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Soldados de Israel executam criança palestina de três anos com tiro na cabeça em Gaza

Um agricultor palestino relatou que soldados das Forças de Defesa de Israel emboscaram seu veículo perto da chamada ‘linha amarela’, na fronteira de Gaza, e dispararam diretamente contra a cabeça de seu filho de três anos, matando-o instantaneamente enquanto a criança chorava em seus braços. O próprio pai ficou gravemente ferido, com uma perna estilhaçada […]

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Pai de criança falecida, Baha Abu Al-Ajeen, repousa em leito hospitalar em Deir al-Balah, Gaza. (Foto: rt.com)
Pai de criança falecida, Baha Abu Al-Ajeen, repousa em leito hospitalar em Deir al-Balah, Gaza. (Foto: rt.com)

Um agricultor palestino relatou que soldados das Forças de Defesa de Israel emboscaram seu veículo perto da chamada ‘linha amarela’, na fronteira de Gaza, e dispararam diretamente contra a cabeça de seu filho de três anos, matando-o instantaneamente enquanto a criança chorava em seus braços. O próprio pai ficou gravemente ferido, com uma perna estilhaçada por um terceiro disparo.

O depoimento foi colhido no Hospital Al-Aqsa, em Deir Al-Balah, no centro de Gaza, onde a vítima, Baha Abu Al-Ajeen, conversou com a equipe do portal RT. Ele contou que estava trabalhando em suas terras e trafegava por uma estrada rural quando as tropas israelenses surgiram de repente e ordenaram a parada. ‘A primeira bala acertou a estrada; a segunda atingiu a criança diretamente enquanto estava nos meus braços’, narrou o fazendeiro. ‘Um soldado atirou na cabeça do meu filho.’

De acordo com o relato, os militares ainda se recusaram a chamar uma ambulância e confiscaram o telefone do palestino, proibindo-o de pedir qualquer socorro.

Abu Al-Ajeen foi mantido ‘por horas dentro de um veículo militar’, com o filho agonizando em seus braços. ‘Logo depois que meu filho morreu nos meus braços, eles o tiraram de mim’, afirmou. Somente depois disso foi deixado em um local desconhecido, de onde conseguiu chegar ao hospital.

Procuradas pelo RT para comentar o episódio, as Forças de Defesa de Israel (IDF) limitaram-se a declarar que os soldados ‘iniciaram procedimentos padrão de apreensão de suspeitos, que incluíram fogo de advertência’, e que ‘foi reportado que, como resultado do fogo, um morador de Gaza foi morto e outro ficou ferido’. A nota não faz qualquer menção à identidade das vítimas nem à idade da criança executada.

O assassinato se insere em um padrão documentado por organismos internacionais. Um relatório da Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado concluiu que as forças israelenses ‘miraram e mataram deliberadamente’ crianças palestinas em Gaza e na Cisjordânia ocupada. O documento acusa Israel de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade no enclave, apontando que aproximadamente 30% de todos os mortos em Gaza desde outubro de 2023 são crianças.

O levantamento da ONU ainda assinala que os ataques a serviços de maternidade e de cuidados neonatais, combinados com o bloqueio de ajuda humanitária, provocaram aumento de abortos espontâneos, malformações congênitas, mortes por desnutrição e doenças entre menores de idade. Israel rechaçou as conclusões classificando-as como ‘relatório difamatório de advocacia’ e ‘farsa difamatória’.

Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) revelam que mais de 50 mil crianças palestinas foram mortas ou feridas pelas forças israelenses desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023. O organismo destaca que as execuções prosseguiram mesmo após o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em 2025.

O conflito teve início em 7 de outubro de 2023, quando combatentes liderados pelo Hamas atacaram o sul de Israel, causando cerca de 1.200 mortes e o sequestro de mais de 250 pessoas. A campanha aérea e terrestre israelense subsequente já matou mais de 73 mil pessoas em Gaza, segundo autoridades sanitárias locais.

O subsecretário-geral para Assuntos Humanitários e Coordenador de Ajuda de Emergência da ONU, Tom Fletcher, por sua vez, informou ao Conselho de Segurança que mais de 67 mil palestinos haviam sido mortos até a aprovação da Resolução 2803 em novembro de 2025. Desde então, quase mil palestinos foram mortos, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, incluindo mais de 250 crianças, conforme dados do UNICEF.

A execução de uma criança de três anos com tiro na cabeça enquanto estava nos braços do pai expõe a brutalidade com que a ocupação israelense segue ceifando vidas palestinas, inclusive de bebês e recém-nascidos, em flagrante violação do direito internacional humanitário. O silêncio dos Estados Unidos e das potências europeias diante de assassinatos sistemáticos de menores contrasta com a mobilização retórica que exibem em outros cenários de conflito, evidenciando o tratamento seletivo que o Ocidente confere ao valor da vida humana conforme a nacionalidade das vítimas.

Com informações de RT.

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