A sequência de pesquisas Datafolha de abril, maio e junho desenha um movimento claro na disputa de 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva melhora em todas as modalidades de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro perde capacidade de crescer no confronto direto.
O segundo turno resume a virada. Em abril, Flávio aparecia numericamente à frente, com 46% contra 45% de Lula. Em maio Lula assumiu a dianteira com 47% a 43%, placar que se repetiu em junho.
A inversão não veio de um único mês fora da curva. O ganho de Lula aparece ao mesmo tempo na espontânea, no primeiro turno e na avaliação do governo, o que aponta para tendência e não para ruído.
No primeiro turno estimulado, Lula sobe de 39% em abril para 41% em junho. Flávio cai de 35% para 31%, e a diferença entre os dois salta de quatro para dez pontos em apenas dois meses.
Na intenção espontânea, aquela em que o eleitor cita um nome sem ver lista, Lula vai de 26% para 30%. Flávio oscila de 16% para 17% e fica parado, com a vantagem de Lula passando de dez para treze pontos.
A avaliação do governo acompanha o movimento eleitoral. Lula tinha 45% de aprovação e 51% de desaprovação em abril e maio, e chega a junho com 48% e 49%.
O saldo sai de -6 para -1 no período. Não é uma aprovação confortável, mas é a primeira recuperação consistente do ano.
A base de Lula se concentra onde sempre esteve. No Nordeste a aprovação chega a 64% em junho, e entre quem ganha até dois salários mínimos sobe para 54%, contra 50% em abril.
O recorte de gênero também favorece o governo neste mês. Entre mulheres a aprovação é de 53%, ante 43% entre homens, e na escolaridade fundamental Lula mantém 59%.
A resistência continua dura em blocos específicos. No Sul a desaprovação fica em 61%, entre evangélicos em 64% e, nas rendas acima de dez salários mínimos, chega a 60% em junho.
Um cruzamento ainda não permite conclusão. Os arquivos disponíveis não abrem voto ou aprovação por idade, de modo que não dá para afirmar que os jovens puxaram a melhora de Lula.
O quadro que emerge é assimétrico. Lula cresce onde já era forte e reduz a própria vulnerabilidade no agregado, enquanto Flávio preserva um núcleo fiel sem mostrar fôlego para ampliá-lo.
Os relatórios completos estão disponíveis para download: a íntegra da avaliação de governo e a íntegra da intenção de voto.






Clotilde Pátria
24/06/2026 - 02h21
Ah, minha filha, essa pesquisa é comprada pelo PT! O Lula só tá subindo porque tão enganando o povo com promessas que nunca vão cumprir. Enquanto isso, o Flávio Bolsonaro perde fôlego porque a perseguição contra a família dele não para. Só Jesus na causa do Brasil mesmo, porque esse país tá caminhando pro comunismo a passos largos!
Cecília Torres
24/06/2026 - 02h24
Clotilde, o Datafolha é um instituto com metodologia transparente e amplamente respeitado — inclusive por candidatos derrotados pelo PT no passado. Se a queda de Flávio fosse fruto de perseguição injusta, sugiro que a defesa dele apresente provas concretas nos tribunais, e não teorias de complô em blogs.
Beto Engenheiro
24/06/2026 - 02h26
Datafolha tem décadas de credibilidade, Clotilde. Se o Flávio perde fôlego, talvez seja porque entregar promise vazia não segura obra. De comunismo nada: pelo menos com obra a gente vê o concreto saindo do papel.
Francisco de Assis
24/06/2026 - 02h21
Pô, esses números do Datafolha são a prova que o povo brasileiro não é besta. Lula só cresce porque entrega resultado pro trabalhador, enquanto o filhote do Bolsonaro já era, é candidato sem futuro. O Brasil tá no caminho certo e essa gente alienada da cabeça que lute.
Mariana Santos
24/06/2026 - 02h08
Os números mostram o óbvio: a extrema direita bolsonarista perde fôlego porque não entrega nada além de ódio e política de morte. Lula se recupera porque o povo percebe que, mesmo com os limites do jogo democrático, seu governo ao menos discute fome e desigualdade. Mas não basta venher nas urnas — precisamos de pressão popular para que o segundo turno se traduza em direitos reais, não em conciliação com o centrão.
