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Hubble registra galáxia Messier 88 em jornada cósmica

Ilustração editorial sobre Hubble registra galáxia em jornada cósmica de 300 milhões de anos. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6) O telescópio espacial Hubble capturou uma imagem impressionante da galáxia espiral Messier 88. Operado em conjunto pela NASA e pela Agência Espacial Europeia, o Hubble revelou detalhes da NGC 4501, localizada a 63 milhões de anos-luz […]

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Ilustração editorial sobre Hubble registra galáxia em jornada cósmica de 300 milhões de anos. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

O telescópio espacial Hubble capturou uma imagem impressionante da galáxia espiral Messier 88. Operado em conjunto pela NASA e pela Agência Espacial Europeia, o Hubble revelou detalhes da NGC 4501, localizada a 63 milhões de anos-luz da Terra.

A galáxia abriga um buraco negro supermassivo em seu centro, com massa estimada em 100 milhões de vezes a do Sol. Seu núcleo ativo consome gás e poeira, gerando fluxos de matéria expelidos da região central.

Estrelas antigas e avermelhadas conferem ao centro de M88 um brilho alaranjado característico. Braços espirais simétricos se estendem a partir do núcleo, marcados por aglomerados de estrelas jovens e nuvens de poeira.

Messier 88 integra o Aglomerado de Virgem, composto por mais de mil galáxias unidas pela gravidade. Cada galáxia orbita o centro de massa comum, e M88 se desloca em direção às regiões mais internas do aglomerado.

Em 200 a 300 milhões de anos, a galáxia fará sua maior aproximação de Messier 87, a gigante elíptica que domina o aglomerado. Esse encontro provocará um intenso processo de pressão de arraste, removendo o gás interestelar de M88.

Dados publicados no site da NASA mostram evidências desse fenômeno em andamento. O disco de gás da galáxia está truncado e comprimido na borda dianteira, acumulando material como neve diante de um arado.

A galáxia apresenta quantidade menor de gás frio do que o esperado para seu porte. Essa perda compromete sua capacidade de formar novas estrelas, especialmente nas regiões externas.

O processo de ‘ram pressure stripping’ é comum em galáxias que se aproximam do centro de aglomerados massivos. Ele pode extinguir completamente a formação estelar em longo prazo.

As observações foram realizadas com a Wide Field Camera 3 do Hubble. O equipamento é capaz de resolver aglomerados estelares individuais e nebulosas em galáxias a dezenas de milhões de anos-luz.

O estudo integra o programa de observação liderado pelo astrônomo D. Thilker. Seu objetivo é compreender como ambientes densos afetam a evolução de galáxias espirais.

A transformação de M88 redefinirá sua trajetória evolutiva por centenas de milhões de anos. Cientistas buscam decifrar os mecanismos que moldam a evolução galáctica e determinam o destino de bilhões de estrelas.

A contribuição do Hubble reforça o valor da colaboração internacional em ciência espacial. Cada imagem capturada pelo telescópio representa um avanço na compreensão dos mistérios cósmicos.

Leia mais sobre o assunto na science.nasa.gov.


Leia também: Hubble revela galáxia que interrompeu formação estelar após fusão cósmica


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Roberto Lima

31/05/2026 - 04h35

Mais uma foto bonita do Hubble. Enquanto isso, a esquerda quer aumentar imposto no agro pra bancar essas invenções. Se fosse iniciativa privada, fazia mais barato e ainda lucrava.

    Pedro Almeida

    31/05/2026 - 04h41

    Roberto, lembre-se de que o próprio Adam Smith já alertava: capital privado busca lucro imediato, não conhecimento desinteressado. O Hubble, o CERN e a própria Embrapa são provas de que o investimento público em ciência não é gasto, mas condição para o próprio desenvolvimento que o agro depois explora.

    Carlos Henrique Silva

    31/05/2026 - 04h47

    Roberto, você toca num ponto que merece um exame mais cuidadoso. Quando você afirma que “a iniciativa privada faria mais barato e ainda lucraria”, está pressupondo que o Hubble, como instrumento de ciência básica, poderia ser gerido como uma empresa. Só que a astrofísica fundamental, o mapeamento de galáxias a 50 milhões de anos-luz, não gera patente imediata nem retorno no próximo trimestre fiscal. Não há acionista que espere dividendo de fotografia de nebulosa. O que o Hubble produziu — desde a descoberta da taxa de aceleração do universo até o cálculo da idade cósmica — é conhecimento que serviu de base para inovações em sensores, imageamento e até telecomunicações. O mercado captura esses frutos depois, mas jamais financiaria a árvore. O que você chama de “aumento de imposto no agro” é, na verdade, uma tentativa de fazer o setor que mais recebe subsídio público no Brasil (o agronegócio, via crédito rural subsidiado, renegociação de dívidas e isenções fiscais) contribuir com a parcela que lhe cabe para sustentar o sistema de ciência e tecnologia que, no fim das contas, também beneficia a produtividade agropecuária — basta ver o papel da Embrapa.

    A sua visão de que o privado “faz mais barato” ignora a lógica do que Gramsci chamava de hegemonia. O capital privado não opera no vácuo; ele se apropria do conhecimento gerado pelo esforço coletivo e socializado, mas, no discurso, faz crer que ele próprio seria capaz de produzir esse conhecimento do zero. Isso é mistificação. A história da ciência mostra que telescópios espaciais, aceleradores de partículas e sequenciamento genômico só se viabilizaram quando o Estado assumiu o risco e o horizonte de longo prazo. A NASA, o CERN e a Embrapa não são “invenções da esquerda”, são conquistas civilizatórias que o mercado, sozinho, jamais entregaria. O Hubble custou bilhões de dólares públicos, mas o retorno em conhecimento, formação de capital humano e avanço tecnológico supera qualquer cálculo contábil de curto prazo. Se dependesse da lógica do lucro imediato, ainda estaríamos achando que o sol gira em torno da terra porque dava menos trabalho contábil.

    Por fim, vale lembrar que o discurso do “imposto é roubo” e do “privado sempre mais eficiente” é, ele mesmo, uma ideologia que serve para deslegitimar a esfera pública e abrir caminho para a privatização dos lucros e a socialização dos prejuízos. As mesmas pessoas que criticam o imposto no agro são as que aplaudem quando o BNDES financia uma fusão bilionária de frigoríficos ou quando a União perdoa dívidas de grandes grupos rurais. Não se trata de ser contra ou a favor do Hubble; trata-se de entender que a imagem da Messier 88 que estamos admirando aqui é o produto de um arranjo social que priorizou o conhecimento como bem comum. Negar isso é negar a própria base material que permitiu a você, Roberto, estar hoje diante de uma tela comentando uma galáxia que o olho nu jamais veria.


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