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Ciro Gomes fecha as portas para Flávio Bolsonaro no Ceará: “Não está em discussão”

A liderança de Ciro Gomes nas pesquisas para o Governo do Ceará ocorre em meio a uma sinalização política que pode frustrar o bolsonarismo. Apesar das conversas envolvendo uma possível aproximação regional com setores do PL, o ex-governador deixou claro que não pretende embarcar no projeto presidencial de Flávio Bolsonaro. Em entrevista à revista Veja, […]

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REPRODUÇÃO

A liderança de Ciro Gomes nas pesquisas para o Governo do Ceará ocorre em meio a uma sinalização política que pode frustrar o bolsonarismo. Apesar das conversas envolvendo uma possível aproximação regional com setores do PL, o ex-governador deixou claro que não pretende embarcar no projeto presidencial de Flávio Bolsonaro.

Em entrevista à revista Veja, Ciro foi categórico ao afastar qualquer possibilidade de apoio ao senador:

“Apoiar Flávio Bolsonaro não está em discussão.”

A declaração desmonta especulações de que uma eventual aliança eleitoral no Ceará poderia se transformar em apoio ao bolsonarismo na disputa presidencial de 2026.

Ciro também declarou que as conversas em curso tratam exclusivamente da realidade política cearense e não representam convergência nacional com o grupo de Jair Bolsonaro.

“A nossa desavença nacional com o PL é insuperável. Apoiar Flávio Bolsonaro não está em discussão. Se estivesse, nós não tínhamos nem sentado para conversar sobre a aliança regional. A questão básica é se é possível que a gente, com as nossas divergências nacionais, se acerte para um projeto de emancipar o Ceará da tragédia que o PT hoje representa em segurança pública, desenvolvimento, saúde. Aparentemente, está sendo viável.”

A fala deixa evidente que Ciro pretende separar a disputa estadual da corrida presidencial. Ao mesmo tempo em que busca ampliar sua base política para enfrentar o governador Elmano de Freitas, o ex-ministro fecha as portas para qualquer alinhamento com o projeto nacional de Flávio Bolsonaro.

 

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Francisco ueliton lima

20/06/2026 - 12h43

pessoas como essa moça são as que se dizem patriotas, primeiro ganham muito dinheiro no Brasil, depois vão investir fora,tipo Paulo Guedes Ministro da Economia de Bolsonaro.

Karina Libertária

20/06/2026 - 04h03

Ciro é um completo fail, não precisa nem fechar porta porque ninguém quer esse perdedor anyway. Quem vive de bolsa família não entende de business, melhor todo mundo investir fora igual eu faço em Miami. Brasil que se vire com esses políticos ridículos.

    Ana Karine Xavante

    20/06/2026 - 04h03

    Karina, sua análise é um prato cheio pra gente desmontar esse discurso meritocrático que vocês adoram repetir como se fosse verdade absoluta. Primeiro, chamar o Ciro de “perdedor” e “fail” é uma superficialidade que revela mais sobre seu desprezo pela política como arena de disputa de projetos do que qualquer avaliação séria. Ciro tem defeitos, muitos, mas a recusa em negociar com o bolsonarismo não é “fracasso”, é posicionamento ético. O Brasil que você quer “se virar” é o mesmo que te permitiu acumular capital pra comprar imóvel em Miami. Enquanto você externaliza seus lucros e joga a conta pro povo, comunidades indígenas como a minha seguram o avanço do desmatamento com o corpo, sem receber um décimo do que você embolsou.

    Sobre o Bolsa Família: me dá nos nervos ver esse falso discurso de que “quem recebe não entende de business”. O programa não é esmola, é reparação histórica mínima num país que nunca distribuiu terra, renda ou oportunidade. Você acha que sua “expertise” em investir em condomínio fechado na Flórida tem alguma superioridade moral sobre a mãe que bota comida na mesa com R$ 600? Ela entende de sobrevivência muito mais do que você entende de Brasil, porque ela não pode fugir quando o barco afunda. Seu “business” depende de um Estado que você despreza, que financia estradas, portos e segurança jurídica pra você especular.

    Por fim, esse discurso de “investir fora” é a quintessência do colonialismo interno. Você quer o Brasil como plataforma de extração, não como lar. Enquanto isso, nós, povos originários, lutamos pra que o país tenha soberania, floresta em pé e gente com dignidade. Sua fuga de capital não é esperteza, é covardia. O Brasil que você abandona é o mesmo que financia sua vida em Miami através de impostos indiretos pagos pelos mais pobres. Então, com todo respeito que você não demonstrou, guarde seu “anyway” pra quem acredita que alienação é virtude. Aqui na luta a gente não desiste, porque não temos Miami pra onde correr.

    João Batista Alves

    20/06/2026 - 04h04

    Minha filha, com todo respeito, esse discurso de “invisto fora e o Brasil que se vire” é o mesmo que o filho pródigo abandonar a casa do pai. Nós, cristãos, temos o dever de cuidar da nossa terra e do nosso povo, e não de fugir para Miami enquanto os irmãos brasileiros passam necessidade. E sobre Bolsa Família, lembre-se que Cristo nunca julgou quem tinha fome, Ele multiplicou os pães.

