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Praga contrata expansão de bonde por 599 milhões de coroas com cofinanciamento europeu

A capital tcheca deu um passo importante para ampliar sua já extensa rede de bondes, com a escolha do consórcio que construirá a ligação entre Olšanská e Habrová. o grupo formado por Firesta, Pedasta e N+N apresentou uma proposta de 599,2 milhões de coroas tchecas, mais IVA. O valor ficou quase 110 milhões de coroas […]

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Vista da futura extensão da linha de bonde Olšanská – Habrová em Praha, com trilhos e veículos em projeto. (Foto: railwaygaze
Vista da futura extensão da linha de bonde Olšanská – Habrová em Praha, com trilhos e veículos em projeto. (Foto: railwaygazette.com)

A capital tcheca deu um passo importante para ampliar sua já extensa rede de bondes, com a escolha do consórcio que construirá a ligação entre Olšanská e Habrová. o grupo formado por Firesta, Pedasta e N+N apresentou uma proposta de 599,2 milhões de coroas tchecas, mais IVA. O valor ficou quase 110 milhões de coroas abaixo do orçamento de referência da autoridade de transportes de Praga (DPP), representando uma economia expressiva.

Com aproximadamente dois quilômetros de extensão, o novo trecho será parcialmente em via única e contará com seis paradas. A linha aproveitará o traçado da desativada ferrovia Praha-Žižkov – Praha-Malešice e ocupará o terreno do antigo pátio de carga de Žižkov, atualmente em processo de reconversão em um novo bairro. A DPP, empresa municipal de transportes, prevê o início das obras para o terceiro trimestre deste ano, com duração estimada de 12 meses.

O projeto é cofinanciado pela União Europeia por meio do programa CEF Transporte 2021–2027, reforçando o compromisso do bloco com a mobilidade urbana sustentável. O reaproveitamento de infraestrutura ferroviária obsoleta para transporte de passageiros é uma tendência em várias cidades europeias e se alinha com as metas de descarbonização do continente. No caso de Praga, a nova linha de bonde dará vida a uma área antes ocupada por depósitos e trilhos abandonados, conectando o futuro distrito residencial a outras partes da cidade.

A expansão da rede de bondes é uma das prioridades da prefeitura da capital tcheca para reduzir a dependência do automóvel. Atualmente, Praga já conta com mais de 140 quilômetros de linhas de elétricos, um dos sistemas mais densos da Europa Central. Além da extensão Olšanská–Habrová, a cidade planeja outros projetos, como a nova linha para o bairro de Komořany e a ponte exclusiva para pedestres e bondes sobre o rio Moldava, cuja inauguração está prevista para breve. A rede de bondes praguense transporta anualmente centenas de milhões de passageiros, rivalizando com o metrô em cobertura e frequência.

O financiamento europeu faz parte do Mecanismo Interligar a Europa (CEF), que apoia projetos de infraestrutura de transporte nos Estados-membros. Para o período 2021–2027, o programa tem dotação total de 25,8 bilhões de euros, destinados a melhorar a conectividade e a sustentabilidade do setor. Com a assinatura do contrato, Praga se junta a outras capitais europeias que investem pesadamente em sistemas de transporte público limpo. A obra, que deve ser concluída em meados de 2027, transformará a mobilidade de uma região em franca revitalização urbana.

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Comentários

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Fernanda Oliveira

04/06/2026 - 06h08

Interessante ver como a discussão rapidamente escorre para dois extremos: de um lado, o mantra de que privado é sempre mais barato; do outro, a defesa quase automática de que qualquer gasto público é justificado pela “mobilidade como direito”. A notícia diz que o consórcio venceu com proposta abaixo do esperado? Seria bom comparar com o preço de referência da licitação antes de tirar conclusões. E, sinceramente, comparar custos de infraestrutura na República Tcheca com os do Brasil é comparar laranjas com bananas — realidades fiscais, trabalhistas e regulatórias completamente diferentes.

Roberto Lima

04/06/2026 - 06h00

O Eduardo tem toda razão. Enquanto eles gastam rios de dinheiro público em bondinho com ajuda da União Europeia, aqui no Brasil a gente paga imposto pra sustentar obra ineficiente e ainda ouve discurso de que mobilidade é “direito social”. Direito mesmo é o contribuinte não ser roubado. Se fosse a iniciativa privada, isso saía pela metade do preço e ainda com lucro.

