A Ferrari apresentou oficialmente o Luce, seu primeiro carro totalmente elétrico, com preço de US$ 640 mil e capacidade para cinco ocupantes. O modelo, projetado pelo ex-guru da Apple Jony Ive em parceria com o estilista industrial Marc Newson, já nasce sob o fogo cruzado entre a aprovação dos pilotos da escuderia e a rejeição dos fãs tradicionalistas.
O heptacampeão mundial Lewis Hamilton e seu companheiro de equipe na Scuderia Ferrari, Charles Leclerc, testaram o veículo na pista de Fiorano. Hamilton revelou surpresa com a arquitetura do carro, que conta com quatro motores elétricos. O modelo possui um motor em cada roda para controle de torque, suspensão ativa e direção, além do motor principal.
A reação de Leclerc durante o teste com Hamilton ao volante viralizou nas redes sociais, com o monegasco implorando para o companheiro reduzir a velocidade. ‘Achei que você estava forçando como um louco’, confessou Leclerc depois. Ambos, no entanto, saíram impressionados com a engenharia do Luce e sua capacidade em curvas de alta velocidade.
Hamilton descreveu a entrega de potência como ‘incrível’ e destacou a sensação de estar ‘centrado o tempo todo, mesmo nas curvas’. Leclerc elogiou o design futurista e o retorno dos botões físicos no interior. O britânico resumiu: ‘Em termos de atenção aos detalhes, você percebe que é muito Ferrari’.
A reação dos tifosi, no entanto, foi diametralmente oposta. O ex-presidente da Ferrari, Luca Cordero di Montezemolo, declarou que o carro ‘arrisca destruir uma lenda’ e pediu que removam o cavalo rampante do veículo. A ausência do ronco característico dos motores a combustão, mesmo com um som artificial, não convenceu os puristas.
As críticas também miram a autonomia de aproximadamente 530 quilômetros, considerada modesta para um veículo de quase US$ 650 mil, informa o portal CleanTechnica. O sistema opera em arquitetura de 800 volts, com uma bateria de 122 kWh projetada e fabricada em Maranello. A bateria funciona como elemento estrutural do chassi e possui eletrônica com eficiência superior a 98%.
Nas especificações técnicas, o Luce impressiona com quatro motores síncronos de ímã permanente, que atingem rotação máxima de 30.000 rpm. A velocidade máxima declarada é próxima dos 320 km/h. A tração integral e as quatro portas, porém, alimentam o debate sobre a alma de competição do modelo.
O uso extensivo de alumínio reciclado permitiu à Ferrari reduzir em cerca de 70% as emissões de CO2 na produção do veículo. O banco de investimentos Berenberg projeta a entrega de 25 unidades no quarto trimestre de 2026 e 1.000 veículos em 2027. A instituição emitiu recomendação de compra para as ações da montadora em 28 de maio.
A Ferrari, cujos lucros desafiaram consistentemente as crises do setor, aposta na eletrificação para ampliar seu portfólio sem perder a exclusividade. O CEO Benedetto Vigna afirmou que o modelo já desperta interesse de potenciais compradores. Ele mira uma base de clientes pequena, mas fiel, abastada e com forte inclinação tecnológica.
A história da marca, fundada em 1947, chega a uma encruzilhada entre a tradição das pistas e a transição energética global. Enquanto os tifosi questionam se o Luce merece ostentar o cavalo rampante, os engenheiros de Maranello defendem que o novo elétrico preserva a essência Ferrari.
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