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Capitalistas de risco alertam para pensamento de manada sem precedentes na corrida por IA

Ben Blume, Niko Bonatsos e Andreas Stavropoulos em debate no evento StrictlyVC em Atenas. (Foto: techcrunch.com) Três dos mais influentes capitalistas de risco do setor tecnológico global denunciaram um fenômeno de pensamento de manada na corrida por investimentos em inteligência artificial. O alerta ocorreu durante o evento StrictlyVC, parte do festival Panathenea em Atenas, conforme […]

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Ben Blume, Niko Bonatsos e Andreas Stavropoulos em debate no evento StrictlyVC em Atenas. (Foto: techcrunch.com)

Três dos mais influentes capitalistas de risco do setor tecnológico global denunciaram um fenômeno de pensamento de manada na corrida por investimentos em inteligência artificial. O alerta ocorreu durante o evento StrictlyVC, parte do festival Panathenea em Atenas, conforme cobertura do portal TechCrunch.

Niko Bonatsos, sócio da Verdict Capital, afirmou que nunca viu tamanha concentração de capital e falta de critério. Três quartos de todo o venture capital levantado no último ano foram direcionados a apenas cinco empresas de IA.

Fundadores fora do radar da inteligência artificial enfrentam desinteresse dos investidores institucionais. Andreas Stavropoulos, da Threshold Ventures, traçou paralelo com o IPO do Google nos anos 2000, que reabriu o mercado para a tecnologia.

O atual ciclo de megavaliações, com a OpenAI mirando valuation de 1,75 trilhão de dólares, pode repetir esse efeito em escala maior. A Anthropic também figura entre as empresas que atraem volumes expressivos de capital.

Ben Blume, do fundo Atomico, destacou que empresas com esse grau de singularidade capturam a imaginação do público. Elas redirecionam alocações de capital que, de outra forma, seriam pulverizadas em negócios de menor expressão.

Os investidores relativizaram o temor de que a OpenAI drene liquidez do mercado. Eles apontaram o aumento da participação de investidores de varejo como contrapeso estrutural à concentração.

A precificação das rodadas de investimento virou um campo minado pela euforia especulativa. Blume observou que fundadores de elite recebem múltiplas ofertas, competindo com veículos de 10 ou 15 bilhões de dólares.

O valor incremental de um dólar varia radicalmente entre os investidores. Isso infla artificialmente as cifras anunciadas e dificulta comparações objetivas entre propostas.

Bonatsos descreveu sua estratégia de apostar em indivíduos excepcionais, capazes de produzir em um dia o que outros levariam uma semana. A maioria das startups apoiadas por sua firma atua em mercados ainda sem nome estabelecido.

Gestores de ativos gigantescos não conseguem justificar essas apostas perante seus comitês. O debate sobre a idade dos fundadores revelou que, em momentos de disrupção, a falta de experiência pode ser uma vantagem competitiva.

Stavropoulos lembrou que a experiência acumulada pode guiar o empreendedor na direção errada. Isso ocorre quando os fundamentos do mercado estão sendo reescritos em tempo real.

Bonatsos comparou o momento atual com sua chegada a Stanford em 2009. Na época, havia mais capitalistas de risco no campus do que estudantes. Hoje, um jovem de 19 anos em São Francisco pode receber uma oferta de Série A antes mesmo de estruturar formalmente a empresa.

Os três investidores enfatizaram que o que importa é intensidade, capacidade de adaptação e velocidade mental. A idade, segundo eles, não é um fator determinante para o sucesso.

O lado obscuro da abundância de capital apareceu na discussão sobre métricas de receita. Blume denunciou o uso flexível e por vezes abusivo de definições de receita recorrente anual.

Modelos de cobrança baseados em tokens e contagem de tokens gratuitos como receita criam números impressionantes. Extrapolações anuais a partir de picos diários isolados enganam investidores incautos.

Bonatsos citou um exemplo pessoal. Ao receber um relatório com cifras exuberantes, descobriu que o número representava 365 vezes o faturamento de um único dia. Uma campanha publicitária havia viralizado, distorcendo os dados.

Ele orientou o fundador a usar ao menos uma base trimestral. O episódio expõe como a mentalidade de curto prazo e a pressão por métricas infladas induzem comportamentos questionáveis.

Para empreendedores, os VCs mapearam oportunidades em consumo digital. Bonatsos apontou o ressurgimento do interesse nesse campo, abandonado quase por completo pelas firmas de venture capital.

Fenômenos como o ChatGPT e novas ideias de fintech voltadas para a reconstrução do sonho americano atraem atenção. Blume projetou que a interação da IA com o mundo físico representa uma oportunidade ainda maior.

A aposta em robótica, em todas as suas formas, será um dos maiores campos da próxima década. Ela moldará setores inteiros da economia material ainda não tocados pela transformação algorítmica.

A concentração brutal de capital em poucas empresas e a histeria em torno de fundadores jovens desenham um ecossistema de extremos. Enquanto trilhões de dólares são mobilizados, a fronteira real da inovação é disputada por investidores dispostos a apostar em mercados sem nome e fundadores fora dos moldes tradicionais.

Leia mais sobre o assunto na techcrunch.com.


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