Pesquisa da Universidade de Ciências de Tóquio identificou como bactérias importam polímeros raros de açúcar, os β-1,2-glucanos. A descoberta pode revolucionar o desenvolvimento de biopesticidas sustentáveis e sistemas de entrega de fármacos.
O estudo, liderado pelos professores Masahiro Nakajima e Hidetaka Torigoe, analisou a proteína Chy400_4166 do transportador ABC da bactéria Chloroflexus aurantiacus. A equipe utilizou cristalografia de raios X para mapear a estrutura tridimensional da proteína em complexo com os glucanos.
Os β-1,2-glucanos são polímeros de glicose que protegem bactérias patogênicas como Brucella abortus e Xanthomonas. Esses microrganismos causam doenças em culturas agrícolas como Arabidopsis thaliana e Nicotiana benthamiana.
A proteína Chy400_4166 demonstrou um modo de ligação distinto, aderindo ao segmento central de glucanos lineares e cíclicos. Este mecanismo difere do único outro sistema conhecido, encontrado na bactéria Listeria innocua.
Segundo reportagem do portal Phys.org, a proteína apresenta flexibilidade estrutural para acomodar glucanos cíclicos de diferentes tamanhos. A análise termodinâmica confirmou ligação forte e seletiva, rejeitando outros β-glucanos.
O professor Nakajima destacou a importância da descoberta para entender como bactérias manipulam esses compostos. “Buscamos enzimas e proteínas que atuam sobre glucanos para elucidar seus papéis na natureza e potenciais aplicações”, afirmou.
A principal aplicação está na agricultura, onde os β-1,2-glucanos cíclicos poderiam sabotar infecções bacterianas em plantas. Isso eliminaria a necessidade de agrotóxicos convencionais, oferecendo alternativa ecológica para proteger lavouras.
O sistema de transporte também pode inspirar tecnologias de liberação controlada de medicamentos. Os glucanos cíclicos são capazes de encapsular substâncias, abrindo possibilidades em biorremediação e tecnologia de alimentos.
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