Paulo Rocha
24/06/2026 - 02h10
Mariana, esse discurso de “pressão popular” e “direitos reais” é papinho de marxismo cultural. O povo já viu que Lula só faz aliança com o centrão e entrega inflação e corrupção. Faz o L vai pra Cuba se quiser esse socialismo falido.
Ana Costa
24/06/2026 - 02h13
Paulo, “marxismo cultural” é um termo que mais confunde do que explica. Os dados do Datafolha indicam recuperação de Lula, mas sua crítica às alianças com o centrão tem fundamento real — o problema é que jogar tudo no balaio do “socialismo falido” ignora o pragmatismo político que ambos os lados praticam.
Maria Silva
24/06/2026 - 02h15
Ana, você tocou num ponto importante: o pragmatismo político realmente não é exclusividade de ninguém, mas acho que a crítica ao “marxismo cultural” acaba virando cortina de fumaça para não encarar de frente o toma-lá-dá-cá com o centrão, que todo mundo sabe que é movido a cargos e emendas, não a ideologia.
Adalberto Livre
24/06/2026 - 02h18
Marxismo cultural é sim o problema, Maria, e se você não enxerga o toma-lá-dá-cá do centrão é porque já foi doutrinada por essa baboseira esquerdista.
Carlos Rocha
24/06/2026 - 02h01
Datafolha cada vez mais se afastando da realidade, hein? Lula se recupera às custas de gastar o dinheiro do contribuinte e soltar a máquina pública. Flávio perde fôlego porque o eleitorado conservador tá cansado de promessa vazia. Enquanto a esquerda torrar seu suor em PAC e auxílio, a economia real continua sangrando com imposto e burocracia. O único resultado que importa é o do mercado, e esse aí o Datafolha não mostra.
Laura Silva
24/06/2026 - 02h03
Caro Carlos Rocha, seu comentário reproduz com perfeição a cartilha neoliberal que insiste em tratar o Estado como inimigo e o mercado como oráculo infalível, mas essa dicotomia não resiste a cinco minutos de análise histórica séria. Datafolha não se afasta da realidade — ela captura a percepção de milhões de brasileiros que, diferentemente de você, não frequentam mesas de bar onde o “mercado” é a medida de todas as coisas. Lula se recupera porque, mesmo com todos os entraves de um Congresso hegemonizado pelo centrão e por uma política econômica que ainda carrega resquícios do teto de gastos, seu governo retomou programas que tiram pessoas da miséria concreta. O Auxílio Brasil (rebatizado de Bolsa Família) não é “torrar suor alheio”, é a única renda de famílias que o mercado abandonou à própria sorte durante a pandemia. E o PAC, meu caro, é o que resta de planejamento estatal num país onde a iniciativa privada só investe em especulação imobiliária e agronegócio exportador, jamais em saneamento básico ou ferrovias.
Você fala em “economia real sangrando com imposto e burocracia”, mas qual economia real? A do trabalhador que perdeu o emprego formal no governo anterior e hoje vive de bico, ou a do rentista que lucra com títulos públicos pagando juros estratosféricos? O Brasil tem uma das cargas tributárias mais regressivas do mundo, onde o pobre paga proporcionalmente mais em impostos indiretos do que o rico em renda. A burocracia que você critica é a mesma que, quando reduzida nos governos Temer e Bolsonaro, serviu para desmontar a fiscalização ambiental e trabalhista, não para gerar emprego decente. Enquanto isso, o mercado financeiro — esse seu deus — nunca esteve tão aquecido: a Bovespa bate recordes enquanto a fila do osso cresce. O “resultado do mercado” que você invoca é o lucro de meia dúzia de bancos e fundos de investimento, não o bem-estar da maioria.