    Letícia Fernandes

    04/06/2026 - 06h02

    Roberto, seu comentário revela uma adesão tão sincera ao senso comum neoliberal que chega a despertar uma espécie de pena teórica. Você repete o mantra de que “se fosse a iniciativa privada saía pela metade do preço” como se isso fosse um axioma, e não uma hipótese desmentida pela história concreta do capitalismo periférico. O problema não está no preço do bondinho de Praga, está na sua recusa em enxergar que a suposta eficiência privada opera sempre transferindo custos para o Estado e para o trabalhador. Quando uma concessionária brasileira “economiza” 30% numa obra, ela está, via de regra, comprimindo salários, terceirizando responsabilidades ambientais e usando concreto de qualidade inferior que demandará reparos em cinco anos. A conta, meu caro, não some: ela é apenas redistribuída para baixo, na forma de acidentes, passagens mais caras e vidas interrompidas.

    Você fala em “direito do contribuinte não ser roubado” como se o roubo sistemático não tivesse nome e sobrenome no Brasil. Quem rouba o contribuinte não é o Estado que financia mobilidade pública – são os agentes privados que capturam o Estado via financiamento de campanha, que transformam concessões em monopólios e que elevam tarifas sob o pretexto de “equilíbrio econômico-financeiro”. O bondinho de Praga, cofinanciado pela União Europeia, é parte de um projeto de coesão territorial que reduz desigualdades regionais. Aqui, o mesmo discurso de “eficiência privada” que você reproduz é o que justifica a precarização do transporte coletivo, o sucateamento dos trens urbanos e a transformação da mobilidade num fator de exclusão: quem não pode pagar R$ 5,20 por passagem simplesmente não circula, não acessa emprego, não adoece no hospital certo.

    Por fim, sua equiparação entre o contexto europeu e o brasileiro é politicamente ingênua ou ideologicamente deliberada. Lá, o cofinanciamento europeu representa um fundo solidário entre nações que pactuaram reduzir disparidades – aqui, o dinheiro público que você diz “torrado” é sistematicamente drenado pelo serviço da dívida, que transfere 40% do orçamento federal para o rentismo financeiro, enquanto a infraestrutura pública murcha. O “contribuinte roubado” que você defende é o mesmo que financia, via impostos regressivos, os juros estratosféricos pagos a bancos que nem precisam concorrer para oferecer crédito. Enquanto você clama por menos Estado, o capital privado agradece: afinal, Estado mínimo para o pobre significa Estado máximo para o lucro dos acionistas. Seu direito de não ser roubado, Roberto, só será realizado quando a mobilidade for tratada como o bem comum que é – e não como mais uma mercadoria a ser leiloada ao menor custo trabalhista.

Eduardo Teixeira

04/06/2026 - 05h52

Mais um exemplo de como o dinheiro público é torrado com obra superfaturada. Se fosse a iniciativa privada tocando isso, sem cofinanciamento europeu, o custo seria no mínimo 30% menor. Enquanto isso, aqui no Brasil a carga tributária só aumenta e a infraestrutura pública continua um desastre.

    João Carlos da Silva

    04/06/2026 - 05h54

    Eduardo, sua crítica carrega um pressuposto que precisa ser desmontado: a ideia de que a iniciativa privada é intrinsecamente mais eficiente. Esquece que a Praga cofinanciada pela UE não opera sob a lógica do lucro, mas da expansão do direito à mobilidade como bem comum. O que falta ao Brasil não é mais mercado, é planejamento estatal democrático e controle social efetivo sobre o gasto público.

    Caio Vieira

    04/06/2026 - 05h58

    Caro Eduardo, sua confiança na eficiência intrínseca da iniciativa privada como panaceia ignora o conceito gramsciano de hegemonia: o que está em jogo não é uma equação de custos abstrata, mas a disputa entre a mobilidade como mercadoria e a mobilidade como direito social. O cofinanciamento europeu, longe de ser uma “torrada”, representa a materialização de uma política pública deliberada de desprivatização dos espaços urbanos. Nossa carga tributária regressiva no Brasil financia uma infraestrutura precária justamente porque o orçamento público é capturado por interesses privados que aqui, sim, superfaturam sem qualquer contrapartida social.


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