O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo à militância progressista durante evento no Rio de Janeiro. Ele pediu que a esquerda retome as cores da bandeira brasileira, apropriadas pelo bolsonarismo nos últimos anos, e as exiba com orgulho durante a Copa do Mundo.
A declaração ocorreu após Lula avistar o prefeito do Rio, Eduardo Paes, vestindo uma jaqueta verde-amarela. O presidente brincou que Paes deveria estampar na roupa a frase ‘não-bolsonarista’, em referência à apropriação das cores nacionais pela extrema direita.
‘Nessa Copa do Mundo, a gente vai ter que andar de verde e amarelo para não deixar que as cores do Brasil sejam tomadas por nenhum fascista’, afirmou Lula. A fala arrancou aplausos da plateia presente no lançamento da plataforma de streaming Tela Brasil.
O presidente também destacou o governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto. Ele pediu uma salva de palmas para Couto e atribuiu a ele a missão de reerguer o estado fluminense.
‘Quero uma salva de palmas para esse homem que vai ajudar a consertar o Rio de Janeiro’, disse Lula. Couto assumiu o governo interinamente após a renúncia de Cláudio Castro, aliado de Jair Bolsonaro.
Castro deixou o cargo às vésperas de uma condenação pela Justiça Eleitoral. Reportagens expuseram irregularidades em sua gestão, comprometendo a linha sucessória do estado.
Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio, iniciou um choque de gestão com 3.171 exonerações em 69 órgãos. Todas as 33 secretarias da estrutura administrativa fluminense foram impactadas, com cortes em cargos de coordenação, direção e gerência.
Lula já havia cobrado firmeza de Couto em agenda anterior. Ele pediu que o governador interino ‘prendesse ladrões’ que governaram o Rio e aproveitasse os meses à frente do estado para fazer o que ‘ninguém fez em dez anos’.
‘Se a Assembleia Legislativa do Rio tivesse que indicar um governador interino, ia vir um miliciano’, alertou Lula. O presidente criticou o domínio de grupos ligados ao bolsonarismo sobre a política fluminense.
As exonerações em massa irritaram a base bolsonarista. Aliados de Flávio Bolsonaro questionam a legitimidade de Couto e defendem que Douglas Ruas, presidente da Alerj, assuma interinamente.
Ruas é pré-candidato ao governo do Rio pelo PL. A movimentação de Couto, no entanto, recebeu apoio público de Eduardo Paes, candidato apoiado por Lula ao Palácio Guanabara.
Lula conclamou os cidadãos a assumirem o protagonismo eleitoral. ‘Não é um candidato que precisa ser eleito governador do Rio. São vocês que precisam ser eleitos governadores do Rio’, afirmou.
A fala reforça a estratégia progressista de nacionalizar o debate eleitoral no estado. O objetivo é furar a forte presença da extrema direita e reconstruir as instituições fluminenses.
A defesa das cores nacionais e o alinhamento com a gestão interina de Couto sinalizam a aposta de Lula na reconstrução institucional do Rio. O estado serve como vitrine para o projeto político do governo federal.
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