O sistema de transporte público do Distrito Federal registra queda acentuada no número de usuários do metrô. Entre 2023 e 2025, a Companhia do Metropolitano do Distrito Federal perdeu 1.329.834 passageiros, uma redução de 3,11%.
Enquanto isso, o número de motoristas particulares cresceu 4,22% no mesmo período. Os dados do Departamento de Trânsito e da Secretaria de Transporte e Mobilidade mostram que a frota de carros saltou de 1.729.447 para 1.802.573 veículos.
O metrô transportou 41.551.476 passageiros em 2025, contra 42.881.310 em 2023. Os ônibus do sistema público, por outro lado, registraram aumento de 12,88%, passando de 307.708.531 para 347.371.823 usuários.
A diretora-presidente da Associação Nacional dos Transportadores de Pessoas sobre Trilhos, Ana Patrizia Lira, alerta que o esvaziamento do metrô tende a se agravar sem investimentos robustos. Ela defende prioridade ao transporte público para reduzir congestionamentos, acidentes e poluição.
Lira aponta que trens lotados e obras viárias favorecem o uso do automóvel particular. Políticas públicas de integração são apontadas como solução para atrair passageiros de volta aos trilhos e reequilibrar a mobilidade urbana.
Dos 32 trens do Metrô-DF, apenas 24 estão em operação. Os outros oito permanecem parados por problemas como descarrilamento, incêndio ou obsolescência de peças, com previsão de retorno entre 12 e 24 meses.
A companhia afirma que a média diária de passageiros em dias úteis se manteve estável, em torno de 148 mil entre 2024 e 2025. O Metrô-DF planeja colocar mais três trens em operação nos próximos 90 dias e expandir linhas em Samambaia e Ceilândia.
A frota de ônibus do Sistema de Transporte Público Coletivo soma 3.078 veículos. Desse total, 1.533 são da tecnologia Euro6, menos poluente, e 91 são elétricos.
Pesquisa na Ouvidoria do GDF revelou 8.427 reclamações sobre o serviço entre janeiro e maio. Os passageiros citam conduta de motoristas, descumprimento de horários, superlotação e problemas na conservação dos coletivos.
A Secretaria de Transporte e Mobilidade destaca que Brasília foi a primeira capital a recuperar o fluxo de passageiros pré-pandemia. A pasta trabalha na otimização de itinerários e aumento da frequência de viagens para melhorar o atendimento.
A frota atual de ônibus é 10% maior que no período pré-pandemia. A Semob ressalta que, proporcionalmente, a frota do DF é a menos poluente do país.
O cenário revela um paradoxo na mobilidade do Distrito Federal. Enquanto o sistema sobre trilhos encolhe, as ruas recebem mais veículos individuais. A recuperação dos passageiros do metrô depende de investimentos para reverter o sucateamento da frota.
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