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Codevasf em Alagoas vira palanque para filho de Arthur Lira

Homens descobrem placa da Codevasf em cerimônia no município de Limoeiro de Anadia, Alagoas. A Codevasf em Alagoas está sendo usada como plataforma eleitoral para Álvaro “Alvinho” Lira, filho do presidente da Câmara Arthur Lira (PP). O jovem de 20 anos, sem experiência política prévia, prepara-se para concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados. […]

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Homens descobrem placa da Codevasf em cerimônia no município de Limoeiro de Anadia, Alagoas. (Foto: metropoles.com)

A Codevasf em Alagoas está sendo usada como plataforma eleitoral para Álvaro “Alvinho” Lira, filho do presidente da Câmara Arthur Lira (PP). O jovem de 20 anos, sem experiência política prévia, prepara-se para concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados.

O superintendente da Codevasf no estado, João Paulo Tavares, indicado por Arthur Lira, transformou suas redes sociais em vitrine para a família. Em postagens analisadas pelo Metrópoles, Tavares agradece publicamente a Alvinho e seu pai, associando entregas de obras à futura candidatura de Lira ao Senado.

Arthur Lira destinou R$ 15 milhões em emendas individuais à companhia desde 2023. Os repasses por emendas de bancada do estado somam R$ 87 milhões no mesmo período, embora formalmente coletivas, costumam ser divididas entre deputados para atender a seus redutos.

Alvinho foi nomeado gestor administrativo da Prefeitura da Barra de São Miguel aos 18 anos, após a morte de seu avô, então prefeito. Aos 20, já discursa em inaugurações e assina documentos oficiais, adotando postura de político profissional.

A Codevasf afirmou que mantém comunicação impessoal e apartidária em seus perfis oficiais. Reconheceu, porém, que postagens de funcionários refletem posições individuais, sem controle da estatal.

O superintendente Tavares não respondeu aos contatos da reportagem. Arthur Lira e Álvaro Lira também não se manifestaram até a publicação.

A estratégia da Codevasf expõe a engrenagem do centrão para consolidar dinastias políticas no Nordeste. A disputa pelo Senado em Alagoas envolve ainda o senador Renan Calheiros (MDB) e o deputado Alfredo Gaspar (PL).

Leia mais sobre o assunto na metropoles.com.


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Francisco de Assis

01/06/2026 - 04h30

Esse tipo de coisa me dá nos nervos. Enquanto o povo humilde trabalha pra pagar imposto, tem político usando CODEVASF, que é um órgão público pra desenvolver o Brasil, como curral de família. Agora, se fosse no governo Lula, isso não acontecia, porque a gente fiscaliza e não aceita esse tipo de maracutaia. Esse menino de vinte anos não tem nem currículo e já quer ser deputado? Isso é uma vergonha.

Rodrigo Meireles

01/06/2026 - 04h25

Se o pai quer lançar o filho na política, que banque a campanha com o dinheiro dele, não com a estrutura da Codevasf. Enquanto um moleque de 20 anos sem currículo usa estatal como vitrine, empresa séria aqui fora briga pra sobreviver com regra clara e concorrência justa. Isso não é direita nem esquerda, é ineficiência pura.

João Santos

01/06/2026 - 04h17

Pior que esses comentários cheios de teoria são só enfeite. A real é que esse moleque de 20 anos nunca pegou um ônibus na vida e já vai virar deputado às custas do pai. Enquanto isso o cidadão de bem acorda cedo, paga imposto e vê a Codevasf virar curral eleitoral de família. Bandido de terno e gravata é pior que bandido de chinelo.

    Laura Silva

    01/06/2026 - 04h17

    João Santos, sua indignação é absolutamente legítima e eu a compartilho no que toca ao descaramento com que o filho do presidente da Câmara é alçado a um cargo público sem qualquer trajetória política que não seja o sobrenome. Mas preciso fazer uma ressalva, porque o problema é ainda mais profundo do que a imagem do “moleque que nunca pegou um ônibus” versus o “cidadão de bem que acorda cedo”. Essa oposição moral entre trabalhador honesto e político corrupto, embora emocionalmente poderosa, acaba servindo de álibi para o sistema que produz ambos os lados. O bandido de terno não é pior que o bandido de chinelo no sentido ético abstrato; ele é pior porque opera dentro da lei, usando o Estado que deveria ser de todos como extensão do patrimônio familiar. A Codevasf não virou curral eleitoral por acaso: ela é o retrato do que acontece quando o fundo público é privatizado por dentro, via emendas de relator e nomeações políticas, sem que a sociedade tenha controle algum.

    O que você chama de “cidadão de bem” é uma categoria que o próprio neoliberalismo inventou para fragmentar a classe trabalhadora. Ele paga imposto, sim, mas imposto no Brasil é regressivo: quem ganha salário mínimo paga proporcionalmente mais do que quem vive de dividendos e juros sobre capital próprio. Enquanto isso, o Estado que financia a Codevasf para irrigar terras de grandes produtores no Nordeste e turbinar currais eleitorais é o mesmo Estado que corta verba da educação pública e precariza o SUS. O moleque do Arthur Lira é apenas a ponta visível de uma engrenagem onde a política virou balcão de negócios, e o trabalhador que “acorda cedo” é estimulado a odiar o vizinho pobre que roubou um celular, mas a tolerar o deputado que rouba milhões em emendas secretas. A raiva moral, se não for direcionada à estrutura que permite a hereditariedade dos cargos e a captura do Estado por corporações e famílias, vira apenas combustível para a próxima eleição que elegerá outro Lira.

    A comparação entre bandido de terno e bandido de chinelo tem um fundo de verdade, mas corre o risco de cair no moralismo raso que a esquerda tanto criticou nos discursos de law and order. O problema não é que o rico corrupto seja pior no sentido individual; é que o sistema de justiça criminal é seletivo: prende o pobre que furtou um frango no supermercado e deixa solto o empresário que sonegou milhões, usando para isso a mesma estrutura estatal que a Codevasf personifica. Se queremos enfrentar essa farra, precisamos ir além da denúncia do “moleque sem experiência” e questionar por que o Estado brasileiro continua sendo um patrimônio a ser partilhado entre clãs políticos, e não uma conquista democrática dos que pagam imposto e nunca veem sua rua asfaltada. A teoria que você chama de “enfeite” é justamente a ferramenta que nos permite entender que o problema não é a falta de Deus na política, mas a falta de classe na distribuição do poder e da riqueza.

Marina Costa

01/06/2026 - 04h04

Isso é o que acontece quando a política vira negócio de família, longe dos princípios bíblicos. Provérbios 16:12 diz que o trono se estabelece pela justiça. Esse garoto sem experiência só está aí por causa do pai. Cadê a moral nisso?

    João Carlos da Silva

    01/06/2026 - 04h09

    Marina, você toca num ponto que Gramsci já diagnosticava: o Estado capturado por interesses privados vira extensão de famílias políticas, não de cidadãos. O problema não é só moral, é estrutural — quando a esfera pública se confunde com herança privada, a justiça de Provérbrios vira ornamento de palanque.

    João Silva

    01/06/2026 - 04h12

    Marina, concordo que a moral bíblica é um termômetro, mas o problema é mais embaixo: quando o Estado vira extensão do clã, a “justiça” de Provérbios depende de uma consciência de classe que esse garoto nunca vai ter, porque nasceu no topo da pirâmide. O que falta não é só moral individual, é uma reforma estrutural que arranque o poder das mãos dessas oligarquias.


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