A Foundation Future Industries, startup com vínculos diretos à família do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desenvolve robôs humanoides autônomos para uso militar. Os primeiros protótipos já operam na Ucrânia como laboratório de testes em condições reais de combate.
O diretor-presidente da empresa, Sankaet Pathak, afirma que a tecnologia atingiu maturidade para substituir humanos em tarefas de alto risco. Ele destacou à CNBC que essa é a aplicação mais benéfica da robótica, conforme reportagem do Olhar Digital.
A Foundation enviou duas unidades do robô Phantom MK-1 para a Ucrânia no início deste ano. Os testes focam em atividades logísticas, como coleta de suprimentos em áreas de risco, onde soldados enfrentam perigos constantes.
O modelo atual, porém, tem limitações. O Phantom MK-1 transporta apenas 20 quilos, não resiste à água e sofre com restrições severas de bateria, o que impede seu uso em larga escala.
A empresa planeja lançar ainda em 2026 o Phantom 2, com o dobro da capacidade de carga e habilidades aprimoradas. Pathak afirmou que a meta é produzir milhares de unidades e iniciar testes com as Forças Armadas dos EUA em operações de linha de frente nos próximos 12 a 18 meses.
A startup já recebeu contratos governamentais no valor de US$ 24 milhões para estudos de viabilidade com o Exército, a Marinha e a Força Aérea dos EUA. As pesquisas abrangem inspeção, logística e manuseio de armamentos.
A entrada de Eric Trump, filho do presidente, como assessor estratégico da empresa gerou controvérsia em Washington. A senadora democrata Elizabeth Warren classificou os contratos como corrupção explícita, alegação que a Foundation nega, argumentando que Eric Trump já era investidor antes de assumir o cargo.
A empresa alinha sua tecnologia à estratégia geopolítica dos EUA, apresentando-a como peça na disputa com a China. Pathak declarou que o objetivo é entregar robôs superiores aos das Forças Armadas americanas, superando qualquer tecnologia chinesa.
A Ucrânia foi escolhida como campo de testes por já utilizar amplamente inteligência artificial e robótica em combate. O país emprega robôs terrestres para transporte, drones autônomos e sistemas de IA para reconhecimento e ataques de precisão.
Especialistas questionam a viabilidade dos robôs humanoides diante de alternativas mais simples e econômicas. Melanie Sisson, da Brookings Institution, argumenta que a guerra na Ucrânia demonstrou a necessidade de equipamentos de fabricação rápida e de baixo custo.
O avanço de sistemas autônomos em contextos militares levanta questões éticas, especialmente sobre decisões sem supervisão humana. Pathak admitiu que os robôs precisarão agir de forma autônoma em situações críticas, mas afirmou que a maioria dos usos armados exigirá confirmação humana.
Apesar das divergências, especialistas concordam que a presença de robôs com inteligência artificial em conflitos é irreversível. Toby Walsh, do Instituto de Inteligência Artificial da Universidade de New South Wales, afirmou que robôs terrestres, aéreos e submarinos substituirão forças humanas, embora a imagem de exterminadores humanoides ainda pertença à ficção científica.
Com informações de OLHARDIGITAL.
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