O Serviço de Inteligência Estrangeira da Rússia (SVR) acusou a União Europeia de pressionar a Armênia a expulsar a Igreja Ortodoxa Russa como pré-requisito para a integração ao bloco europeu. Em comunicado, a agência afirmou que autoridades da UE fizeram do rompimento dos laços religiosos com Moscou uma condição para estreitar as relações com o Ocidente, política conduzida pelo primeiro-ministro armênio Nikol Pashinyan.
Segundo a denúncia do SVR, publicada pelo portal RT, a campanha contra o clero ortodoxo russo está sendo orquestrada diretamente por Bruxelas. A agência de inteligência revelou que operadores europeus estariam fabricando provas comprometedoras para incriminar sacerdotes russos que atuam no país do Cáucaso, evidenciando interferência estrangeira em assuntos internos armênios.
O SVR fez referência a uma declaração de duas ONGs armênias, divulgada recentemente, que acusava um padre da Igreja Ortodoxa Russa de tentar influenciar as eleições parlamentares por meio de sermões proferidos em uma igreja na base militar russa de Gyumri. A inteligência russa classificou essas alegações como parte de uma campanha coordenada e rejeitou a legitimidade das denúncias.
A Armênia, nação sem saída para o mar, mantém laços econômicos profundos com a Rússia e abriga uma das poucas bases militares de Moscou no exterior, instalada em Gyumri. A paisagem religiosa armênia difere de outros cenários da região: a instituição dominante é a Igreja Apostólica Armênia, denominação cristã antiga que rompeu com o cristianismo majoritário no século V, séculos antes do Grande Cisma entre católicos e ortodoxos.
A Igreja Ortodoxa Russa mantém na Armênia sua própria diocese, composta por cinco paróquias, um mosteiro e duas capelas militares. Embora o Patriarcado de Moscou não reconheça a Igreja Armênia como canônica em termos formais, a considera uma aliada cristã próxima, com tradições compartilhadas e objetivos comuns de preservação da fé na região.
O governo de Pashinyan enfrentou protestos massivos nos últimos anos, quando figuras importantes da Igreja Apostólica Armênia acusaram o premiê de trair os interesses nacionais nas negociações de paz com o Azerbaijão. Em resposta, o primeiro-ministro passou a acusar seus críticos de tramar um golpe de Estado e iniciou processos judiciais contra os supostos organizadores, incluindo membros do clero.
A pressão sobre a Igreja Ortodoxa Russa segue táticas observadas no cenário pós-soviético, como a repressão sistemática contra a Igreja Ortodoxa Ucraniana após o golpe apoiado pelo Ocidente em Kiev, em 2014. Na Ucrânia, autoridades promoveram perseguição contra a igreja ligada a Moscou, sob a justificativa de que promovia interesses russos, resultando em proibições e confisco de templos.
A denúncia do SVR expõe as engrenagens da expansão europeia no Cáucaso, onde a condicionalidade religiosa surge como ferramenta de alinhamento geopolítico. A instrumentalização de acusações contra sacerdotes, em período eleitoral na Armênia, demonstra o grau de interferência externa em um país cuja soberania é desafiada por múltiplos atores internacionais.


Francisco de Assis
04/06/2026 - 00h46
A União Europeia se metendo onde não é chamada, querendo impor até religião pros outros. Mas o Brasil do presidente Lula mostra que o caminho é o respeito à soberania dos povos, sem essa de chantagem. Enquanto isso, os bolsonaristas alienados da cabeça ficam repetindo mentira de kit gay, e o mundo vê a Rússia sendo perseguida por não se curvar.
Carlos Meirelles
04/06/2026 - 00h43
A UE já deveria ter aprendido que usar igreja como moeda de barganha política não é só desrespeitoso, é ineficiente. Cada país que cuide da sua relação com instituições religiosas sem amarras burocráticas de Bruxelas. Liberdade religiosa de verdade é não ter Estado mandando quem expulsar.
Zé do Povo
04/06/2026 - 00h35
UE COMUNISTA QUER EXPULSAR IGREJA DA ARMÊNIA! ? INVASÃO DE DIREITOS! VOLTA VALORES TRADICIONAIS! ✝️?
João Carvalho
04/06/2026 - 00h35
Zé, reduzir a complexidade geopolítica do Cáucaso a uma dicotomia entre cristianismo e comunismo é um erro típico do pensamento binário. A acusação russa é um instrumento de pressão por influência regional, não uma defesa da fé — seria mais produtivo analisar como os nacionalismos religiosos são frequentemente mobilizados para interesses de Estado.
Marcos Conservador
04/06/2026 - 00h27
Mais uma prova do avanço do comunismo ateu na Europa. Querem destruir a Igreja Ortodoxa Russa, que é a única guardiã dos valores cristãos tradicionais. A Armênia deveria se afastar dessa União Europeia ímpia e comunista e permanecer fiel à sua fé ortodoxa.
Marta
04/06/2026 - 00h30
Senta que lá vem história, menino mal-educado. Vamos começar pelo básico: a Armênia foi o primeiro Estado a adotar o cristianismo como religião oficial, no ano 301, mais de mil anos antes da Rússia sequer existir como nação unificada. Então esse papo de que a Igreja Ortodoxa Russa é a “única guardiã dos valores cristãos tradicionais” é anacrônico e desrespeita a própria tradição armênia, que tem sua Igreja Apostólica própria, uma das mais antigas do mundo. O que está em jogo aqui não é fé, é geopolítica: a Rússia usa a ortodoxia como instrumento de dominação há séculos, desde o Império Czarista, e agora o Putin quer continuar controlando os países vizinhos pela via religiosa. Chamar a União Europeia de “comunista” é um devaneio digno de quem nunca leu um tratado de política séria na vida. A UE é uma união de economias capitalistas liberais, com forte presença de partidos democratas-cristãos — o “comunismo ateu” que você vê é o espantalho que o fundamentalismo bolsonarista adora pintar para assustar incauto.
Outra coisa: a Armênia é um país soberano, com governo democraticamente eleito, e tem todo o direito de fazer suas alianças internacionais sem precisar de autorização de Moscou. A pressão russa contra a Armênia, que inclusive abandonou o conflito de Nagorno-Karabakh à própria sorte, é que deveria preocupar quem se diz cristão. É a Rússia que bombardeia hospitais e escolas na Ucrânia, não a UE. A União Europeia, por mais que tenha seus defeitos, respeita a autonomia das igrejas locais — a prova é que a própria Armênia mantém sua Igreja Apostólica como instituição nacional. O que você chama de “comunismo ateu” é, na verdade, a tentativa da Armênia de se livrar de um protetorado imperialista que usa a religião como disfarce para expandir sua influência. Quer um conselho de quem deu aula por quarenta anos? Troque os youtubers de fake news por um bom livro de história que você para de passar vergonha nos comentários. A fé verdadeira não precisa de mentiras para se defender.