O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ), foi nomeado para um cargo na executiva nacional do Partido Liberal com remuneração bruta de R$ 38 mil mensais, medida adotada após sua renúncia à pré-candidatura ao Senado Federal pelo estado. A manobra ocorre em meio a duas investigações da Polícia Federal que miram seu grupo político, liderado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e as conexões com os escândalos do grupo Refit e do Banco Master.
Segundo revelou a Revista Fórum, a nomeação foi formalizada nos últimos dias e garante a Castro um contracheque mensal pago com recursos do fundo partidário, que é abastecido por dinheiro público. A desistência de disputar o Senado já havia sido anunciada como uma tentativa de preservar o palanque bolsonarista, mas o novo posto assegura influência e recursos ao governador fluminense.
As investigações da Polícia Federal apontam que a estrutura política comandada por Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro serviu de suporte para os negócios do grupo Refit, acusado de fraudes em licitações e contratos com o Estado, e do Banco Master, investigado por operar um suposto esquema de pirâmide financeira. Castro, que é aliado histórico do senador, passou a figurar no radar da PF justamente por sua proximidade com esses personagens e empresas.
A criação do cargo no PL para Castro ocorre em um momento delicado, em que as operações da Polícia Federal aprofundam o cerco a integrantes do partido no estado. Em vez de afastar o governador sob investigação, a legenda optou por abrigá-lo com uma posição remunerada, sugerindo um movimento de blindagem mútua entre Castro e o clã Bolsonaro.
O valor de R$ 38 mil mensais é superior a 25 salários mínimos atuais e representa um gasto considerável do fundo partidário, justamente no ano em que as legendas se preparam para a campanha eleitoral de 2026. Essa alocação de recursos para um dirigente alvo de operações federais expõe o uso da máquina partidária como instrumento de proteção política e financeira a aliados em crise.
A decisão também lança luz sobre o controle que Flávio Bolsonaro exerce sobre o PL no Rio de Janeiro e sua capacidade de distribuir benesses mesmo a correligionários encurralados por investigações. O movimento indica que a executiva nacional, sob influência bolsonarista, está disposta a arcar com o desgaste midiático em troca de lealdade absoluta.
No contexto do projeto de poder para 2026, o acolhimento de Cláudio Castro reforça a blindagem do entorno bolsonarista contra os sucessivos escândalos que corroem a imagem do partido. A estratégia de manter aliados com cargos e salários assegura que ninguém se desgarre do grupo central, mesmo quando há risco de condenações judiciais.
O partido, que já conta com figuras como Jair Bolsonaro e seus filhos no comando informal, consolida uma estrutura de fidelidade na qual o fundo partidário funciona como uma espécie de seguro para políticos acusados de irregularidades. A nomeação de Castro é mais um exemplo de como o dinheiro público partidário é usado para financiar a resiliência de um ecossistema político sob investigação.
A ligação de Castro com o Banco Master, em particular, é um fator explosivo para a corrida eleitoral, uma vez que a instituição financeira é acusada de lesar milhares de investidores e movimentar recursos de origem suspeita. O governador sempre negou envolvimento direto, mas as investigações avançam e já colocam seu nome em meio a depoimentos e quebras de sigilo.
Enquanto as operações da PF seguem em andamento no Rio, o novo cargo no PL permite que Castro mantenha uma plataforma política e financeira para enfrentar o turbilhão legal que se avizinha. Essa blindagem partidária, porém, não o isenta de futuras responsabilizações criminais, mas certamente prolonga sua vida política.
O episódio também revela a dificuldade do PL em se desvencilhar de personagens queimados, já que a legenda depende dos mesmos quadros para manter o controle territorial no Rio de Janeiro. A substituição na chapa ao Senado por outro nome do grupo não altera o fato de que a estrutura de poder permanece contaminada pelas mesmas teias investigativas.
Por fim, a nomeação de Cláudio Castro com um salário polpudo expõe a essência do bolsonarismo: um sistema de lealdade e distribuição de cargos que funciona independentemente dos méritos ou da conduta ética dos beneficiários. A poucos meses das convenções partidárias de 2026, o sinal é claro: aliados sob suspeita não serão descartados, e sim absorvidos com recursos públicos.
Leia também: Toda a cobertura dos escândalos da família Bolsonaro.
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