A nova pesquisa Vox Brasil, divulgada em 5 de junho de 2026, confirma movimentos profundos na conjuntura política nacional. Luiz Inácio Lula da Silva consolida uma trajetória ascendente, enquanto Flávio Bolsonaro, principal nome da extrema direita para a sucessão presidencial, enfrenta um visível desgaste de imagem pública. A aprovação da gestão federal agora empata tecnicamente com a desaprovação, refletindo uma recuperação sustentada da popularidade do governo nos últimos meses.
No primeiro turno, Lula lidera com 42,1% das intenções de voto, um crescimento expressivo de 7,8 pontos percentuais em relação ao levantamento de 14 de maio, quando registrava 34,3%. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro recuou de 36,5% para 33,6% no mesmo período, abrindo uma distância de 8,5 pontos percentuais para o líder da disputa. Projetando esses percentuais sobre o eleitorado oficial de 158 milhões de cidadãos aptos a votar no país, Lula conta hoje com cerca de 66,5 milhões de votos potenciais, enquanto o senador fluminense soma aproximadamente 53,1 milhões de eleitores.
Para além da fotografia imediata, a dinâmica de rejeição aponta um sinal de alerta grave para a oposição conservadora. A rejeição a Flávio Bolsonaro disparou 9 pontos percentuais no intervalo de vinte dias, saltando de 39,3% para 48,3%. Enquanto isso, a rejeição ao presidente Lula registrou queda de 4,9 pontos, recuando para 49,2%, o que coloca os dois principais polos eleitorais em patamar de igualdade nesse quesito.
A força de Lula na base da pirâmide e a muralha feminina
Os cruzamentos socioeconômicos revelam onde o atual presidente ancora sua resiliência e crescimento eleitoral. A pesquisa aponta que impressionantes 83,5% do eleitorado brasileiro possuem renda familiar de até 2 salários mínimos, o que representa aproximadamente 131,9 milhões de pessoas em termos absolutos. Nesse contingente majoritário, Lula obtém seu melhor desempenho, alcançando 55,1% das intenções de voto no primeiro turno.
O recorte de gênero também solidifica a vantagem governista, funcionando como uma verdadeira muralha contra o avanço da extrema direita. Entre as mulheres, que representam 52,8% do eleitorado nacional (cerca de 83,4 milhões de eleitoras), Lula lidera o primeiro turno com 46,0% (cerca de 38,4 milhões de votos). Flávio Bolsonaro, por sua vez, atrai apenas 30,8% do eleitorado feminino, sustentando sua competitividade quase inteiramente no eleitorado masculino, onde lidera com 40,1% contra 37,8% de Lula.
A segmentação educacional e regional confirma a clássica divisão demográfica do país. Lula atinge 53,2% dos votos entre eleitores analfabetos e alcança a liderança expressiva no Nordeste. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro lidera entre eleitores com ensino superior completo (39,1% a 38,4%) e mantém o domínio sobre a classe de rendimento superior a 10 salários mínimos, onde registra 41,7% contra 32,9% do petista.
Segundo turno consolida vantagem governista de 10 milhões de votos
Nas projeções para um eventual segundo turno entre os dois líderes das pesquisas, o atual presidente mantém uma vantagem robusta e fora da margem de erro. Lula lidera o confronto direto com 47,8% das intenções de voto, apresentando um crescimento de 7,6 pontos percentuais desde meados de maio. Flávio Bolsonaro aparece com 41,3%, registrando oscilação negativa de 2,5 pontos na comparação com a sondagem anterior.
