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Agência de Marcelão, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, larga contrato do BRB sob escândalo Master

Agência de Marcello Lopes, ex-chefe de comunicação de Flávio Bolsonaro, encerra contrato com o BRB após escândalo do Banco Master, expondo elo entre política e banco público.

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Ilustração editorial sobre Agência de Marcelão, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, larga contrato do BRB sob escândalo Master.
Ilustração editorial sobre Agência de Marcelão, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, larga contrato do BRB sob escândalo Master. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

A agência Cálix, do publicitário Marcello Lopes, conhecido como Marcelão, está encerrando o contrato de publicidade com o Banco de Brasília (BRB), instituição financeira controlada pelo governo distrital. A decisão ocorre após o desgaste provocado por sua proximidade com o senador Flávio Bolsonaro e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Marcelão foi o chefe de comunicação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, cargo que ocupou até ser afastado em meio à crise gerada pelos negócios entre o senador e Vorcaro. A relação, que envolveu empréstimos e gestos políticos, expôs o circuito de favores entre o clã Bolsonaro e instituições financeiras que transitam no aparelho estatal.

O publicitário deixou a pré-campanha em um momento delicado, quando a imprensa revelou que Vorcaro, ex-dono do Banco Master, havia repassado recursos ao senador em condições suspeitas. A ligação contaminou a imagem de Flávio Bolsonaro, já que Vorcaro estava no centro de investigações sobre transações atípicas com verbas públicas.

A saída da Cálix do contrato do BRB, revelada pelo coluna Radar da revista Veja a partir de informações da revista Veja, sinaliza um recuo tático. O banco estatal, cujo controlador é o governador Ibaneis Rocha, aliado histórico do bolsonarismo, era um dos clientes que sustentavam a agência de Marcelão, mesmo após seu afastamento da campanha.

O contrato publicitário do BRB já era alvo de questionamentos desde que os laços entre o publicitário e o senador vieram à tona. Em fevereiro deste ano, a agência negou irregularidades, mas a pressão aumentou à medida que a CPI do Banco Master avançava no Congresso. O banco negociava a venda de ativos e enfrentava suspeitas de esquemas de fachada.

O Banco Master, antes de implodir em um turbilhão de dívidas, foi a peça central de uma operação que misturava campanha política e negócios de fachada. Vorcaro emprestou milhões a aliados de Bolsonaro e teria usado o BRB para operações de liquidação duvidosa. A agência de Marcelão, ao mesmo tempo que gerenciava a comunicação da pré-campanha, lucrava com contratos do mesmo banco que bancava os interesses do clã.

As investigações da Polícia Federal apontaram que Flávio Bolsonaro recebeu repasses de cerca de R$ 300 mil, supostamente a título de empréstimo, mas sem as formalidades exigidas. A defesa nega qualquer irregularidade, mas o episódio deixou uma marca na imagem do parlamentar, que se projeta como presidenciável para 2026.

A perda do contrato publicitário do BRB retira da órbita do senador uma fonte de recursos indiretos que alimentava o ecossistema de comunicação do bolsonarismo. O banco público, com orçamento milionário para publicidade, servia de esteira para agências aliadas, as quais, por sua vez, revertiam parte dos ganhos em serviços à campanha.

O governador Ibaneis Rocha, que foi afastado temporariamente após os ataques de 8 de janeiro de 2023, mantém controle sobre o BRB e é um dos principais fiadores da estrutura bolsonarista no Distrito Federal. Sob sua gestão, o banco se tornou trincheira para apoiadores, replicando o modelo que o ex-presidente Jair Bolsonaro tentou impor no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal.

Para a campanha de 2026, a saída de Marcelão de um contrato que irrigava recursos publicitários expõe uma fragilidade na blindagem eleitoral. Flávio Bolsonaro tem buscado distanciar sua imagem do escândalo Master, afirmando que a relação com Vorcaro foi estritamente pessoal, mas os fatos desmentem essa narrativa. A manutenção de agências amigas no governo Ibaneis é uma tentativa de manter o fluxo financeiro, ainda que com peças substitutas.

A conexão entre o senador, o publicitário e o banco público ilustra o modus operandi do bolsonarismo: usar instituições do Estado como plataformas de financiamento político disfarçado. A própria Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e outros órgãos foram alvo de investigações semelhantes, o que revela um padrão sistêmico de captura.

A troca de agência não significa o fim da engrenagem. O BRB deve contratar outra empresa de comunicação alinhada, garantindo a continuidade da blindagem. No entanto, o episódio mostra que a exposição pública desses arranjos ainda é capaz de forçar recuos, mesmo em um ambiente dominado pela lealdade bolsonarista. O cenário para as eleições de 2026 permanece conflagrado por esse tipo de entrelaçamento entre dinheiro público e interesses políticos.

Com informações da coluna Radar, da revista Veja.

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