A cientista chinesa Xu Ying, figura central no desenvolvimento do Sistema de Navegação por Satélite BeiDou da China, rejeita o rótulo de “deusa” e afirma que a pesquisa científica transcende gênero.
Xu Ying tem 43 anos e é natural da província de Sichuan, no sudoeste da China. Sua mãe era professora de matemática e seu pai técnico agrícola.
Criança superdotada com paixão por física e matemática, Xu começou a escola primária aos quatro anos de idade, ingressou na universidade aos 16 para estudar engenharia de comunicações e ficou consistentemente no topo de sua turma em cada período letivo.
Aos 20 anos, ela se matriculou em um programa combinado de mestrado e doutorado no Instituto de Tecnologia de Pequim. Três anos depois, tornou-se parte da equipe que desenvolvia o BeiDou, o sistema de navegação por satélite indígena da China.
Atualmente, o BeiDou compete com o GPS dos Estados Unidos e o GLONASS da Rússia. O sistema é utilizado em transporte, previsão meteorológica, socorro em desastres e segurança pública, com acordos de cooperação firmados com 137 países e regiões.
A indústria em torno do sistema gerou um valor de produção de 1,33 trilhão de yuans no ano passado.
A trajetória de Xu foi conquistada com dificuldade. No início de sua carreira no BeiDou, cálculos imprecisos e metodologias de pesquisa desconhecidas atrapalharam o progresso, levando-a a passar noites no laboratório e dedicar fins de semana a testes redundantes.
Durante o terremoto de Ya’an em Sichuan, ocorrido em 2013, quando os sistemas de comunicação falharam, o BeiDou emergiu como recurso crucial para os socorristas. A equipe de Xu forneceu suporte posicional preciso em toda a zona de desastre.
Xu caracterizou o BeiDou não apenas como um projeto científico, mas como um “farol de vida” que resgata indivíduos em perigo.
Durante anos, o BeiDou enfrentou ceticismo público. Críticos o rotulavam como mera imitação do GPS e questionavam o valor de seu extenso investimento.
Xu trabalhou para transformar essa percepção, usando sua plataforma pública para explicar o sistema em termos acessíveis e envolventes. Em uma palestra viral que obteve mais de 20 milhões de visualizações online, ela ilustrou como o BeiDou poderia auxiliar drones em tarefas agrícolas e ajudar cientistas a monitorar espécies ameaçadas.
Essa apresentação a projetou aos olhos do público. Usuários da internet passaram a chamá-la de “Deusa do BeiDou” devido à sua inteligência, postura e beleza.
Xu, no entanto, desaprova o rótulo, considerando-o mais apropriado para influenciadores de mídia social. Ela prefere ser reconhecida como uma “jovem pesquisadora científica” e pede: “Não subestimem uma garota ao pé da montanha, e não a deifiquem quando ela alcança o cume.”
Xu obteve seu doutorado aos 26 anos e tornou-se a mais jovem supervisora de doutorado na Academia Chinesa de Ciências aos 32 anos.
Durante sua atuação, os projetos que liderou garantiram mais de 50 milhões de yuans em financiamento, e ela registrou 38 patentes de invenção.
Após receber seu doutorado, Xu enfrentou preconceito de gênero durante entrevistas de emprego. Um entrevistador homem comentou que mulheres eram inadequadas para pesquisa científica.
Ela respondeu: “Não existe gênero inadequado para pesquisa científica, apenas indivíduos inadequados para ela.”
Nas redes sociais, ela afirmou: “As mulheres estão em seu momento mais belo quando perseguem suas paixões.”
Em 2023, Xu recebeu diversas honrarias nacionais, incluindo o Prêmio de Jovem Cientista da Academia Chinesa de Ciências. Atualmente, ela atua como engenheira-chefe adjunta do Departamento de Sistemas de Navegação da instituição.
Sua história teve ampla repercussão nas redes sociais da China continental. Um observador online comentou: “Deusa nunca é o termo mais preciso para descrever uma mulher poderosa. Seu sucesso está enraizado em habilidade, conquista, talento e caráter – não em aparência.”
Material de referencia publicado por SCMP.


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