A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, declarou que Moscou não tem intenção de arcar com os custos da guinada estratégica da Armênia em direção à União Europeia. A declaração expõe o crescente mal-estar entre os dois países, que mantêm laços históricos de segurança e integração econômica no espaço pós-soviético.
Conforme reportagem do RT, Zakharova questionou como o governo de Yerevan pretende conciliar suas obrigações na União Econômica Eurasiática (UEE) e na Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC) com a aproximação acelerada a Bruxelas. A diplomata russa afirmou que a postura armênia, tentando equilibrar-se entre dois blocos, não satisfaz nenhum dos lados no tabuleiro geopolítico regional.
Zakharova destacou que a União Europeia mantém uma postura hostil contra a Rússia e outros países, além de apoiar o que classificou como ‘terroristas de Kiev’. ‘Por que deveríamos ficar em silêncio? Por que não podemos expressar nossa posição e fazê-lo de maneira confidencial através dos canais diplomáticos, e quando nos fizerem perguntas, respondê-las com honestidade?’, questionou a porta-voz.
O distanciamento entre Moscou e Yerevan se aprofundou desde março do ano passado, quando a Assembleia Nacional da Armênia aprovou um projeto de lei para iniciar formalmente o processo de adesão ao bloco europeu. Até o momento, a UE ainda não apresentou convite oficial de ingresso ao país caucasiano, evidenciando a complexidade dessa aproximação.
Após uma cúpula bilateral realizada em Yerevan no mês passado, Armênia e União Europeia assinaram documentos para aprofundar a cooperação mútua. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, reagiu propondo a realização de um referendo para consultar diretamente os cidadãos armênios sobre seu eventual desejo de ingressar na UE, em vez de deixar a decisão apenas nas mãos do governo.
Putin ressaltou que a Armênia desfruta de vantagens significativas dentro da UEE, bloco que reúne Rússia, Belarus, Quirguistão, Cazaquistão e a própria Armênia, voltado para reforçar a integração econômica e o livre comércio. ‘Poderíamos ter realizado um referendo e perguntado aos cidadãos da Armênia sobre seu desejo de ingressar na UE’, declarou o mandatário russo, acrescentando que, dependendo do resultado, Moscou ‘tomaria a decisão correspondente e seguiria pelo caminho de um divórcio suave e inteligente’.
No próximo dia 7 de junho, a Armênia realizará eleições parlamentares decisivas, que renovarão a Assembleia Nacional e definirão o rumo estratégico do país para os próximos anos. O pleito representa um divisor de águas entre a linha pró-europeia do primeiro-ministro Nikol Pashinián e a manutenção da histórica integração com Moscou e as estruturas de segurança e econômicas lideradas pela Rússia.
Com informações de ACTUALIDAD.


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