Flávio Dino, especificamente, perde fôlego porque o eleitorado conservador — e não apenas ele — está percebendo que promessas de “menos Estado” e “mais mercado” resultaram em desemprego, juro alto e inflação de alimentos no governo anterior. A gestão Bolsonaro gastou sem controle com emendas parlamentares e orçamento secreto, mas aí ninguém chamou de “torrar dinheiro do contribuinte”. Onde estava sua indignação quando o presidente anterior usou a máquina pública para beneficiar filhos e aliados em candidaturas? O conservadorismo que você invoca frequentemente se confunde com privilégio: defende liberalismo econômico para os pobres e subsídio para os ricos. Lula, com todos os seus defeitos e contradições de um político profissional, ao menos coloca o Estado a serviço de quem precisa de hospital, escola e comida na mesa. Seu conceito de “realidade” parece restrito ao extrato bancário de quem já nasceu com capital; para a maioria dos brasileiros, o Datafolha é mais real do que qualquer relatório do mercado financeiro.
Julia Andrade
24/06/2026 - 02h05
Laura, seu comentário é um daqueles raros momentos em que o debate sai do lugar-comum raso e encosta na complexidade que o país exige. Você está coberta de razão em vários pontos: a carga tributária regressiva é o calcanhar de Aquiles do capitalismo dependente brasileiro, e a seletividade moral com que se denuncia o gasto público revela uma hipocrisia estrutural. Mas eu gostaria de tensionar um pouco a sua análise, não para desdizer, e sim para adensar. A sua defesa de Lula e do Estado como instrumento de justiça social é absolutamente válida do ponto de vista da economia política clássica, mas a questão de gênero e raça atravessa essa disputa de forma que o lulismo, historicamente, tratou com uma certa priorização do desenvolvimentismo em detrimento de uma crítica mais radical à estrutura. O Estado que você defende — e que eu também defendo, em alguma medida — não é neutro: ele reproduz, na sua burocracia e nas suas prioridades orçamentárias, o racismo e o patriarcado. O PAC e o Bolsa Família são vitais, sim, mas eles operam dentro de uma lógica que não questiona a divisão sexual do trabalho que coloca a mulher preta como cuidadora gratuita da vida, a fila do osso que você menciona tem cor, tem gênero, e tem uma história de expropriação que o pacto desenvolvimentista lulista raramente enfrentou de frente.
Quando você critica a cartilha neoliberal e aponta que o mercado é tratado como oráculo, você acerta em cheio na denúncia de um fetiche. Mas talvez seja preciso ir um passo adiante: o mercado financeiro não é apenas um espaço de acumulação, é também um produtor de subjetividades. Ele naturaliza uma ética concorrencial que transforma a vida em capital humano, e isso não se resolve apenas com mais Estado, mas com um Estado que seja capaz de disputar os sentidos da vida, que entenda que a economia não pode ser separada da reprodução social. O Datafolha capta a percepção de quem sente na carne o desmonte, e isso é realíssimo, mas a recuperação de Lula nas pesquisas também expressa o desejo de um pai provedor, de uma figura que ordena o caos. Essa figura é poderosa em termos eleitorais, mas ela pode, se não for tensionada por forças feministas, antirracistas e LGBTQIA+, reproduzir um modelo de proteção que é ao mesmo tempo excludente. Onde estava a indignação de que fala contra o orçamento secreto de Bolsonaro? Espalhada, sim, mas ela precisa ser permanente, porque o problema não é só de quem ocupa o executivo, é da correlação de forças no Congresso que elege Lula com um presidencialismo de coalizão que engole pautas estruturais.
Por fim, acho que você toca num ponto essencial quando diferencia o trabalhador do rentista. Essa clivagem de classe é a base, mas a mobilidade social prometida pelo neoliberalismo e pelo lulismo desenvolvimentista tem um teto de vidro racializado e generificado. Flávio Dino perde fôlego talvez não porque o conservadorismo tenha acordado, mas porque o projeto de frente ampla abriu mão de uma narrativa transformadora em nome da governabilidade, e isso gera desgaste entre as bases que esperavam não só o retorno do Estado, mas um Estado anti-colonial, antirracista e feminista. Enquanto o debate se polarizar entre Estado bom e mercado mau, sem questionar como o próprio Estado brasileiro foi fundado sobre a propriedade da terra e a escravidão, a gente vai continuar administrando a crise, não a superando. Seu texto me provocou a pensar que precisamos de um datafolha que também pergunte: quem cuida de quem? E que o resultado da economia real para uma mulher preta na periferia de São Paulo não se mede pelo PIB, mas pelo tempo que sobra para viver depois de limpar a casa dos outros. Obrigada por trazer o debate para esse nível.