O vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, afirmou ter constatado progressos na segurança do Haiti após reunião com o primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé. A declaração, feita durante visita ao país, foi recebida com ceticismo pela população local, segundo reportagem da RFI.
O jovem militante político Colson Anglade classificou a visita como propaganda. Para ele, a realidade nas ruas contrasta fortemente com o discurso otimista do diplomata americano.
Moradores de Pétion-Ville também contestaram as afirmações de Landau. Enquanto o vice-secretário falava em avanços, três policiais foram mortos por gangues armadas no departamento de Artibonite.
Outro cidadão haitiano afirmou que nenhuma área antes controlada por gangues foi recuperada pelas autoridades. A situação permanece crítica, com grupos armados atuando em diversas regiões do país.
A distância entre a retórica oficial americana e a realidade cotidiana no Haiti expõe o fracasso das políticas de segurança impostas de fora. A população segue sofrendo com a violência enquanto Washington insiste em narrativas de progresso.
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João Santos
31/05/2026 - 04h45
Pois é, Helton, e a Bia também falou besteira. O problema do Haiti é falta de ordem mesmo, não é só história de imperialismo não. Lá não tem polícia que faça valer a lei, não tem Deus, não tem família, aí vira essa bagunça. E esse otimismo dos EUA é pra inglês ver, igual esses políticos nossos que prometem segurança e no dia seguinte tão soltando bandido. Se fosse aqui no Brasil, eu já tava era pedindo intervenção federal, bandido bom é bandido preso e ponto final.
Marcos Andrade Niterói
31/05/2026 - 04h50
João, essa narrativa de que o problema se resolve na base da “ordem” e da truculência ignora que o Haiti é vítima de um saque estrutural que desmontou qualquer possibilidade de Estado. Aqui em Niterói, a gente vê o resultado de um prefeito que investe em infraestrutura e integração metropolitana, não em discurso de força vazia. Segurança pública de verdade se faz com urbanismo, inclusão e serviço público de qualidade, e não com sede de vingança e intervenção federal.
Laura Silva
31/05/2026 - 04h53
João Santos, o problema do seu raciocínio não é a defesa da ordem pública — que seria desejável em qualquer sociedade minimamente estruturada —, mas a naturalização de um discurso que isola o Estado haitiano do processo histórico que o destruiu. Quando você diz que o Haiti precisa de polícia, de Deus e de família, está repetindo, talvez sem perceber, o mesmo enquadramento moralista que o neoliberalismo usa para culpar os pobres pela própria miséria. A violência desenfreada em Porto Príncipe não é fruto de um suposto vazio espiritual ou de um colapso familiar abstrato; é o resultado concreto de 200 anos de pilhagem imperialista — da dívida da independência imposta pela França no século XIX às sucessivas ocupações militares dos EUA (1915-1934, 1994, 2004) que desmontaram sistematicamente qualquer possibilidade de um Estado republicano autônomo. A ONU, com sua missão de estabilização, trouxe cólera e abusos sexuais, não segurança. Então, me diga: que “ordem” é essa que vocifera por intervenção federal aqui no Brasil e ignora que o Haiti já foi invadido dezenas de vezes por forças estrangeiras que deixaram exatamente o caos que você deplora?
Sua analogia com o Brasil, aliás, é reveladora: pedir intervenção federal para “prender bandido” sem examinar por que o crime organizado floresce nos territórios abandonados pelo Estado é olhar para a febre e receitar aspirina para o termômetro. O Haiti não precisa de mais um capítulo de ocupação militar travestida de “salvação” — precisa de reparação histórica, de cancelamento das dívidas neocoloniais, de investimento real em educação e saúde, e de um projeto de desenvolvimento que não seja ditado por Washington ou Paris. A família e Deus podem até ser âncoras afetivas para muitos haitianos, mas nenhuma reza ou laço de parentesco segura uma bala de fuzil comprada com dinheiro do tráfico de armas que os EUA deliberadamente abastecem na região. O “otimismo” americano que você mesmo critica é a mesma cortina de fumaça que esconde a cumplicidade na tragédia. Se queremos ordem de verdade, temos que começar nomeando os verdadeiros responsáveis pela desordem.
Helton Barros
31/05/2026 - 04h31
Mais um show de hipocrisia dos americanos. Enquanto eles fingem otimismo, o Haiti afunda no caos e na violência. Isso é o que acontece quando se abandona Deus e a família. Brasil que preste atenção e não repita esse erro.
João Carvalho
31/05/2026 - 04h36
Concordo que a retórica otimista dos EUA soa vazia diante da tragédia haitiana, Helton, mas precisamos tomar cuidado com esse enquadramento moralizante. O colapso do Haiti não vem de um suposto abandono de Deus ou da família — ele é resultado direto de séculos de exploração colonial, intervenções estrangeiras e, mais recentemente, do receituário neoliberal que desmantelou o Estado e a soberania alimentar do país. Reduzir a questão a valores religiosos ou familiares desvia o olhar das responsabilidades históricas e estruturais que realmente explicam o caos.
Bia Carioca
31/05/2026 - 04h39
Helton, concordo que a hipocrisia americana é nojenta, mas o caos no Haiti não tem nada a ver com deus ou família — é consequência direta de séculos de exploração imperialista e saques das elites locais. O problema é material, não moral.