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Pesquisadores denunciam bloqueio à soberania digital do Sul Global pela dependência dos EUA

Ilustração editorial sobre Pesquisadores denunciam bloqueio à soberania digital do Sul Global pela dependência dos EUA. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6) Pesquisadores e ativistas reunidos no 2º Encontro Nacional pela Soberania Digital em Brasília apresentaram diagnóstico contundente sobre a fragilidade tecnológica dos países do Sul Global. O evento revelou como a infraestrutura digital se transformou […]

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Ilustração editorial sobre Pesquisadores denunciam bloqueio à soberania digital do Sul Global pela dependência dos EUA. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

Pesquisadores e ativistas reunidos no 2º Encontro Nacional pela Soberania Digital em Brasília apresentaram diagnóstico contundente sobre a fragilidade tecnológica dos países do Sul Global. O evento revelou como a infraestrutura digital se transformou no principal campo de batalha geopolítico do século XXI.

O secretário-geral do Fórum Acadêmico do Sul Global, Jeff Xiong, apresentou índice internacional que mede a soberania digital das nações. Os resultados demonstram que a maioria dos países permanece refém da infraestrutura controlada pelos Estados Unidos.

O digital constitui território real com valor econômico concreto, afirmou Xiong durante o painel. Sem controle sobre as camadas fundamentais da rede, nenhuma nação alcança autonomia genuína.

Conforme reportagem do BRASILDEFATO, os debatedores traçaram paralelo histórico entre a extração massiva de dados e os ciclos coloniais de pilhagem. Grandes plataformas concentram riqueza a partir de informações geradas pelas populações periféricas sem retorno proporcional.

A pesquisadora do Fórum Tecnológico dos BRICS, Isabela Rocha, explicou que a soberania digital abrange desde a produção de hardware até a formulação de pensamento tecnológico próprio. O Brasil ocupa posição vulnerável na cadeia internacional, sem produção nacional de chips, servidores ou modelos de inteligência artificial.

O evento destacou a drenagem de cérebros brasileiros e a insuficiência de investimentos em ciência e infraestrutura tecnológica. Rocha enfatizou que o país enfrenta disputa estratégica pela capacidade de produzir conhecimento e soluções autônomas.

As políticas de incentivo fiscal a empresas estrangeiras sem contrapartidas para a indústria nacional foram criticadas. O Brasil exporta recursos naturais e mão de obra qualificada enquanto perpetua dependência externa.

A soberania digital equivale à soberania nacional, afirmou Rocha. Sem infraestrutura própria e capacidade tecnológica endógena, a autonomia política permanecerá distante.

O índice de Xiong confirma que a arquitetura digital global é comandada por poucos polos hegemônicos. Essa assimetria drena riqueza das economias periféricas e submete sua soberania informacional aos interesses estratégicos dos Estados Unidos.

O debate em Brasília reforçou a demanda por arquiteturas digitais multipolares entre os BRICS. Os participantes advertiram que o momento de agir é agora para quebrar o monopólio ocidental sobre a internet.


Leia também: Big techs impõem colonialismo digital com exploração de dados, água e mão de obra no Sul Global


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