Traduzindo os números para a dimensão real do eleitorado brasileiro, a vitória de Lula no segundo turno se daria por uma diferença estimada de mais de 10 milhões de votos. O petista alcançaria cerca de 75,5 milhões de votos, contra 65,3 milhões do adversário de extrema direita. Brancos e nulos somam 6,5% (cerca de 10,2 milhões), enquanto 4,4% (cerca de 6,9 milhões) não souberam ou não responderam.
No embate direto, Lula ultrapassa a barreira da maioria absoluta entre o eleitorado feminino, conquistando 50,8% das intenções de voto (cerca de 42,4 milhões de mulheres). Já Flávio Bolsonaro fica restrito a 38,3% de apoio entre as eleitoras, mas compensa parcialmente essa desvantagem ao liderar entre os homens com 46,5% contra 42,3% do atual mandatário. A divisão regional mostra Lula à frente no Nordeste com avassaladores 61,1% contra 27,8% do rival, enquanto Flávio vence no Sul por 56,2% a 32,7% e mantém ligeira liderança no Sudeste com 42,7% contra 39,1%.
Viagem internacional de Flávio e debate sobre escala 6×1 frustram oposição
A tentativa do bolsonarismo de nacionalizar temas de segurança pública ou de buscar legitimidade externa não surtiu o efeito desejado pela campanha. A viagem recente de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos para se encontrar com o ex-presidente Donald Trump foi avaliada negativamente por 36,3% dos entrevistados. Apenas 23,7% consideraram a agenda externa positiva, indicando que a estratégia de internacionalização da crise é amplamente rejeitada ou indiferente para 71,8% da população.
Outro tema de forte repercussão social que joga contra a pauta conservadora é a discussão sobre o fim da jornada de trabalho na escala 6×1. A proposta de redução da jornada conta com o apoio de 33,8% dos brasileiros (sendo 21,5% totalmente favoráveis e 12,3% favoráveis em parte), enquanto os contrários representam 27,6%. O expressivo contingente de 38,6% que não opinou reflete uma alta inércia ou necessidade de maior debate sobre os impactos econômicos e laborais da mudança.
Esse panorama indica que a retórica populista e as alianças externas da extrema direita encontram forte resistência na realidade concreta da classe trabalhadora. Com a desaprovação ao governo recuando para 49,3% e a aprovação subindo para 49,1%, a eleição de 2026 tende a se desenhar não como uma mera disputa ideológica abstrata, mas como um plebiscito sobre o desempenho de uma economia voltada à imensa maioria de baixa renda do país.
Metodologia e Ficha Técnica da Pesquisa
A pesquisa quantitativa de amostragem domiciliar foi realizada pelo Instituto Vox Brasil Opinião e Pesquisas Ltda (CNPJ 45.613.076/0001-20), de forma presencial com abordagem pessoal em domicílios particulares permanentemente ocupados no território nacional. Ao todo, foram realizadas 2.100 entrevistas presenciais entre os dias 1 e 3 de junho de 2026. O levantamento está devidamente registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número de identificação BR-08016/2026, com data de divulgação em 5 de junho de 2026. A margem de erro máxima estimada é de ±2,15 pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um intervalo de confiança de 95%. O estudo foi totalmente autofinanciado com recursos próprios do próprio instituto, com valor declarado de R$ 50.000,00. O estatístico responsável pelo projeto é Guilherme Coelho Neves, registrado no Conselho Regional de Estatística (CONRE) sob o número 9907.
Gráficos Detalhados da Pesquisa

