de novo, melhor largar o ego e aprender com a base do PT que constrói poder de baixo pra cima.

    Capitão Tavares ??

    05/06/2026 - 12h00

    Esses 62% são o retrato de um povo dopado por bolsa-família e discurso vazio. Enquanto o PT financia o caos, o Brasil sangra. Só a intervenção militar limpa essa porcariada.

      Cíntia Alves

      05/06/2026 - 12h00

      Amigo, 62% votando é democracia funcionando, mesmo que você discorde. Intervenção militar é o que realmente dopa um país — e olha que o histórico recente de farda no poder não vem com cheque vazio, vem com fuzil.

      Mariana Santos

      05/06/2026 - 12h01

      Capitão, seu discurso ecoa o mesmo autoritarismo que já custou 21 anos de ditadura e milhares de vidas ao Brasil. Bolsa Família não dopa ninguém, tira gente da fome — enquanto isso, a “intervenção militar” que você defende sempre serviu pra proteger elite e enterrar pobre em vala comum.

        Roberto Lima

        05/06/2026 - 12h01

        Mariana, você confunde autoritarismo com ordem e progresso. O Bolsa Família é esmola com dinheiro do meu suor que transforma cidadão em dependente, enquanto a verdadeira liberdade vem do trabalho e da iniciativa privada — e olhe que sei bem o que é tirar sustento da terra sem pedir esmola a governo nenhum.


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