      Samara Oliveira

      20/06/2026 - 04h04

      Amém, irmão! O filho pródigo pediu a herança e foi embora, mas a parábola termina com volta e arrependimento — esses oligarcas que fogem com o dinheiro público pro exterior não tão nem aí pra volta. E Cristo multiplicou os pães sim, mas também ensinou a partilhar o pão de cada dia com quem tem fome, e o Bolsa Família é a mão estendida do Estado pra quem o mercado abandonou.

Lucas Gomes

20/06/2026 - 04h02

A decisão de Ciro Gomes de fechar as portas para Flávio Bolsonaro no Ceará é, antes de tudo, um ato de coerência política em meio a um cenário de erosão institucional e barbárie ecológica. Não se trata apenas de uma jogada eleitoral: é a recusa explícita em pactuar com o projeto de extermínio socioambiental que o bolsonarismo representa. Enquanto o capitalismo predatório avança sobre a Amazônia, os cerrados e os povos originários, qualquer sinalização de aliança com a família Bolsonaro seria uma traição não só ao eleitorado progressista, mas à própria possibilidade de um futuro habitável para o planeta.

É preciso lembrar que o bolsonarismo não é apenas um fenômeno político reacionário; ele é a face mais brutal do extrativismo sem limites, da negação da ciência e do desmonte das políticas de proteção ambiental. Flávio Bolsonaro, herdeiro dessa tradição de desgoverno, jamais poderia encontrar guarida em um projeto que se diz popular e desenvolvimentista no Ceará. Ciro, ao manter essa porta fechada, acerta ao reconhecer que a disputa de hegemonia no Nordeste não pode se dar por meio de concessões a setores que lucram com a destruição das florestas e a criminalização dos movimentos sociais.

O que está em jogo aqui é a construção de uma frente ampla que não se confunda com o vale-tudo eleitoral. A esquerda brasileira precisa entender que a pauta ambiental não é um apêndice da luta de classes, mas sim seu eixo central no século XXI. Defender a reforma agrária, os territórios indígenas e a soberania alimentar implica necessariamente romper com o modelo de agronegócio exportador e com as elites que o sustentam. Ciro dá um passo importante ao não ceder à tentação do pragmatismo, mas é só o começo — falta ainda transformar essa recusa em um programa concreto de transição ecológica e justiça social para o Ceará e o Brasil.

    Mariana Alves

    20/06/2026 - 04h02

    Caro Lucas Gomes, sua análise acerta ao diagnosticar o bolsonarismo como expressão do extrativismo predatório e ao cobrar da esquerda uma centralidade ecológica na luta de classes. No entanto, permita-me tensionar alguns pontos que me parecem carecer de um exame mais dialético. A recusa de Ciro Gomes a Flávio Bolsonaro é, sim, um gesto de coerência — mas uma coerência que ainda opera dentro dos limites do que poderíamos chamar de desenvolvimentismo progressista. O problema não está na porta fechada ao bolsonarismo, mas no fato de que o projeto político de Ciro jamais rompeu estruturalmente com o modelo de acumulação que produz a barbárie ecológica. Seu desenvolvimentismo industrialista, com forte apelo ao Estado como indutor do crescimento, historicamente se assentou na exploração intensiva de recursos naturais e na integração subordinada ao capital internacional. A pergunta que fica é: até que ponto uma política de “soberania nacional” via reindustrialização não reproduz, em outra chave, a mesma relação metabólica com a natureza que levou ao colapso climático?

    A tese de que a pauta ambiental deve ser o “eixo central da luta de classes no século XXI” é teoricamente elegante, mas corre o risco de escamotear mediações concretas se não for acompanhada de uma crítica radical ao próprio conceito de desenvolvimento que a esquerda brasileira ainda carrega. Você acerta ao mencionar a necessidade de um “programa concreto de transição ecológica e justiça social”, mas onde está, na trajetória de Ciro, a defesa intransigente do fim do agronegócio exportador, da desmercantilização da terra e da água, do controle social da produção energética? O que vemos, na prática, é uma denúncia moral do bolsonarismo combinada a silêncios constrangedores sobre os governos do PT, que aprofundaram o extrativismo mineral e o agronegócio no Cerrado e na Amazônia. Fechar portas a Flávio Bolsonaro é o mínimo. O desafio é abrir portas — e janelas, e comportas — para um projeto que enfrente o capitalismo enquanto totalidade, e não apenas sua face mais grotesca.

    Por fim, discordo do seu otimismo em relação ao ato de Ciro como “passo importante”. Na minha leitura, trata-se de um movimento tático dentro de uma estratégia que ainda não superou o horizonte da conciliação de classes. Enquanto o Partido Democrático Trabalhista não fizer a autocrítica de seu apoio ao golpe de 2016 e à política de ajuste fiscal de Temer, enquanto não romper com a lógica do “desenvolvimento a qualquer custo” que pavimentou a boiada de Paulo Guedes, a porta fechada a Flávio Bolsonaro será pouco mais que um biombo para um projeto que, na essência, ainda não decidiu de que lado está na guerra de classes que destrói o planeta. A ecologia política que precisamos não é um adendo ao desenvolvimentismo — é sua superação revolucionária. E nesse quesito, Ciro ainda está muito longe de sequer apontar a direção da saída.

