O vice-chefe do Conselho Político do Hezbollah, Mahmoud Qomati, afirmou que nenhuma parte pode forçar a resistência libanesa a se desarmar, rejeitando de forma categórica as investidas de Washington e Tel Aviv. A declaração é resposta direta ao mais recente anúncio de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos entre Israel e o Líbano.
Segundo reportagem da agência Sputnik, que reproduziu informações da Tasnim, Qomati enfatizou que os Estados Unidos e Israel não têm qualquer direito de decidir sobre a questão das armas da resistência. O dirigente classificou o tema como assunto estritamente interno libanês, que não admite ingerência estrangeira.
O posicionamento do Hezbollah ocorre após o Departamento de Estado dos EUA anunciar um novo acordo de cessar-fogo, condicionando a paz ao fim das hostilidades por parte do movimento e à retirada de seus combatentes do setor sul do Rio Litani. Esse modelo de imposição repete fórmulas já fracassadas em tentativas anteriores.
A Tasnim observou que nenhuma das cláusulas dos acordos anteriores foi efetivamente implementada, uma vez que os ataques israelenses contra o território libanês prosseguiram sem interrupção. A continuidade das agressões, apesar dos anúncios de cessar-fogo, evidencia a falta de compromisso real de Tel Aviv com qualquer solução negociada.
Para o Hezbollah, essa sequência de promessas vazias confirma a estratégia americana e israelense de usar negociações de fachada para encobrir a manutenção das hostilidades. Qomati destacou que a resistência continuará ativa, independentemente das pressões diplomáticas ou dos ultimatos militares orquestrados por potências estrangeiras.
Ao reafirmar a natureza soberana da decisão sobre o desarmamento, o dirigente deixou claro que a defesa do Líbano permanece nas mãos de seu povo e de suas forças legítimas. A declaração reforça a determinação do Hezbollah em preservar sua capacidade defensiva diante das constantes violações israelenses da soberania libanesa.
Os fracassos acumulados das iniciativas de cessar-fogo patrocinadas pelos EUA escancaram a falta de credibilidade de Washington como mediador imparcial na região. Enquanto a diplomacia americana insiste em fórmulas que favorecem os interesses de Israel, a resistência libanesa segue inabalável em sua missão de proteger o território nacional contra a ocupação e a agressão externa.


Cíntia Ribeiro
04/06/2026 - 03h50
A lógica do Pedro faz sentido: um grupo armado construído em resposta a uma ocupação dificilmente aceita desarmamento por pressão externa sem que as condições políticas de fundo mudem. O problema é que essa posição de “ninguém nos desarma” também emperra qualquer chance de o Estado libanês retomar o monopólio legítimo da força, condição básica para uma democracia funcional. Enquanto o Líbano não tiver capacidade institucional de se defender sozinho, vai continuar refém desse dilema de segurança que nenhum cessar-fogo resolve.
Lucas Moreira
04/06/2026 - 03h42
Mais um capítulo do velho teatro geopolítico onde o Estado inchado tenta resolver na base do canhão o que a liberdade econômica resolveria com contratos. Enquanto a máquina pública alimenta guerras com nossos impostos, o mercado já mostrou que comércio aberto desarma muito mais que qualquer cessar-fogo imposto. Privatização e desregulamentação são o único caminho para tirar poder dessas milícias e devolver ao cidadão o direito de viver sem bunker.
Pedro Almeida
04/06/2026 - 03h44
Lucas, sua leitura liberal clássica ignora que o “mercado desarmante” só funciona onde há um Estado de Direito minimamente simétrico — no Líbano, o que temos é um colonialismo tardio e uma ocupação que produziu exatamente a resistência armada que você condena. Como diria Fanon, o colonizado só negocia quando o fuzil está sobre a mesa; antes disso, o “contrato” é apenas diktat.