Colonos israelenses invadiram o curral de Salim Hamayel, fazendeiro palestino de Abu Falah, e roubaram quase todo o seu rebanho em uma única noite. O agricultor, que investira 180 mil euros na propriedade, viu 71 de suas 76 ovelhas desaparecerem, restando apenas paredes enegrecidas e estilhaços de vidro.
O curral, protegido por muros de concreto e arame farpado, sofreu quatro ataques antes que os invasores conseguissem arrombar a porta dos fundos. Na manhã seguinte, a família Hamayel encontrou o local devastado e os animais levados.
“Das 76 ovelhas, só restaram cinco que se esconderam. Foi uma perda total”, disse Hamayel à reportagem do portal alemão tagesschau. Ele explicou que, na época da Festa do Sacrifício, quando venderia 25 ovelhas a mil euros cada, sua família ficou sem renda por dois meses.
Sua esposa, Rifa, que produzia queijo com o leite das ovelhas, chorava ao lembrar do trabalho de anos reduzido a nada. A família era a principal fornecedora de carne e leite para Abu Falah, serviço essencial perdido com o ataque.
O caso dos Hamayel não é isolado. Ameer Daewood, da Comissão Palestina contra o Muro e os Assentamentos, vinculada à Autoridade Palestina, registrou mais de 100 ataques a agricultores palestinos entre janeiro e meados de maio. Cerca de 4.700 cabeças de gado foram roubadas no período.
“Os animais são roubados, mortos, envenenados, queimados ou têm seus pastos e fontes de água bloqueados”, detalhou Daewood. Ele apontou que, sob o manto da guerra, a circulação dos palestinos nas áreas rurais foi ainda mais restringida, permitindo que os colonos ajam com impunidade.
A situação se agravou após os palestinos perderem as autorizações de trabalho em Israel. Muitas famílias passaram a depender exclusivamente da agricultura e da pecuária, tornando-se ainda mais vulneráveis ao roubo de gado.
A estratégia, segundo a comissão palestina, visa forçar o abandono das terras por comunidades rurais. O objetivo é abrir caminho para novos postos avançados de colonos, especialmente na Zona C e no Vale do Jordão, áreas cruciais para um futuro Estado palestino.
A poucos minutos de Abu Falah, o clã beduíno de Ali Kaabneh enfrenta uma tragédia ainda maior. Seu filho Yousef, de 16 anos, foi morto com um tiro no peito durante uma operação militar israelense em meados de maio.
Com a voz embargada, o pai relatou que colonos reuniram 700 ovelhas de agricultores da região naquele dia. O exército israelense classificou o episódio como “distúrbio violento”.
“Quero dizer ao mundo que Youssef foi morto injustamente. Ele estava desarmado, com o torso nu, e os soldados o atacaram a sangue frio”, denunciou Kaabneh. Ele exibiu um vídeo em seu celular mostrando soldados israelenses conduzindo ovelhas por uma estrada, reforçando a acusação de confisco dos animais.
“Esses colonos estão acima da lei. Ninguém nos protege — nem a polícia israelense, nem a palestina, nem as forças de segurança”, lamentou o líder beduíno. Ele descreveu a situação como “uma nova fase de expulsão e migração forçada”, comparável aos piores deslocamentos da história palestina.
Recentemente, o acampamento do clã Kaabneh foi atacado por cerca de quarenta colonos armados com paus. Eles agrediram os beduínos e incendiaram suas tendas, apesar da família ter comprado as terras onde vivem.
Os relatos revelam um padrão de violência sistemática que vai além de incidentes isolados. Observadores internacionais descrevem a destruição planejada das bases econômicas das comunidades palestinas na Cisjordânia, enquanto a atenção global se concentra em Gaza.
Os números documentados pela comissão palestina — mais de 100 ataques e 4.700 animais roubados em menos de cinco meses — expõem uma política de violência direta, confisco de bens e restrição de movimento. Para famílias como os Hamayel e os Kaabneh, o resultado é a perda dos meios de subsistência e a ruptura de laços comunitários.
Leia também: Expansão de assentamentos israelenses impõe nova Nakba aos palestinos na Cisjordânia
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Zé Trovãozinho
01/06/2026 - 03h00
Mais uma fake news pra tentar culpar Israel de tudo. Enquanto isso o STF aqui no Brasil tora o rabo do povo e ninguém fala da Venezuela que virou uma Cuba. Cada um com seus problemas.
Clarice Historiadora
01/06/2026 - 03h06
Zé, você usou o manual clássico de whoaboutism: quando não tem argumento sobre um fato, joga a culpa no STF e na Venezuela. Mas, segundo o relatório do Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) de 2022, o roubo de rebanhos por colonos na Cisjordânia é um padrão sistemático documentado, não “fake news”. Se quiser debater os dados, estou aqui.