Histórico de intenção de voto no primeiro turno (Lula x Flávio Bolsonaro). Fonte: Vox Brasil (BR-08016/2026)

Histórico de intenção de voto no segundo turno (Lula x Flávio Bolsonaro). Fonte: Vox Brasil (BR-08016/2026)

Intenção de voto do eleitorado feminino no segundo turno. Fonte: Vox Brasil (BR-08016/2026)

Intenção de voto entre o eleitorado jovem (16 a 24 anos) no primeiro turno. Fonte: Vox Brasil (BR-08016/2026)

Intenção de voto por faixa de renda familiar no primeiro turno. Fonte: Vox Brasil (BR-08016/2026)

Posicionamento ideológico declarado do eleitorado brasileiro. Fonte: Vox Brasil (BR-08016/2026)

Opinião do eleitorado sobre a redução da jornada de trabalho (escala 6×1). Fonte: Vox Brasil (BR-08016/2026)

Avaliação da viagem do senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos. Fonte: Vox Brasil (BR-08016/2026)


Paulo
09/06/2026 - 11h08
E os demais candidatos, onde estão nessa pesquisa?
João Carvalho
09/06/2026 - 02h02
A consolidação de Lula não é só sobre popularidade — é o reflexo de políticas que retomam a dignidade para quem foi esquecido pelo neoliberalismo. Já o desgaste de Flávio Bolsonaro revela o cansaço social com a retórica de ódio e a negação da realidade estrutural do Brasil. Equidade, justiça racial e proteção aos vulneráveis não são pautas secundárias: são o centro da nova agenda que o país começa, lentamente, a reconhecer.
Lurdinha Deus Acima de Todos
09/06/2026 - 02h02
Ai, meu Deus do céu! ??? As igrejas já vão fechar, mas o Lula tá subindo como foguete e o Flávio virou *pão dormido*! ???
Silvia Ramos
09/06/2026 - 02h02
Lurdinha, minha irmã em Cristo, não se assuste — as igrejas não fecham enquanto houver um só coração que clama: “Senhor, tem misericórdia!” ? A política passa, mas a Palavra permanece firme como rocha. Vamos orar, não desanimar!
Francisco de Assis
09/06/2026 - 02h02
Lurdinha tá no céu, Silvia, mas enquanto a gente tá aqui na terra, o que não fecha é a fábrica de respiradores em São Paulo e a escola nova no sertão — isso é misericórdia com pão, casa e direito, não só com oração. ?
Maura Santos
09/06/2026 - 02h02
Francisco, exatamente — misericórdia com pão na mão, não com promessa no céu. Enquanto a extrema-direita rezava o terço do apagão, a gente já estava inaugurando escolas e respiradores. E olha: o céu pode esperar, mas a fila do SUS não espera ninguém.
Eduardo Nogueira
09/06/2026 - 02h01
Lula lidera porque o Brasil virou um grande “projeto de inclusão” com cotas pra tudo — até pra ser burro. Flávio caiu porque não se vende direita com cara de influencer e discurso de TikTok. Aprovação do governo subiu? Claro, enquanto o INSS paga pra gente aplaudir o circo.
Fernanda Oliveira
09/06/2026 - 02h01
Eduardo, você fala de “cotas pra tudo” como se inclusão fosse um favor — mas é direito. E chamou Flávio de “influencer”? Pelo menos ele não vende ódio com filtro de beleza, né?
Renato Professor
09/06/2026 - 02h01
Fernanda, direito não se discute com filtro — se discute com dados, história e jurisprudência. E “influencer” é o termo técnico para quem transforma política em conteúdo de engajamento sem lastro institucional. Mas concordo: ódio não precisa de maquiagem pra ser perigoso.
Luciana Costa
09/06/2026 - 02h01
Fernanda, você tem toda razão: inclusão não é favor, é direito — e o Estado precisa garantir isso com políticas públicas sérias, não com retórica vazia. Quanto ao Flávio, chamei de “influencer” não por maldade, mas porque sua atuação política se confunde cada vez mais com conteúdo digital — e aí concordo: ódio não se vende com filtro, se vende sem pudor.
Cecília Ramos
09/06/2026 - 02h00
Aleluia! Enquanto a fé me ensina a cuidar dos pobres, ver o governo avançando em políticas sociais e ambientais é um sinal de que estamos no caminho certo. Flávio Bolsonaro representa exatamente o oposto do que o Evangelho prega: exclusão, negacionismo e desrespeito à vida. Que Deus nos dê sabedoria para continuar exigindo justiça — não só nos púlpitos, mas nas ruas e nas urnas.
Carlos Oliveira
09/06/2026 - 02h00
Cecília, amém pra isso — enquanto eu levo passageiros no meu carro, vejo na pele o que é ter SUS funcionando ou não, ter Bolsa Família chegando ou sumindo. Flávio fala de Deus, mas não vê o povo na fila do hospital nem no ônibus lotado. É hora de botar fé na luta, não só na oração.
João Silva
09/06/2026 - 02h01
Carlos, você não está só levando passageiros — está transportando consciência. Quando o ônibus lotado vira metáfora da classe trabalhadora, e a fila do hospital, um diagnóstico vivo da desigualdade estrutural, a fé que salva não é a que cala, mas a que organiza. É exatamente essa luta cotidiana que Paulo Freire chamava de “educação como prática da liberdade”.