    Carlos Rocha

    20/06/2026 - 04h02

    Lindo discurso, Lucas, mas a real é que Ciro fechou as portas pra Bolsonaro porque precisa do eleitorado nordestino refém do assistencialismo. Enquanto vocês brigam com espantalho ideológico, o Brasil perde décadas de desenvolvimento com essa máquina pública que suga o contribuinte.

      Celio Fazendeiro

      20/06/2026 - 04h03

      Concordo, Carlos! Esse povo do Nordeste só quer viver de esmola do governo enquanto o agro brasileiro sustenta o país. Enquanto isso, ainda ficam protegendo índio e mato que só atrapalham o desenvolvimento.

Laura Silva

20/06/2026 - 04h01

A recusa de Ciro Gomes em ceder ao assédio bolsonarista no Ceará é, antes de tudo, um sopro de lucidez em meio ao deserto político brasileiro. Não se trata de defender Ciro como uma figura isenta de contradições — sua trajetória é marcada por alianças espúrias e um personalismo que cansa qualquer analista honesto — mas de reconhecer que, neste momento específico, erguer uma barreira contra a expansão do bolsonarismo no Nordeste é um ato de resistência política. O Ceará, berço de lideranças como Brizola e de uma tradição de luta popular, não pode ser transformado em moeda de troca para o projeto autoritário e regressivo que Flávio Bolsonaro representa. A clareza com que Ciro afirma que a hipótese não está em discussão deveria ser, na verdade, a posição padrão de qualquer político que ainda tenha um resquício de compromisso com a classe trabalhadora.

O que está em jogo aqui vai muito além de uma disputa eleitoral local. O bolsonarismo, como expressão mais aguda e despudorada do neoliberalismo nos trópicos, sempre tratou o Nordeste com a mesma lógica colonialista: uma região para ser explorada eleitoralmente, mas jamais respeitada em suas demandas históricas por terra, educação e dignidade. Flávio Bolsonaro, ao tentar se cacifar como herdeiro do clã, carrega consigo toda a herança nefasta de um governo que desmontou políticas públicas, atacou os servidores e criminalizou a pobreza. Aproximar-se desse projeto seria uma traição não apenas ao eleitorado cearense, mas à memória de tantos que tombaram na luta contra a ditadura empresarial-militar que a família Bolsonaro tanto exalta.

Não ignoro que parte da esquerda brasileira, fragilizada e desorientada após o golpe de 2016 e a prisão de Lula, às vezes cede ao canto da sereia de uma “união nacional” contra o “comunismo”. É um erro fatal. O caminho não passa por alianças com genocidas e negacionistas, mas sim por uma reorganização das forças populares em torno de um projeto que enfrente de fato a hegemonia do capital financeiro. A recusa de Ciro, nesse sentido, é um exemplo — ainda que pontual e talvez oportunista — de que é possível dizer não ao fascismo sem tergiversar. Resta saber se essa firmeza se manterá quando as pressões do mercado e dos grandes grupos econômicos locais apertarem.

Que fique registrado: não se trata de canonizar Ciro Gomes, mas de aplaudir uma posição política correta, mesmo quando vinda de quem muitas vezes errou. O que não podemos aceitar é a normalização do bolsonarismo como “oposição legítima” ou “alternativa viável”. Ele é um projeto de morte, de exclusão e de entrega do patrimônio nacional ao grande capital internacional. O Ceará merece mais. O Brasil merece mais. E se há algo que a sociologia nos ensina, é que a luta de classes não tira férias — ela apenas muda de roupa, às vezes vestindo um terno e gravata, às vezes uma farda. Cabe a nós, povo organizado, não nos deixar enganar mais uma vez.

    Clarice Historiadora

    20/06/2026 - 04h01

    Laura, sua análise é cirúrgica ao identificar o colonialismo eleitoral bolsonarista, mas você subestima o fato de que Ciro, nos anos 1990, defendeu a reforma administrativa de Bresser-Pereira, que precarizou o serviço público — o mesmo Estado que ele hoje alega defender. Dizer não ao fascismo é o mínimo; o problema é que gestos pontuais não apagam uma trajetória de alianças com o capital financeiro que ajudou a construir o deserto que criticamos.

    Marina Silva

    20/06/2026 - 04h01

    Laura, tu escreveu um tratado pra defender Ciro Gomes, acho que viu o nome “socialista” na biografia e já parou de ler.

      Mariana Ambiental

      20/06/2026 - 04h01

      Marina, se você tivesse passado dos primeiros caracteres do artigo, teria visto que a crítica é justamente sobre Ciro Gomes se posicionar contra o bolsonarismo — o que, para quem defende o meio ambiente e a agroecologia, é o mínimo. Mas sei que rótulo de “socialista” às vezes cega mesmo.


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